
Lula vence no exterior com 53,86% dos votos; abstenção cai, mas supera 58% | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) venceu a votação no exterior nas Eleições 2026 com 200.154 votos, equivalentes a 53,86% dos válidos, contra 171.497 votos (46,14%) do senador Flávio Bolsonaro (PL). Com todas as 1.351 seções eleitorais contabilizadas, Lula conquistou uma vantagem de 28.657 votos entre os brasileiros que participaram do segundo turno, realizado no domingo (25).
Apesar da vitória do presidente reeleito, o dado mais expressivo da participação eleitoral fora do Brasil foi a abstenção de 58,37%. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF), responsável pela organização da votação no exterior, 534.817 eleitores deixaram de comparecer às urnas instaladas, enquanto 381.443 exerceram o direito de voto.
Entretanto, o comparecimento apresentou uma recuperação importante em relação ao primeiro turno, realizado em 4 de outubro. O número de votantes aumentou em 39.677 pessoas, enquanto a abstenção caiu 4,32 pontos percentuais. Os resultados mostram uma participação maior na decisão presidencial, embora quase seis em cada dez eleitores das seções instaladas tenham permanecido ausentes.
Lula amplia vantagem sobre Flávio Bolsonaro no exterior
No primeiro turno, Lula havia recebido 157.387 votos (47,57%), enquanto Flávio Bolsonaro conquistou 143.900 (43,49%). Na ocasião, outros dez candidatos também disputavam a Presidência da República.
Três semanas depois, o presidente acrescentou 42.767 votos à sua votação anterior e alcançou 200.154. O senador, por sua vez, ganhou 27.597 votos, chegando a 171.497.
A distância entre os dois candidatos, que era de 13.487 votos no primeiro turno, aumentou para 28.657 no segundo. Isso representa uma ampliação de 15.170 votos na vantagem de Lula, mais que dobrando a diferença absoluta registrada anteriormente.
Em termos proporcionais, a participação de Lula nos votos válidos passou de 47,57% para 53,86%, uma alta de 6,29 pontos percentuais. Flávio também cresceu, de 43,49% para 46,14%, avanço de 2,65 pontos.
Essas variações não permitem identificar a transferência individual de votos entre candidaturas. Além dos eleitores que escolheram outros concorrentes no primeiro turno, houve mudanças no comparecimento e na distribuição dos votos válidos, brancos e nulos.
Veja os resultados dos dois turnos no exterior
| Indicador | 1º turno | 2º turno |
|---|---|---|
| Lula (PT) | 157.387 | 200.154 |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 143.900 | 171.497 |
| Vantagem de Lula | 13.487 | 28.657 |
| Votos válidos | 330.882 | 371.651 |
| Comparecimento | 341.766 | 381.443 |
| Abstenção | 62,69% | 58,37% |
Fonte: Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF). Levantamento e cálculos comparativos do Folha do Leste.
O aumento do número de votos válidos foi de 40.769, passando de 330.882 para 371.651. Esse crescimento ocorreu simultaneamente à maior participação do eleitorado no segundo turno.
Abstenção cai, mas mais de meio milhão não vota
O balanço do TRE-DF confirma que 381.443 eleitores compareceram às seções instaladas no exterior, representando 41,63% do eleitorado considerado para o cálculo do comparecimento.
No primeiro turno, haviam votado 341.766 pessoas, com uma taxa de participação de 37,31%. Portanto, o segundo turno registrou uma elevação proporcional de aproximadamente 4,32 pontos percentuais.
Apesar da recuperação, o volume de ausências permaneceu superior ao de comparecimentos. Foram 534.817 abstenções, correspondentes a 58,37% do eleitorado das seções instaladas.
O eleitorado cadastrado no exterior era de 916.683 pessoas. Desse total, 423 estavam vinculadas a 41 seções não instaladas e, por isso, não integraram a base utilizada para calcular os percentuais de comparecimento e abstenção.
O número de ausentes também precisa ser interpretado com cuidado. A estatística registra a ausência eleitoral, mas não identifica, individualmente, seus motivos. Distância até as seções, deslocamentos, condições pessoais e outras circunstâncias exigiriam levantamento específico para determinar sua influência sobre o comparecimento.
Votos válidos representam 97,43% dos comparecimentos
Entre os 381.443 votos registrados no segundo turno, a Justiça Eleitoral contabilizou 371.651 votos válidos, equivalentes a 97,43% do comparecimento.
Outros 4.675 eleitores votaram em branco (1,23%), enquanto 5.117 anularam o voto (1,34%). Somados, brancos e nulos representaram 9.792 votos, ou aproximadamente 2,57% dos comparecimentos.
No primeiro turno, foram registrados 5.816 votos brancos e 5.068 nulos. Assim, o número absoluto de votos em branco diminuiu, enquanto o de nulos apresentou pequena elevação.
A comparação revela que o crescimento da participação eleitoral veio acompanhado de um aumento ainda maior no total de votos válidos, elemento relevante para compreender a ampliação das votações de ambos os finalistas.
Resultado definitivo substitui levantamento parcial divulgado no domingo
Durante a votação de domingo (25), o Folha do Leste acompanhou os primeiros boletins de urna divulgados no exterior. Em reportagem publicada ainda durante a tarde, o jornal mostrou que Lula liderava em 37 países ou territórios, enquanto Flávio Bolsonaro aparecia à frente em 12.
Naquele momento, os dados correspondiam apenas às urnas cujos boletins já estavam disponíveis. A diferença de fusos horários permitiu conhecer resultados de países da Ásia, Oceania e Europa antes do encerramento da votação no Brasil.
Com a conclusão da totalização, a análise deixa de depender da quantidade de países em que cada candidato liderava e passa a considerar o conjunto dos votos efetivamente registrados.
Essa distinção é importante porque os países possuem eleitorados brasileiros de tamanhos muito diferentes. A vitória em um país com poucos votantes não tem o mesmo impacto numérico que uma vantagem obtida em outro com dezenas de milhares de eleitores.
Brasileiros no exterior votam apenas para presidente
A organização do pleito fora do território nacional é responsabilidade do Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, por meio da Zona Eleitoral do Exterior (ZZ).
Diferentemente dos eleitores residentes no Brasil, quem mantém domicílio eleitoral no exterior participa das eleições gerais exclusivamente para presidente e vice-presidente da República.
O eleitorado externo cresceu significativamente nos últimos quatro anos. Segundo o TSE, havia 697.078 pessoas habilitadas em 2022, número que ultrapassou 918 mil no cadastro divulgado antes do pleito de 2026.
A votação presidencial brasileira mobilizou seções em diferentes continentes e demonstrou, novamente, a diversidade de preferências políticas entre as comunidades brasileiras no exterior.
Ao final do segundo turno, Lula conquistou 53,86% dos votos válidos e ampliou sua vantagem sobre Flávio Bolsonaro. Entretanto, a abstenção superior a 58% permanece como um dos dados centrais para compreender a participação democrática dos brasileiros que vivem fora do país.








