A vitória do Vasco por 1 a 0 sobre o Vitória, nesta quarta-feira (26), ganhou um desdobramento fora de campo. Na súmula da partida, o árbitro Matheus Delgado Candançan relatou uma tentativa de soco contra ele, xingamentos de dirigentes e funcionários e arremesso de objetos pela torcida durante a confusão em São Januário.
Segundo o documento, o episódio mais grave envolveu Nelcirio Franchin, preparador de goleiros do Vasco. Candançan afirmou que o profissional tentou atingi-lo com um soco durante a descida para os vestiários. O golpe, porém, teria acertado o braço do quarto árbitro, Paulo Roberto Alves Júnior.
O relatório ainda cita nominalmente Admar Lopes, Felipe Jorge Loureiro e Daniel Félix, além de um segurança do clube. Com os registros oficiais incorporados à súmula, os acontecimentos poderão gerar desdobramentos na esfera desportiva.
A confusão começou depois da expulsão de Cauan Barros aos 17 minutos do primeiro tempo, lance fortemente contestado pelo Vasco.
Árbitro relata tentativa de soco no acesso aos vestiários
Candançan descreveu que sua equipe encontrou dificuldades para deixar o gramado após o término do primeiro tempo.
Segundo o árbitro, depois de passar pelo bloqueio formado durante a discussão e iniciar a descida das escadas, Nelcirio Franchin se aproximou pela lateral.
“Quando a equipe de arbitragem finalmente conseguiu chegar ao túnel de acesso e iniciou a descida das escadas, o Sr. Nelcirio Franchin veio pela lateral da escada que dá acesso ao vestiário da equipe mandante e tentou desferir um soco contra o árbitro, atingindo o braço do 4º árbitro”, registrou.
Candançan acrescentou que o preparador de goleiros precisou ser novamente contido pelo policiamento.
O relato da súmula representa a versão oficial apresentada pela equipe de arbitragem sobre o episódio.
Confusão começou depois da expulsão de Cauan Barros
A tensão se instalou ainda aos 17 minutos.
Cauan Barros recebeu cartão vermelho após tocar a bola com a mão durante um contra-ataque do Vitória com Renato Kayzer. A decisão gerou forte reação do Vasco.
Mesmo com dez jogadores durante grande parte do confronto, a equipe de Pedro Emanuel venceu por 1 a 0, com gol de Andrés Gómez, e abriu vantagem nas quartas de final da Copa do Brasil.
A arbitragem, entretanto, continuou no centro das reclamações durante e depois da partida.
Coordenador teria impedido saída da arbitragem
Candançan apontou Daniel Félix, coordenador de performance do Vasco, como o primeiro integrante do clube a abordá-lo no intervalo.
De acordo com a súmula, Daniel teria se aproximado “de forma grosseira e ofensiva”, mantido o dedo em riste e impedido momentaneamente a saída da equipe de arbitragem do campo.
O árbitro registrou a seguinte fala atribuída ao profissional:
“O que que você fez, car…? A bola tocou na mão do Kayzer, por…!”
Na sequência, segundo o documento, outro funcionário identificado como segurança do Vasco se aproximou dos árbitros e também precisou da intervenção policial.
Admar, Felipe e preparador de goleiros aparecem no relato
Candançan afirmou que Admar Lopes, Felipe Jorge Loureiro e Nelcirio Franchin tentaram se aproximar da equipe de arbitragem durante o tumulto.
Segundo a súmula, os três buscavam ultrapassar o bloqueio policial.
O documento atribui a Felipe a frase:
“Bateu na mão, c…!”
Já Nelcirio teria repetido ofensas contra o árbitro, incluindo:
“Covarde, filho da p…!”
A confusão ocorreu no caminho entre o gramado e o túnel de acesso aos vestiários.
Torcida teria arremessado copos e pedras de gelo
A súmula também registra comportamento vindo das arquibancadas.
Candançan afirmou que copos contendo líquidos e pedras de gelo foram arremessados em direção à equipe de arbitragem enquanto os profissionais permaneciam próximos ao acesso dos vestiários.
Segundo ele, os objetos partiram do setor destinado à torcida do Vasco.
O árbitro acrescentou que novas pedras de gelo foram lançadas quando a equipe retornou ao campo para o segundo tempo.
Felipe e Admar voltaram a reclamar depois do jogo
As reclamações não terminaram com o apito final.
