Uma placa de vídeo potente normalmente fica presa ao computador em que foi instalada.
A WiCi quer mudar essa lógica.
O WiCi One é um equipamento que reúne GPU, processador, armazenamento e conexão Wi-Fi 7 para funcionar como uma espécie de centro de processamento local compartilhado.
A proposta é permitir que notebooks, celulares, tablets e outros dispositivos usem uma GPU mais forte sem precisar carregar esse hardware fisicamente.
GPU fica na rede, não dentro do aparelho
O conceito é simples de entender.
Em vez de colocar uma GPU dedicada dentro de cada máquina, o WiCi One mantém esse processamento em um único equipamento dentro da casa ou escritório.
Os outros dispositivos acessam essa potência pela rede local.
A empresa descreve isso como uma camada de computação sem fio.
Na prática, o computador ou celular continua responsável pela interface e pelo uso do aplicativo, enquanto parte do processamento pesado é transferida para o WiCi One.
Wi-Fi 7 tenta reduzir o problema da latência
O maior desafio de uma GPU compartilhada sem fio é óbvio: latência.
Por isso, a WiCi aposta em Wi-Fi 7 com MIMO 4×4 e largura de canal de 320 MHz.
A empresa também usa um protocolo próprio chamado AirLink Multi-Link para transportar os dados entre os dispositivos e a GPU.
Segundo a fabricante, o objetivo é manter desempenho responsivo em aplicações de IA, renderização, edição de vídeo e jogos.
Esses números e promessas, porém, ainda precisam ser avaliados em testes independentes.
RTX 5060 Ti é a configuração inicial
A versão anunciada começa com uma GeForce RTX 5060 Ti de 16 GB.
Além disso, a WiCi informa que o sistema poderá ser configurado até uma RTX 5090 de 32 GB.
O equipamento também usa um Intel Core Ultra 7 255H e até 4 TB de armazenamento NVMe.
A configuração mais potente ainda não tem preço definido.
Não é streaming de jogo tradicional
A empresa faz uma distinção importante.
Segundo a WiCi, o jogo continua rodando na própria máquina do usuário, enquanto o WiCi One aparece como uma GPU virtual conectada pela rede.
Ou seja, a proposta não é exatamente igual a transmitir uma imagem pronta de outro computador.
Em modo de driver, a empresa afirma que aplicativos podem reconhecer a GPU compartilhada como se estivesse disponível localmente.
Se isso funcionar bem na prática, é uma diferença relevante.
Jogos estão entre os usos previstos
A WiCi cita aplicações como:
- Cyberpunk 2077;
- Black Myth: Wukong;
- Blender;
- AutoCAD;
- Unreal Engine;
- Unity.
A lista mostra que a empresa mira tanto games quanto criação de conteúdo e desenvolvimento.
Ainda assim, compatibilidade listada pela fabricante não substitui benchmark independente.
IA local também é um dos focos
O WiCi One não foi pensado apenas para jogos.
A empresa dedica boa parte do produto ao uso de IA local.
O sistema oferece suporte a ferramentas como:
- Ollama;
- LM Studio;
- PyTorch;
- Hugging Face;
- ComfyUI.
A ideia é permitir que vários dispositivos dentro da casa usem a mesma GPU para executar modelos de IA sem enviar dados para a nuvem.
Armazenamento tenta ampliar a memória disponível
Outro recurso apresentado é o TurboStream.
Segundo a WiCi, o sistema usa o armazenamento NVMe para ajudar a carregar modelos de IA maiores do que a VRAM disponível.
A empresa afirma que isso permite trabalhar até com modelos de trilhões de parâmetros em determinadas condições.
Esse tipo de resultado depende muito de carga, modelo, latência e largura de banda.
Por isso, os números divulgados pela própria fabricante precisam ser tratados como referência interna, não como desempenho universal.
Preço inicial é de US$ 1.999
A WiCi anuncia preço promocional inicial de US$ 1.999 para inscrições antecipadas.
O preço normal indicado pela empresa é de US$ 2.599.
A configuração com RTX 5090 ainda terá valor divulgado mais perto do lançamento.
Não há preço oficial para o Brasil.
Por isso, não vale converter o valor em dólar e tratar como preço nacional.
Lançamento físico acontece em outubro
A empresa marcou uma demonstração pública do produto para 5 e 6 de outubro, em Nova York.
O evento terá demonstrações de uso em IA, games e criação de conteúdo.
A WiCi afirma que pretende começar os envios no quarto trimestre de 2026.
Ideia é compartilhar uma GPU entre vários aparelhos
O ponto mais interessante do WiCi One está menos na RTX escolhida e mais no modelo de uso.
Uma GPU forte deixa de pertencer apenas a um único computador.
Ela passa a funcionar como recurso da rede.
Se a latência, compatibilidade e desempenho corresponderem ao prometido, isso pode ser útil para quem trabalha com vários notebooks leves, estúdios pequenos ou ambientes com múltiplos dispositivos.
Mas a proposta ainda precisa enfrentar o teste mais importante.
Não basta funcionar bem em demonstração.
Para convencer gamers e profissionais, uma GPU sem fio precisa chegar perto da experiência de uma GPU instalada diretamente na máquina.









