A Bambu Lab prepara uma fábrica com capacidade anual superior a 3 milhões de impressoras 3D em Shenzhen, na China. O projeto deixou de existir apenas em acordos e documentos de planejamento e começa a avançar para a preparação física do terreno.
Um novo documento do governo do distrito de Guangming, publicado em setembro, mostra que a empresa solicitou autorização para criar um acesso temporário destinado às obras do futuro complexo.
O pedido envolve a ocupação temporária de 75,25 m² de área verde urbana e a transferência de cinco árvores existentes no local. O período oficial para manifestação pública terminou nesta sexta-feira (25).
O documento não significa que toda a fábrica já esteja em construção. No entanto, confirma que o projeto chegou a uma etapa na qual a empresa precisa preparar acesso físico para as obras.
O governo local publicou os detalhes no processo oficial do 3D Printing Intelligent Manufacturing Headquarters Base.
Fábrica poderá produzir mais de 8 mil impressoras por dia
O número que chama atenção está na escala.
O governo de Guangming informa que a Bambu Lab pretende alcançar capacidade superior a 3 milhões de impressoras 3D por ano no novo complexo.
Se distribuirmos apenas matematicamente esse volume pelos 365 dias do ano, a capacidade corresponderia a mais de 8,2 mil máquinas por dia.
Isso não significa que a fábrica produzirá exatamente essa quantidade diariamente.
Capacidade instalada representa o máximo projetado para a estrutura. Produção efetiva dependerá de demanda, número de turnos, disponibilidade de componentes, manutenção e outros fatores.
Mesmo assim, o número mostra a dimensão industrial pretendida pela empresa.
Em fevereiro, o próprio distrito de Guangming afirmou que o complexo poderia se tornar um dos maiores centros de fabricação de impressoras 3D do mundo.
A informação aparece no anúncio oficial do acordo entre Guangming e a Bambu Lab.
Projeto ocupará área construída de cerca de 376 mil m²
O complexo ficará no distrito de Guangming, em Shenzhen.
Em junho, a Shenzhen Zhuhe Technology adquiriu o terreno destinado ao projeto. A empresa integra a estrutura corporativa usada pela Bambu Lab para o empreendimento.
O lote possui aproximadamente 83,6 mil m².
Entretanto, a área total construída deverá chegar a aproximadamente 376 mil m², porque o projeto prevê vários edifícios e estruturas distribuídos verticalmente pelo terreno.
O plano apresentado pelas autoridades divide o complexo principalmente entre:
fábricas, áreas de pesquisa e desenvolvimento, escritórios e estruturas de apoio aos trabalhadores.
A maior parte ficará reservada à produção.
O planejamento inicial previa aproximadamente 281 mil m² de instalações industriais, equivalentes a mais de 75% da área construída considerada naquela etapa do projeto.
Bambu pretende automatizar praticamente toda a produção
A escala não representa a única característica importante.
A documentação do governo de Shenzhen descreve uma fábrica com forte nível de automação industrial.
O projeto prevê a introdução gradual de:
- robôs industriais;
- linhas automatizadas de produção;
- equipamentos automáticos de inspeção;
- sistemas de embalagem;
- logística interna automatizada;
- sistemas WMS de gerenciamento de armazéns;
- veículos AGV para movimentação de materiais;
- sistemas MES para acompanhamento da fabricação.
A meta consiste em integrar diferentes etapas dentro de um único fluxo digital.
Assim, o complexo deverá acompanhar componentes desde a entrada das matérias-primas até montagem, inspeção, embalagem e saída do produto terminado.
A documentação oficial do projeto publicada pelo governo de Shenzhen também prevê desenvolvimento e produção de componentes importantes das impressoras.
Fábrica não produzirá apenas a montagem final
O projeto vai além de receber componentes prontos e parafusar impressoras.
Segundo o planejamento oficial, a Bambu pretende concentrar no local atividades relacionadas a:
componentes essenciais, materiais para impressão 3D, desenvolvimento, testes e fabricação completa das máquinas.
Além disso, o complexo deverá funcionar como sede industrial e de pesquisa.
Essa integração pode reduzir a distância física entre engenharia, desenvolvimento de produto e linha de produção.
Consequentemente, equipes podem testar mudanças no equipamento e transferir soluções para a fabricação com mais rapidez.
Esse modelo lembra a estratégia de empresas de eletrônicos que concentram engenharia e manufatura no mesmo ecossistema industrial.
Projeto prevê pelo menos 225 bilhões de yuans? Não: 22,5 bilhões
A escala financeira também exige atenção com as unidades chinesas.
O plano estabelece que o empreendimento deverá atingir pelo menos 22,5 bilhões de yuans em receita acumulada a cada ciclo de cinco anos após a entrada em operação.
O valor corresponde a 225亿元 na numeração chinesa.
Nesse sistema, cada yi equivale a 100 milhões de yuans. Portanto, traduzir simplesmente os algarismos pode produzir um erro de uma ordem inteira de grandeza.
