
Crianças com deficiência não podem esperar: Aldair de Linda cobra solução para famílias que aguardam benefício em Maricá | Divulgação/Elsson Campos/Prefeitura de Maricá
Em Maricá, a espera por um benefício social ultrapassa os limites da burocracia e chega à realidade de famílias que enfrentam dificuldades todos os dias. São mães que dedicam praticamente toda a vida aos cuidados dos filhos com deficiência, responsáveis por pessoas acamadas e famílias que precisam de recursos para garantir alimentação, medicamentos, higiene e condições mínimas de dignidade.
É diante dessa realidade que o presidente da Câmara Municipal de Maricá, vereador Aldair de Linda (PT), voltou a cobrar providências para atender famílias que aguardam acesso ao Auxílio Cuidar.
A cobrança não é isolada. Em outubro, a imprensa local já havia registrado manifestações do parlamentar em defesa das famílias atípicas que aguardavam atendimento pelo programa municipal.
O Auxílio Cuidar foi criado em 2023 para oferecer suporte às famílias de pessoas com deficiência que necessitam de cuidados em tempo integral. O programa representa uma importante conquista social, especialmente para responsáveis que precisam abrir mão do trabalho para cuidar de seus familiares.
Entretanto, a existência de uma lei não resolve, por si só, o sofrimento de quem continua aguardando uma resposta.
Para uma criança que necessita de cuidados permanentes, a espera não é apenas uma questão administrativa. É uma questão de qualidade de vida.
Para uma mãe que não consegue trabalhar porque precisa acompanhar o filho durante as 24 horas do dia, cada mês sem apoio financeiro pode representar contas atrasadas, dificuldades para comprar medicamentos e a angústia de não saber como atender às necessidades mais básicas da família.
Mas uma política pública precisa funcionar também para quem ainda está do lado de fora, esperando atendimento.
Quantas famílias ainda aguardam o Auxílio Cuidar?
A questão que se impõe agora é saber quantas famílias permanecem aguardando análise, quantas já tiveram o cadastro aprovado sem receber o benefício e quais providências estão sendo adotadas para solucionar as pendências.
Não se trata de ignorar os critérios legais, a necessidade de avaliação ou a responsabilidade com os recursos públicos. Trata-se de exigir que esses procedimentos sejam conduzidos com transparência, eficiência e sensibilidade diante de situações de extrema vulnerabilidade.
Quando a espera se transforma em sofrimento
A realidade de uma mãe atípica não termina quando a cidade dorme. Muitas passam noites acordadas, acompanham tratamentos, administram medicamentos, enfrentam crises e precisam encontrar forças para continuar no dia seguinte.
Essas mulheres não estão pedindo privilégios. Estão reivindicando condições para cuidar de quem depende delas.
Maricá, município reconhecido por suas políticas sociais, precisa demonstrar que a inclusão vai além da criação de programas e da aprovação de leis.
Uma cidade verdadeiramente inclusiva não pode permitir que a burocracia seja mais forte do que a urgência de uma vida.
O apelo feito pelo presidente da Câmara merece uma resposta objetiva do Executivo municipal, acompanhada de informações públicas sobre o andamento dos cadastros, a disponibilidade de recursos e os prazos previstos para atendimento das famílias.
Porque, enquanto o poder público discute procedimentos, existem pessoas que continuam precisando de cuidados hoje.
E a dignidade de uma criança com deficiência, de uma mãe cuidadora ou de uma pessoa acamada não pode ficar indefinidamente em uma fila de espera.








