
Botafogo vence Cienciano, mas é eliminado da Sul-Americana após desastre no Peru | Vitor Silva/Botafogo
O Botafogo conseguiu vencer o Cienciano por 1 a 0 nesta quinta-feira (20), no Estádio Nilton Santos, mas não chegou sequer perto de reverter o prejuízo provocado pela goleada sofrida no Peru e acabou eliminado da Copa Sul-Americana de 2026. Danilo Pereira marcou o único gol da noite, enquanto os peruanos avançaram às quartas graças aos 6 a 1 construídos no primeiro confronto, em Cusco.
A missão alvinegra já começava próxima do impossível. Para levar a decisão aos pênaltis, o Botafogo precisava vencer por cinco gols de diferença; para se classificar diretamente, teria de abrir seis. O gol de Danilo Pereira aos oito minutos ainda alimentou alguma esperança, principalmente porque o time criou chances suficientes para ampliar durante o primeiro tempo, mas o segundo gol nunca saiu e a eliminatória foi se esvaziando conforme o relógio avançava.
Depois do apito final, a frustração acumulada ao longo de uma semana turbulenta ainda terminou em confusão generalizada no gramado. O Cienciano, por sua vez, celebrou a classificação e agora enfrentará o Montevideo City Torque, do Uruguai, nas quartas de final.
Danilo Pereira marca cedo e faz torcida acreditar
Mesmo entrando em campo bastante acelerado e cometendo erros nos primeiros minutos, o Botafogo conseguiu exatamente aquilo que precisava: marcar cedo.
Aos oito minutos, Álvaro Montoro percebeu Danilo Pereira atacando o espaço e fez uma excelente enfiada a partir de uma cobrança rápida no campo de defesa. O atacante dominou já tirando o goleiro da jogada e completou para o gol aberto, colocando o Alvinegro em vantagem antes que o Cienciano tivesse tempo para acomodar a enorme vantagem construída em Cusco.
O gol mudou imediatamente o ambiente no Nilton Santos. O Botafogo ganhou confiança, passou a atacar com mais velocidade e, durante boa parte do primeiro tempo, conseguiu manter os peruanos pressionados próximos à própria área.
Foi justamente nesse período que surgiu a sensação de que uma reação mais contundente poderia, ao menos, transformar a noite em algo desconfortável para o Cienciano.
Botafogo cria para ampliar, mas desperdiça melhor momento
A principal oportunidade para o segundo gol apareceu aos 24 minutos, quando Danilo Pereira recebeu novamente em profundidade, percebeu a saída do goleiro e conseguiu encobri-lo. A bola seguia na direção da rede, mas Arthur Cabral tentou completar a jogada e não conseguiu concluir antes que um defensor peruano afastasse praticamente sobre a linha.
O Botafogo continuou em cima, acumulou chegadas e fez o Cienciano trabalhar defensivamente, porém faltou precisão justamente quando precisava transformar pressão em gols rapidamente.
Os visitantes quase não ameaçavam. Hohberg teve a melhor oportunidade peruana ainda durante a primeira etapa, ao finalizar com perigo para fora, mas a estratégia do Cienciano era claramente sobreviver à pressão inicial, consumir o tempo e evitar qualquer sequência capaz de devolver emoção real à eliminatória.
VAR anula segundo gol do Botafogo
O segundo gol chegou a acontecer, mas não permaneceu no placar.
Depois de uma jogada na área, o volante Danilo mandou a bola para a rede e chegou a comemorar. Entretanto, o árbitro recebeu o chamado do VAR, foi ao monitor e identificou um toque de braço do jogador durante o lance.
Após a revisão, anulou o gol.
A decisão interrompeu o melhor momento alvinegro e teve peso ainda maior diante da matemática do confronto. Quando um time precisa marcar cinco ou seis vezes, cada oportunidade perdida e cada minuto consumido tornam a remontada significativamente mais distante.
Ainda antes do intervalo, o Botafogo precisou fazer uma alteração inesperada. Warleson sofreu uma pancada em uma dividida com Hohberg, ficou com o queixo sangrando e não teve condições de continuar. Gabriel Batista entrou em seu lugar.
Pênalti marcado e retirado no início do segundo tempo
O Botafogo voltou para a etapa final tentando manter a pressão e, logo nos primeiros minutos, recebeu mais uma possibilidade de acelerar a reação.
O árbitro marcou um pênalti para o Alvinegro, mas novamente recebeu a orientação para revisar a jogada no monitor. Desta vez, identificou uma falta de Vitinho ocorrida antes da infração dentro da área e decidiu cancelar a penalidade.
Foi outro momento em que o estádio passou rapidamente da expectativa à frustração.
A partir dali, embora o Botafogo ainda mantivesse maior presença ofensiva, o rendimento já não repetia a intensidade do primeiro tempo. O Cienciano conseguiu fechar melhor os espaços, esfriar a partida e fazer exatamente o que precisava para proteger a enorme vantagem do jogo de ida.
