Construir Roma em 26 dias parece impossível até alguém reduzir a escala — e colocar três impressoras 3D para trabalhar.
Foi isso que o arquiteto Marco Galofaro e sua equipe fizeram para a exposição ROMA NEL MONDO, no MAXXI, em Roma. O projeto resultou em uma grande maquete urbana com cerca de 48 m², formada por peças de terracota moldadas a partir de componentes impressos em 3D.
Ao todo, a equipe produziu 953 moldes em resina usando três impressoras Formlabs Form 4L. O prazo completo foi de apenas 26 dias.
Roma virou um quebra-cabeça de 953 peças
A ideia começou no computador.
Galofaro modelou a cidade no Rhinoceros CAD e, depois, trabalhou com a 3DiTALY para definir como transformar aquele arquivo digital em uma instalação física de grandes dimensões.
A solução foi dividir a cidade em centenas de partes.
Cada peça media aproximadamente 17 × 17 cm e servia como base para a criação de um molde. Depois, a equipe usava esse molde para produzir a versão final em terracota.
Ou seja, a impressão 3D não virou o produto final.
Ela funcionou como uma etapa intermediária para acelerar a fabricação tradicional.
Cada peça levou cerca de 15 minutos para imprimir
Esse é um dos números mais curiosos do projeto.
Segundo a Formlabs, cada peça de 17 × 17 cm levava, em média, apenas 15 minutos para sair da impressora usando Fast Model Resin.
Além disso, a equipe colocou três Form 4L para trabalhar em paralelo.

Moldes produzidos com impressão 3D serviram de base para fabricar as peças de terracota usadas na maquete de Roma. | Reprodução/MIC/Formlabs
Com isso, conseguiu manter o ritmo necessário para produzir quase mil peças dentro do prazo.
A própria Formlabs afirma que, se o mesmo projeto tivesse usado outra tecnologia, como FDM, o processo levaria pelo menos dois meses. Essa comparação, porém, vem da própria fabricante e deve ser lida nesse contexto.
951 peças deram certo de primeira
Outro dado chama atenção.
Das 953 impressões, 951 saíram corretamente já na primeira tentativa. Segundo a Formlabs, apenas duas falharam — e ambas por erro do operador.
Isso representa uma taxa de sucesso de 99,79% no projeto.
A fabricante também atribui parte dessa eficiência à plataforma flexível de construção, que permitia retirar as peças sem suporte e sem ferramentas.
A maquete final não é de resina
Aqui está uma diferença importante.
Quem olha o resultado final pode imaginar que toda a cidade foi impressa em 3D.
Não foi.
As impressoras produziram moldes em resina. Depois, a equipe usou esses moldes para formar peças em terracota.

Instalação ocupa cerca de 48 m² e combina peças de terracota com projeções sobre o mapa de Roma. | Reprodução/MIC/Formlabs
A escolha do material final também não foi aleatória.
Galofaro queria que a instalação carregasse uma textura ligada à própria história de Roma e aos materiais tradicionais da cidade.
Assim, o projeto juntou duas pontas bem diferentes:
modelagem digital e impressão 3D de um lado; cerâmica e fundição em molde do outro.
Instalação ocupa quase 50 metros quadrados
O resultado final é grande.
A maquete cobre aproximadamente 48 m² e foi dividida em 99 painéis, cada um com cerca de 12 peças.
Além disso, projeções são feitas sobre a superfície para mostrar dados e informações sobre a transformação urbana de Roma.
Isso transforma a maquete em algo mais próximo de uma instalação interativa do que de uma simples peça de exposição.
Impressão 3D entrou onde fazia mais sentido
O projeto é interessante justamente porque a impressão 3D não tentou substituir tudo.
A equipe não imprimiu Roma inteira em resina e encerrou o trabalho.
Em vez disso, usou a tecnologia onde ela entregava mais vantagem: velocidade, repetibilidade e precisão para criar moldes detalhados.

A equipe produziu centenas de moldes para transformar o modelo digital de Roma em peças físicas de terracota. | Reprodução/MIC/Formlabs
Depois, voltou a um material tradicional para produzir o acabamento final.
Esse tipo de combinação mostra um uso mais maduro da impressão 3D.
Ela não aparece como fim obrigatório do processo.
Aparece como ferramenta.
Projeto usou cerca de mil litros de resina
A escala exigiu muito material.
Segundo a Formlabs, o projeto consumiu cerca de 1.000 litros de Fast Model Resin ao longo da produção.
Esse volume ajuda a dimensionar o tamanho da operação.
Não se tratou de imprimir meia dúzia de peças para uma maquete de escritório.
Foram quase mil moldes, produzidos em sequência, para preencher uma instalação com dezenas de metros quadrados.
Roma levou séculos para existir; a miniatura levou 26 dias
A comparação é inevitável.
A cidade real levou séculos para ganhar a forma que conhecemos hoje.
Já sua versão reduzida, dividida em 953 peças, saiu das impressoras em menos de um mês.
Não porque a impressão 3D tenha feito tudo sozinha.
Mas porque permitiu transformar um modelo digital complexo em centenas de moldes repetíveis com velocidade suficiente para caber no calendário da exposição.
E, nesse caso, o dado mais impressionante talvez não seja apenas o tamanho da maquete.
É o fato de que 951 das 953 peças saíram certas logo na primeira impressão.