Segundo Candançan, Felipe Jorge Loureiro voltou a abordar a arbitragem na descida para os vestiários e disse:
“O VAR te f…! Você vai ver que o VAR te f…!”
Na mesma ocasião, o árbitro atribuiu a Admar Lopes a seguinte manifestação:
“Uma bos…! Um lixo de arbitragem!”
Admar já havia criticado publicamente a atuação de Candançan depois da partida. O diretor executivo classificou a expulsão de Barros como “erro grotesco” e pediu à CBF um árbitro mais “competente” para o jogo de volta.
Vasco venceu mesmo com dez jogadores
Dentro de campo, o Vasco conseguiu transformar uma noite de forte tensão em vantagem na eliminatória.
Andrés Gómez marcou o gol da vitória na segunda etapa, e o time ainda criou outras oportunidades mesmo em inferioridade numérica.
Com o 1 a 0 em São Januário, o Cruz-Maltino poderá se classificar com qualquer empate na partida de volta.
Vitória e Vasco decidem a vaga na quarta-feira (2), às 21h30, no Barradão.
Antes disso, o clube terá de acompanhar os possíveis desdobramentos da súmula e da confusão registrada no intervalo e depois da partida.
Relato completo do árbitro de Vasco x Vitória
“Após o término do primeiro tempo, ainda dentro do campo de jogo, quando a equipe de arbitragem se dirigia ao vestiário, o Sr. Daniel Félix, identificado como coordenador de performance da equipe do Vasco, abordou a equipe de arbitragem de forma grosseira e ofensiva, proferindo as seguintes palavras: ‘O que que você fez, car…? A bola tocou na mão do Kayzer, por..!’. Durante a abordagem, permaneceu com o dedo em riste e impediu a saída da equipe de arbitragem do campo de jogo.Quando a equipe de arbitragem conseguiu deixar o campo de jogo em direção ao vestiário, foi novamente abordada, desta vez de forma ainda mais agressiva e ofensiva, por um funcionário do Vasco, identificado como segurança. O referido funcionário partiu em direção à equipe de arbitragem, proferindo os seguintes xingamentos: ‘Vai tomar no c#! você acabou com o jogo!’. Diante de sua atitude agressiva, foi necessário que o policiamento o contivesse, dando início a um tumulto.Na sequência, partiram em direção à equipe de arbitragem os Srs. Nelcirio Franchin, identificado como treinador de goleiros; Admar Lopes, identificado como diretor executivo de futebol; e Felipe Jorge Loureiro, identificado como diretor técnico, todos integrantes da equipe do Vasco. De maneira agressiva e reiterada, os referidos profissionais tentavam forçar a passagem pelo bloqueio policial com o objetivo de se aproximar da equipe de arbitragem.Ressalto que o Sr. Felipe Jorge Loureiro permaneceu proferindo as seguintes palavras: ‘Bateu na mão, c…!”, enquanto o Sr. Nelcirio Franchin proferia repetidamente: ‘Covarde, filho da p…!’.Nesse momento, enquanto a equipe de arbitragem permanecia impossibilitada de prosseguir em direção ao túnel de acesso aos vestiários, foram arremessados diversos copos contendo líquidos, bem como pedras de gelo, em direção à equipe de arbitragem, provenientes do setor destinado à torcida da equipe mandante.Quando a equipe de arbitragem finalmente conseguiu chegar ao túnel de acesso aos vestiários e iniciou a descida das escadas, o Sr. Nelcirio Franchin veio pela lateral da escada que dá acesso ao vestiário da equipe mandante e tentou desferir um soco contra o árbitro, atingindo o braço do 4º árbitro. O referido indivíduo foi novamente contido pelo policiamento.No retorno da equipe de arbitragem ao campo de jogo para o início do segundo tempo, foram novamente arremessadas pedras de gelo em direção à equipe de arbitragem, provenientes da torcida da equipe mandante.Após o término da partida, enquanto a equipe de arbitragem descia as escadas de acesso ao vestiário, o Sr. Felipe Jorge loureiro proferiu as seguintes palavras: ‘O VAR te fod…! Você vai ver que o VAR te f…!’.” Na mesma ocasião, o Sr. Admar Lopes proferiu as seguintes palavras, em tom ofensivo: ‘Uma bos…! um lixo de arbitragem!’”.











