Após anunciar que deixaria liderança do PDT na Alerj, o deputado estadual Vitor Junior reconsiderou a decisão a partir de um pedido do prefeito de Niterói e líder político, Rodrigo Neves

Após anunciar que deixaria liderança do PDT na Alerj, o deputado estadual Vitor Junior reconsiderou a decisão a partir de um pedido do prefeito de Niterói e líder político, Rodrigo Neves | Reprodução/Alerj

Por André Freitas: da REDAÇÃO, às 4h06

O deputado estadual Vitor Junior anunciou às 16h da tarde desta terça-feira que estaria deixando a liderança da bancada do PDT na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro — Alerj. Entretanto, cerca de quatro horas depois, às 20h16, reconsiderou a decisão. Ambos movimentos tornaram-se públicos através de notas à imprensa. Todavia, o motivo apontado pelo parlamentar para permanecer no cargo tratou-se de um pedido feito pelo prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.

Em resumo, as prévias partidárias sequer tiveram início, mas o PDT do estado do Rio de Janeiro já mostra que terá trabalho para acomodar os interesses de seus membros com ambições políticas para as eleições legislativas desse ano. A sigla tem uma campanha desafiadora pela frente e necessita de nominatas fortes, que contemplem projetos políticos que permitam à legenda não passar sufoco para garantir cadeiras na Alerj e na Câmara dos Deputados.

Família grande

Rodrigo e Vitor pertencem ao mesmo grupo político, que desde 2013 dá às cartas na política da antiga capital fluminense. Vale ressaltar que sempre se valendo de mãos muito boas que, unidas, são responsáveis por muitas conquistas e realizações.

Como resultado de planejamentos de longo prazo, esse grupo político capitaneado por Rodrigo Neves colecionou mais adesões do que dissidências. Inclusive, com adversários de outrora passando a integrar administrações.

Novos rumos visando o futuro

Mas aquele coração de mãe, onde sempre cabia mais um, já há algum tempo está tendo que lidar com algumas “escolhas de Sofia”.

Primeiramente, há de se considerar a intenção de Fernanda Sixel de tornar-se uma voz da política feminina na Alerj pelo PDT, partido do marido.

O pivô dessa indefinição nada tem a ver com a legítima pretensão de Fernanda Sixel de participar do processo eleitoral. Entretanto, com um outro personagem que muito recentemente abriu mão de uma candidatura: Axel Grael.

Ampliação de vozes femininas

Fernanda Sixel defende bandeiras muito bem definidas: aumento da participação da mulher no processo político-eleitoral; o seu trabalho consolidado à frente da Coordenadoria de Políticas de Direitos das Mulheres — CODIM, consequentemente transformada em Secretaria das Mulheres.

Fernanda Sixel, esposa do prefeito Rodrigo Neves e pré-candidata à deputada estadual pelo PDT | Divulgação/PMN

Fernanda Sixel, esposa do prefeito Rodrigo Neves e pré-candidata à deputada estadual pelo PDT | Divulgação/Arquivo/Prefeitura de Niterói 2022

 

Por último, mas não menos importante, as décadas acumuladas como funcionária de carreira da rede municipal de educação.

Construção de alternativa viável

Diante disso, houve um movimento feito por Vitor Junior para que Fernanda Sixel pudesse aumentar a representatividade feminina de Niterói na Alerj. Pois a cidade conta, ainda, com a deputada estadual Verônica Lima, do PT, integrante do mesmo grupo político.

Como se destacou demais em seu primeiro mandato, construindo alianças no interior, Vitor deu início à construção de seu projeto político para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PDT.

Números das últimas eleições mostram tamanho do desafio

A bem da verdade, nesse sentido, o próprio PDT precisa muito não só dos votos de Vitor Junior como também necessita ampliar suas cadeiras na Câmara. Sobretudo, para garantir sua sobrevivência como partido político. Atualmente, a sigla tem apenas 16 deputados federais. Dentre eles, dois do Rio de Janeiro: Marcos Tavares (PDT-RJ)Max Lemos (PDT-RJ).

