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Niterói tem menor nível de roubos da série enquanto violência letal avança

Centro Integrado de Segurança Pública de Niterói durante operação de monitoramento da cidade

Niterói tem menor nível de roubos da série enquanto violência letal avança | Divulgação/Lucas Benevides/Prefeitura de Niterói

Os roubos de rua caíram 42,88% em Niterói entre janeiro e julho de 2026 e atingiram o menor acumulado da série histórica iniciada em 2003. Foram 445 ocorrências, contra 779 no mesmo período de 2025. Os demais indicadores, no entanto, impedem que o resultado seja traduzido como uma queda geral da criminalidade na cidade.

No mesmo intervalo, os homicídios dolosos aumentaram 27,78%, de 18 para 23 registros. A letalidade violenta cresceu 16,67%, de 36 para 42 ocorrências. Além disso, as tentativas de homicídio mais que triplicaram, passando de 24 para 74.

Os números oficiais mostram, portanto, movimentos diferentes na segurança pública de Niterói em 2026. Enquanto os crimes patrimoniais de rua recuaram fortemente, indicadores ligados à violência contra a vida avançaram.

Há ainda outro dado relevante: Niterói completou 17 meses sem registro de feminicídio nas estatísticas do Instituto de Segurança Pública (ISP). O último caso consta em fevereiro de 2025.

Roubos de rua caem 43% no acumulado

A redução dos roubos aparece nas três modalidades que formam o indicador de roubo de rua utilizado pelo ISP: roubo a transeunte, roubo de celular e roubo em coletivo.

Entre janeiro e julho, os roubos a transeuntes caíram de 506 para 306, uma redução de 39,53%.

Os roubos de celulares recuaram ainda mais. Foram 255 ocorrências em 2025 e 134 em 2026, queda de 47,45%.

Já os roubos em coletivos passaram de 18 para cinco, redução de 72,22%.

Dessa forma, a queda de 42,88% no indicador agregado não resulta de uma única modalidade. As três apresentaram redução no período.

Os dados também mostram uma mudança importante em relação a 2025, quando Niterói havia registrado forte deterioração nesse tipo de crime.

No acumulado de janeiro a julho, foram 705 roubos de rua em 2022, 699 em 2023 e 614 em 2024. Em 2025, o número saltou para 779. Agora, caiu para 445.

Assim, a base elevada do ano passado ajuda a explicar a magnitude da redução percentual. Porém, isso não elimina o resultado de 2026: o volume atual também ficou abaixo dos registros de 2022, 2023 e 2024.

Julho tem menor número de roubos da série

O movimento também aparece no mês isolado. Niterói contabilizou 54 roubos de rua em julho de 2026, contra 75 em julho do ano anterior.

A redução foi de 28%. Além disso, os 54 casos representam o menor número registrado para um mês de julho desde o início da série histórica, em 2003.

A queda mensal apareceu novamente nas três modalidades.

Os roubos a transeuntes passaram de 46 para 40, redução de 13,04%. Os roubos de celulares caíram de 24 para 13, baixa de 45,83%.

Já os roubos em coletivos recuaram de cinco para apenas um, redução de 80%.

O roubo de carga também apresentou queda. Não houve registro desse crime em julho. No acumulado do ano, as ocorrências passaram de dez para três, redução de 70%.

O dado mensal zero, contudo, não significa que esse tipo de crime tenha desaparecido da cidade.

Tentativas de homicídio mais que triplicam

Se os roubos apresentam uma trajetória clara de queda, as tentativas de homicídio caminham em direção oposta.

Niterói registrou 24 casos entre janeiro e julho de 2025. No mesmo intervalo deste ano, foram 74 ocorrências.

O aumento chega a 208,33%, com 50 registros a mais. Em números absolutos, o total de 2026 representa pouco mais de três vezes o verificado no ano passado.

A dimensão desse crescimento torna o indicador uma das principais questões abertas pelos dados de segurança de Niterói em 2026.

As estatísticas, isoladamente, não permitem determinar por que houve essa alta. Também não esclarecem se o avanço se concentra em determinados bairros, períodos ou tipos de ocorrência.

Essa explicação exige abrir os registros, verificar a distribuição territorial e analisar eventuais episódios com múltiplas vítimas ou mudanças de classificação.