Além disso, o projeto deverá alcançar receita anual média de pelo menos 4,5 bilhões de yuans após a fase inicial prevista no contrato.
Esses números funcionam como metas vinculadas ao projeto industrial. Não representam faturamento garantido.
Terreno custou 141,2 milhões de yuans
A empresa garantiu o terreno para o complexo durante uma negociação concluída no fim de junho.
A Shenzhen Zhuhe Technology pagou 141,2 milhões de yuans pelo lote industrial A609-0275.
O terreno fica em Yutang, no distrito de Guangming.
A localização aproxima o projeto de uma cadeia industrial já estabelecida em Shenzhen e na região do Delta do Rio das Pérolas.
Sensores, motores, componentes eletrônicos, sistemas de automação e empresas de materiais fazem parte desse ecossistema.
Esse ambiente ajuda a explicar por que Shenzhen se tornou um dos principais polos mundiais de impressoras 3D de mesa.
Shenzhen já concentra gigantes da impressão 3D
A Bambu Lab não está sozinha.
Empresas como Creality, Elegoo e Anycubic também surgiram ou mantêm operações relevantes na região de Shenzhen.
No primeiro semestre de 2026, a produção de equipamentos de impressão 3D em Shenzhen cresceu 58,1%, segundo dados divulgados pelo governo municipal.
Além disso, autoridades locais afirmam que fabricantes chineses dominam grande parte do mercado global de impressoras 3D de entrada.
O crescimento ajuda a explicar por que a Bambu considera necessário ampliar drasticamente sua capacidade.
O próprio planejamento do projeto afirma que os escritórios, fábricas e armazéns atuais do grupo em Shenzhen funcionam em instalações alugadas e dispersas.
Segundo o documento, a falta de espaço passou a limitar a expansão industrial.
Capacidade equivale a grande parte das exportações chinesas de 2025
Há uma comparação que ajuda a dimensionar os 3 milhões de equipamentos por ano.
Documentos oficiais usados no planejamento do complexo informam que a China exportou aproximadamente:
- 1,87 milhão de impressoras 3D em 2022;
- 3,55 milhões em 2023;
- 3,78 milhões em 2024;
- 5,03 milhões em 2025.
Portanto, a capacidade máxima prevista para uma única fábrica da Bambu Lab corresponde a quase 60% da quantidade total de impressoras 3D exportadas pela China em 2025.
A comparação serve apenas para indicar escala.
Ela não significa que a Bambu produzirá 3 milhões de máquinas imediatamente, nem que toda a produção seguirá para exportação.
Além disso, as exportações chinesas podem continuar crescendo até a fábrica atingir plena capacidade.
Ainda assim, o contraste mostra como a impressão 3D de mesa começa a assumir características de produção de eletrônicos em massa.
Bambu ampliou rapidamente a linha de produtos
A expansão industrial acontece enquanto a Bambu Lab aumenta seu portfólio.
A empresa começou a ganhar projeção global com a série X1 e depois expandiu a família com linhas como P1, A1, H2 e A2L, além dos sistemas AMS para impressão multicolorida.
Recentemente, o Folha do Leste mostrou as novidades da Bambu A2L e de outras impressoras 3D lançadas em 2026.
A fabricante também começou a explorar outras categorias de fabricação digital. Neste mês, apresentou o R1, equipamento independente de corte e gravação a laser CO₂.
O Folha do Leste detalhou o Bambu Lab R1 e sua capacidade de trabalhar com projetos de até três metros.
Essa diversificação aumenta a importância de uma infraestrutura industrial capaz de receber novas linhas de produtos.
Preparação do terreno avança
O documento mais recente oferece uma pequena, mas significativa atualização sobre o cronograma físico.
A Shenzhen Zhuhe pediu autorização para criar um acesso temporário ao canteiro de obras na esquina das vias Tongguan e Chengde.
Para isso, pretende ocupar temporariamente 75,25 m² de área verde e transferir cinco árvores de rua.
As autoridades indicaram o Wuzhipa Forest Park, na própria região de Guangming, como destino das árvores.
A consulta pública ocorreu entre 19 e 25 de setembro.
Até a apuração desta reportagem, o governo distrital ainda não havia publicado na página consultada um resultado definitivo desse procedimento.
Portanto, o documento demonstra avanço da preparação da obra, mas não permite afirmar que a construção integral do complexo já começou.
Essa distinção importa.
Projeto já possui fábrica provisória em operação
Enquanto o grande complexo não fica pronto, a Bambu Lab já opera uma estrutura provisória em Guangming.
A unidade fica no Minghu Zhigu Industrial Park.
O governo distrital informou em fevereiro que essa instalação já havia entrado em funcionamento.
Assim, a futura fábrica não representa a primeira operação industrial da empresa na região.
Ela representa uma mudança de escala.
Em vez de depender de espaços separados e alugados, a Bambu pretende reunir produção, desenvolvimento e infraestrutura de apoio em um complexo desenhado especificamente para sua operação.









