Eleições 2026Estado do Rio de JaneiroLeste Fluminense

Mangaratiba lidera abstenção no Rio com 30,76%; 27 cidades registram aumento

Eleitor confirma voto em urna eletrônica nas Eleições 2026

Mangaratiba lidera abstenção no Rio com 30,76%; 27 cidades registram aumento | Divulgação/TSE

A abstenção eleitoral no Rio de Janeiro caiu no segundo turno das Eleições 2026, realizado no domingo (25), mas o comportamento do eleitorado apresentou diferenças significativas entre os 92 municípios fluminenses. Mangaratiba registrou o maior índice proporcional de ausência, com 30,76% dos eleitores sem comparecer às urnas. Na contramão da redução estadual, 27 cidades tiveram aumento da abstenção em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro.

Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), a abstenção estadual diminuiu de 23,32% para 21,62%, redução de 1,70 ponto percentual. Ao todo, 2.780.077 eleitores deixaram de votar no segundo turno, contra 2.997.846 na primeira votação.

Isso representa 217.769 ausências a menos entre os dois turnos. Entretanto, a queda não ocorreu de maneira uniforme: enquanto a capital registrou uma redução expressiva, municípios como Mangaratiba, Campos dos Goytacazes, Macaé e Araruama apresentaram aumento no número de faltosos.

Mangaratiba tem maior abstenção proporcional do estado

Localizada na Costa Verde, Mangaratiba liderou o ranking proporcional de abstenção no segundo turno, com 14.301 eleitores ausentes entre os 46.499 aptos a votar, taxa de 30,76%.

No primeiro turno, o município havia registrado 12.421 ausências, equivalentes a 26,71% do eleitorado. Portanto, o número de faltosos aumentou em 1.880 pessoas, enquanto a taxa avançou aproximadamente 4,04 pontos percentuais.

O resultado contrasta com a tendência estadual e representa a maior elevação proporcional identificada no levantamento municipal.

Em segundo lugar no ranking de abstenção ficou São Francisco de Itabapoana, no Norte Fluminense, com 26,12% dos eleitores ausentes. Valença, no Sul Fluminense, apareceu na terceira posição, com 24,77%.

Os dados mostram que as maiores taxas não se concentraram exclusivamente nos municípios de maior população ou eleitorado. Por isso, é necessário distinguir o percentual de abstenção do número absoluto de pessoas que deixaram de votar.

Veja os dez municípios com maior abstenção no RJ

O ranking considera a proporção de eleitores ausentes em relação ao eleitorado apto de cada município no segundo turno das eleições presidenciais.

PosiçãoMunicípioAusentesAbstenção
1ºMangaratiba14.30130,76%
2ºSão Francisco de Itabapoana10.42726,12%
3ºValença14.07324,77%
4ºCabo Frio42.77223,82%
5ºSão Sebastião do Alto1.85623,82%
6ºArraial do Cabo8.34223,67%
7ºAraruama26.16123,49%
8ºParaty8.16623,02%
9ºRio de Janeiro1.137.55322,97%
10ºMacaé42.66822,91%

Nota metodológica: Os percentuais foram arredondados para duas casas decimais. Cabo Frio e São Sebastião do Alto apresentam o mesmo percentual arredondado, mas Cabo Frio possui taxa ligeiramente superior quando consideradas as contagens completas de eleitores e ausentes.

Capital concentra mais de 1,1 milhão de eleitores ausentes

Embora Mangaratiba tenha apresentado a maior taxa proporcional, a cidade do Rio de Janeiro concentrou o maior número absoluto de abstenções do estado.

Na capital, 1.137.553 eleitores não compareceram ao segundo turno, o equivalente a 22,97% do eleitorado municipal. No primeiro turno, haviam sido registradas 1.293.714 ausências, correspondentes a 26,12%.

A redução chegou a 156.161 eleitores ausentes, representando aproximadamente 71,7% de toda a diminuição absoluta da abstenção fluminense entre as duas votações.

O dado evidencia o peso da capital sobre os indicadores estaduais. Entretanto, não significa que 71,7% dos eleitores que voltaram a comparecer em todo o estado residam necessariamente no Rio, pois a comparação utiliza totais agregados e o eleitorado apto apresentou pequena alteração entre os turnos.

O Folha do Leste já mostrou que Lula venceu a eleição presidencial na capital fluminense, com 51,54% dos votos válidos, revertendo a derrota registrada na primeira votação.

Contudo, o aumento do comparecimento não permite atribuir a vitória de um candidato exclusivamente à redução da abstenção. Também ocorreram mudanças na distribuição dos votos anteriormente dados a outros concorrentes, além de alterações nos votos brancos e nulos.

Campos, Macaé e Araruama registram aumento das ausências

O movimento contrário à tendência estadual ocorreu em municípios importantes do interior fluminense.