Homicídios sobem 28% entre janeiro e julho

Os homicídios dolosos também cresceram.

Foram 18 vítimas entre janeiro e julho de 2025 e 23 no mesmo período de 2026, aumento de 27,78%.

Já o indicador de letalidade violenta, que reúne diferentes ocorrências de mortes violentas acompanhadas pelo ISP, passou de 36 para 42. A alta foi de 16,67%.

Esses números são relevantes porque mostram que a melhora observada nos roubos não ocorreu simultaneamente em todos os indicadores acompanhados pela segurança pública.

Por isso, os dados de 2026 não sustentam uma síntese única segundo a qual a criminalidade simplesmente caiu ou aumentou em Niterói. O comportamento varia conforme o delito analisado.

Roubo de veículos cai em julho, mas não no acumulado

Os roubos de veículos também exigem atenção ao período utilizado na comparação.

Em julho, houve uma melhora expressiva. Os registros caíram de 18 em julho de 2025 para 11 neste ano, redução de 38,89%.

No acumulado de janeiro a julho, porém, não houve queda.

Foram 171 roubos de veículos nos sete primeiros meses de 2025 e 172 em 2026. Isso representa uma leve alta de 0,58%.

Portanto, é correto afirmar que os roubos de veículos diminuíram na comparação entre os meses de julho. Não é correto estender essa conclusão ao acumulado do ano.

Niterói completa 17 meses sem feminicídio

Outro indicador apresenta resultado positivo. Niterói não registra feminicídio nos dados do ISP desde fevereiro de 2025.

Nos primeiros sete meses daquele ano, houve dois feminicídios. Entre janeiro e julho de 2026, nenhum caso foi registrado.

Com isso, a cidade chegou a 17 meses consecutivos sem registro de feminicídio nas estatísticas oficiais.

A ausência de mortes, entretanto, não significa ausência de episódios graves de violência contra mulheres.

As tentativas de feminicídio passaram de uma ocorrência entre janeiro e julho de 2025 para três no mesmo período de 2026.

A Prefeitura mantém uma rede municipal de proteção que inclui serviços como SOS Mulher, Caminho Lilás, Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM), acolhimento e auxílio social.

O município relaciona essas ações à estratégia de prevenção e proteção às mulheres. Os dados apresentados, contudo, não permitem atribuir causalmente a ausência de feminicídios a uma política específica.

Prefeitura atribui queda dos roubos à integração

A Prefeitura de Niterói associa a redução dos roubos ao conjunto de investimentos municipais em segurança e à integração com as forças estaduais.

Entre as iniciativas citadas estão o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), o cercamento eletrônico, a atuação da Guarda Municipal e programas de reforço do policiamento.

Segundo o município, o Cisp opera com cerca de 800 câmeras, das quais aproximadamente 120 possuem recursos inteligentes.

O cercamento eletrônico permite identificar e acompanhar veículos de interesse das forças de segurança, além de auxiliar operações e investigações.

A administração municipal também relaciona os resultados ao Pacto Niterói Contra a Violência e à cooperação com as polícias Militar e Civil.

Essas são interpretações da Prefeitura sobre sua política de segurança. Os números do ISP comprovam a redução dos roubos, mas não estabelecem, por si só, qual medida provocou essa queda ou qual parcela pode ser atribuída a cada ação.

Essa distinção também vale para os indicadores que pioraram.

Dados mostram desafios diferentes para a segurança

A fotografia dos sete primeiros meses de 2026 é, portanto, marcada por tendências simultâneas.

Niterói alcançou seu menor acumulado de roubos de rua desde 2003, com queda de quase 43%. O resultado aparece em roubos a transeuntes, celulares e coletivos.

Ao mesmo tempo, homicídios dolosos aumentaram de 18 para 23, a letalidade violenta passou de 36 para 42 e as tentativas de homicídio saltaram de 24 para 74.

Nos roubos de veículos, a queda verificada em julho ainda não aparece no acumulado do ano. Já nos feminicídios, a cidade completou 17 meses sem registros oficiais, embora tentativas tenham ocorrido.

O acompanhamento dos próximos meses será fundamental para saber se essas tendências se mantêm. Também permitirá verificar se a redução dos roubos se consolida e se o avanço dos crimes contra a vida perde força ou permanece.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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