Reação perde força e classificação fica cada vez mais distante
Conforme a segunda etapa avançava, o Botafogo continuava com mais volume, porém produzia menos perigo e já não conseguia transformar a posse de bola em uma sequência de oportunidades claras.
O problema, naquele momento, não era simplesmente vencer a partida. O Alvinegro precisava empilhar gols em poucos minutos, enquanto o Cienciano podia aceitar até uma derrota larga sem perder a vaga.
Essa diferença de objetivos ficou cada vez mais evidente. Os peruanos diminuíram o ritmo, administraram paralisações e protegeram a entrada da área, enquanto o Botafogo passou a atacar com menos lucidez.
Na reta final, quando a classificação já estava praticamente definida, os donos da casa ainda voltaram a ameaçar, mas o placar permaneceu em 1 a 0.
Ferraresi tem vermelho retirado pelo VAR
Os minutos finais ainda reservaram outra intervenção da arbitragem.
Ferraresi recebeu inicialmente cartão vermelho nos acréscimos, mas o árbitro voltou ao monitor depois de nova recomendação do VAR e decidiu mudar a punição para amarelo.
Pouco depois, encerrou a partida e confirmou uma situação incomum: o Botafogo saiu de campo vencedor naquela noite, mas eliminado com ampla margem no confronto.
O placar agregado terminou 6 a 2 para o Cienciano.
Confusão generalizada depois do apito final
A tensão ainda explodiu depois que o jogo terminou.
Jogadores e integrantes das duas equipes se envolveram em uma confusão generalizada no gramado, obrigando companheiros e membros das comissões a tentarem separar os envolvidos.
O tumulto encerrou uma noite em que o Botafogo tentou reagir esportivamente, mas também carregava o peso de uma semana marcada pela goleada histórica sofrida no Peru, pela demissão de Franclim Carvalho e pelas discussões sobre o futuro da equipe.
Eliminação foi construída em Cusco
Embora a queda tenha se confirmado no Nilton Santos, o resultado que decidiu a eliminatória aconteceu uma semana antes.
Em Cusco, a 3.400 metros de altitude, o Cienciano atropelou um Botafogo completamente desfigurado e venceu por 6 a 1, abrindo uma vantagem praticamente irreversível antes mesmo da partida de volta.
A derrota teve efeitos imediatos dentro do clube. Além de deixar o Alvinegro diante da necessidade de uma remontada histórica, aumentou enormemente a pressão sobre Franclim Carvalho, que acabou deixando o comando técnico antes do reencontro com os peruanos.
Assim, Rodrigo Bellão, treinador do sub-20, assumiu interinamente justamente para uma partida em que vencer não bastava. Era necessário vencer por uma diferença raríssima em confrontos continentais.
O Botafogo conseguiu reagir no resultado, mas não havia espaço para reparar o estrago produzido em Cusco.
Rodrigo Bellão estreia com vitória, mas herda eliminação encaminhada
O duelo desta quinta-feira marcou o primeiro compromisso do profissional desde a saída de Franclim Carvalho.
Bellão promoveu mudanças, recuperou nomes como Vitinho, Alex Telles e Arthur Cabral e deu a Danilo Pereira uma oportunidade desde o início. A escolha produziu efeito rapidamente, já que o atacante abriu o placar e participou das melhores ações ofensivas do primeiro tempo.
Ainda assim, o treinador herdou uma situação esportivamente extrema. A equipe precisava combinar agressividade ofensiva, eficiência quase perfeita e controle defensivo durante os 90 minutos, sem poder desperdiçar as oportunidades que aparecessem.
O primeiro tempo até mostrou disposição para tentar. O segundo confirmou que a montanha era alta demais.
Cienciano encara o Montevideo City Torque
Classificado, o Cienciano enfrentará o Montevideo City Torque nas quartas de final da Sul-Americana.
O clube uruguaio eliminou o Tigre, da Argentina, e já aguardava a definição da chave entre brasileiros e peruanos.
Para o Cienciano, a vitória histórica em Cusco permitiu administrar a partida no Rio mesmo perdendo desde os oito minutos. A equipe sofreu pressão, passou por momentos difíceis no primeiro tempo, mas nunca chegou a ver sua classificação seriamente ameaçada.
Botafogo agora volta todas as atenções para o Brasileirão
Sem a Sul-Americana, o Botafogo precisa virar rapidamente a página.
O próximo compromisso será na segunda-feira (24), às 20h, novamente no Nilton Santos, contra o Athletico-PR, pelo Campeonato Brasileiro.
Além da necessidade de reagir na competição nacional, a diretoria ainda precisa definir quem assumirá o comando técnico de forma permanente.
Rodrigo Bellão segue interinamente, mas a eliminação continental aumenta a importância das decisões tomadas daqui para frente.
A vitória desta quinta-feira evitou uma nova derrota diante da torcida. Porém, não apagou o 6 a 1 sofrido no Peru, nem evitou que uma campanha iniciada com a melhor marca da fase de grupos terminasse nas oitavas de final.