Em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, 83.903 eleitores deixaram de votar no segundo turno, contra 80.008 no primeiro. O aumento foi de 3.895 abstenções, elevando a taxa municipal de 21,60% para 22,65%.

Na cidade vizinha de Macaé, o número de ausentes passou de 41.789 para 42.668, acréscimo de 879 pessoas. A taxa de abstenção aumentou de 22,44% para 22,91%.

Já Araruama, na Região dos Lagos, registrou 26.161 eleitores ausentes, contra 25.339 na votação anterior. Foram 822 abstenções adicionais, com crescimento de 22,75% para 23,49%.

Em São João da Barra, o número de ausentes também aumentou: passou de 8.204 para 9.035, diferença de 831 eleitores.

Esses resultados mostram que a queda estadual não pode ser interpretada como uma recuperação homogênea da participação eleitoral em todas as regiões.

São Gonçalo registra 142 mil ausências; Niterói fica abaixo da média estadual

Nas quatro principais cidades do Leste Fluminense acompanhadas pelo Folha do Leste, a abstenção caiu em relação ao primeiro turno.

São Gonçalo continuou apresentando o maior número absoluto de ausentes entre esses municípios, com 142.505 eleitores que não votaram, equivalentes a 21,82% do eleitorado. Na primeira votação, haviam sido 153.243 faltosos, o que representa uma redução de 10.738 ausências.

Em Niterói, 73.505 eleitores deixaram de comparecer ao segundo turno, taxa de 17,83%. O município registrou 7.315 ausentes a menos que no primeiro turno, quando a abstenção havia alcançado 19,60%.

Maricá também apresentou redução, passando de 41.093 para 38.298 ausentes. A taxa diminuiu de 22,14% para 20,63%, queda de 2.795 pessoas.

Por sua vez, Itaboraí registrou 37.697 abstenções, equivalentes a 21,19% do eleitorado. No primeiro turno, o tribunal havia contabilizado 40.283 ausências, uma diferença de 2.586 eleitores.

Veja a comparação da abstenção no Leste Fluminense

Município1º turno2º turnoRedução
São Gonçalo153.243142.50510.738
Niterói80.82073.5057.315
Maricá41.09338.2982.795
Itaboraí40.28337.6972.586
Total315.439292.00523.434

Somadas, as quatro cidades registraram 23.434 abstenções a menos entre os turnos. O resultado representa uma redução de aproximadamente 7,43% no número absoluto de ausentes da primeira para a segunda votação.

O levantamento atualiza os números apresentados na reportagem do Folha do Leste sobre os 315 mil eleitores que não votaram no primeiro turno, publicada em 5 de outubro.

Rio cai da segunda para a sexta maior abstenção do país

A redução da ausência eleitoral também modificou a posição do estado no ranking nacional.

Conforme balanço divulgado pelo TRE-RJ na segunda-feira (26), o Rio de Janeiro havia registrado a segunda maior taxa de abstenção do país no primeiro turno, mas passou à sexta posição no segundo.

Segundo o tribunal, a proporção de ausentes ficou abaixo daquela registrada inclusive em estados onde também houve segundo turno para governador, como Acre e Amazonas.

O presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, destacou a participação do eleitorado e agradeceu aos profissionais envolvidos na realização do pleito.

O balanço da Justiça Eleitoral também informou que 166 urnas eletrônicas precisaram ser substituídas no estado, o equivalente a 0,44% dos equipamentos. Nenhum local precisou recorrer à votação por cédulas de papel.

Abstenção não significa voto branco ou nulo

A abstenção eleitoral corresponde à ausência de eleitores aptos que não compareceram à votação. Trata-se de um indicador diferente dos votos brancos e nulos, registrados por pessoas que efetivamente compareceram às urnas.

Por isso, não é correto somar os três grupos sem explicar a diferença entre eles, tampouco tratar a abstenção como manifestação comprovada de preferência por determinada candidatura.

Também não é possível afirmar, apenas com os resultados agregados, quais fatores provocaram o aumento ou a redução das ausências em cada município.

Questões relacionadas a deslocamento, condições de transporte, mudanças de locais de votação e circunstâncias pessoais podem ser investigadas, mas sua influência exige documentação específica.

Além disso, a estatística de comparecimento não revela quantos eleitores ausentes no primeiro turno passaram a votar no segundo. A comparação mostra a mudança no total de participantes, e não o histórico individual de cada pessoa.

Assim, o balanço das Eleições 2026 revela dois movimentos simultâneos: o Rio de Janeiro registrou recuperação do comparecimento no conjunto do estado, mas manteve diferenças territoriais expressivas, com municípios onde a abstenção aumentou mesmo diante da tendência geral de queda.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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