Período de convenções para eleições 2024 tem início | Divulgação/TSE

Nas eleições de 2022, por exemplo, o PDT obteve um total de 232.718 votos válidos para o cargo de Deputado Federal no estado. Em suma, o suficiente apenas para uma cadeira, a de Marcos Tavares — único eleito pelo partido, com 62.086 votos. Max Lemos tem uma particularidade importante porque se elegeu pelo antigo PROS, com 89.507 votos, que se fundiu com o Solidariedade. A fusão deu a ele o direito de trocar de legenda, e ele optou pelo PDT.

Indo além nessa análise, uma frente progressista, para a reeleição do presidente Lula, depende demais do fortalecimento de outras legendas como o PDT. Além disso, de apostar em nomes fortes, com votos concentrados em regiões onde ocorra grande chance de conversão do eleitorado com maior facilidade de adesão às chapas majoritárias: senador (2 votos), governador e presidente.

Intenção de Axel Grael não é novidade

Em contrapartida a esse raciocínio, outro projeto político dentro do PDT de Niterói — o de Axel Grael — emergiu mirando exatamente a Câmara dos Deputados. A intenção clara de Grael se candidatar à deputado federal foi manifestada em seu discurso, no Palácio Tiradentes, quando o próprio deputado estadual lhe concedeu a Medalha Tiradentes, em 2024, conforme noticiado no FOLHA DO LESTE.

Algo que, a meu ver, em seu íntimo, Axel considerava o justo pelo governo que realizou tanto quanto por ter abdicado de disputar a reeleição para a prefeitura, cedendo a vez para Rodrigo Neves.

A reação de Vitor diante de números frios

Após os convites feitos de Axel para o lançamento da sua candidatura, na segunda-feira (2), na sede do PDT, Vitor Junior reagiu. Antes mesmo do evento, publicou em suas redes um longo comunicado. Em síntese, disse que sua trajetória reafirmava seu compromisso com o projeto político que Rodrigo Neves lidera em Niterói.

Contudo, ponderou que a atual conjuntura política impõe limites objetivos. Desse modo, referiu-se ao que chamou de “decisão individual” de Axel Grael, ex-prefeito da cidade, de se lançar pré-candidato à Câmara dos Deputados.

O PDT, neste momento, não comporta dois projetos eleitorais majoritários na cidade de Niterói, o que exige responsabilidade, diálogo e maturidade dentro da legenda para que não haja prejuízo à unidade do campo político que construímos ao longo dos anos.”

Não há rompimento, diz Vitor

Vitor Junior e Rodrigo Neves durante encontro recente: deputado é convencido pelo prefeito de Niterói a não deixar liderança do PDT na Alerj | Reprodução/Instagram

Vitor Junior e Rodrigo Neves durante encontro recente: deputado é convencido pelo prefeito de Niterói a não deixar liderança do PDT na Alerj | Reprodução/Instagram

Além disso, Vitor Junior disse que seu pronunciamento não representava seu rompimento com o projeto político que governa a cidade de Niterói. Ressaltou que, ao contrário disso, suas palavras expressam seu respeito, maturidade e diálogo com Rodrigo Neves, pensando no melhor para Niterói, o Estado do Rio e o futuro do campo político ao qual pertencem.

Ida para outro partido não está descartada

Por outro lado, Vitor Junior deixa como indefinida sua situação, pois não descarta trocar de legenda ou seguir no PDT. Ele fala sobre isso muito claro que Rodrigo participaria dessa escolha.

“Em diálogo e construção conjunta com o Prefeito e líder Rodrigo Neves, irei definir a filiação partidária para a disputa no pleito desse ano, tanto a possibilidade de me manter no PDT quanto a busca de uma nova sigla, sempre guiado pelos mesmos valores, pelo compromisso com a população e pela responsabilidade com o projeto que ajudamos a construir.

Futuro

Diante de todos esses acontecimentos, lembrei-me de uma frase que é atribuída  ao político mineiro Magalhães Pinto:

“Política é como nuvem. Você olha, ela está de um jeito. Daqui a pouco, você olha de novo e ela já mudou.”

André Freitas
Diretor-Executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Radialista e Jornalista desde a década de 1990. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Tem vasta experiência na cobertura da editoria de política em razão dos cargos públicos que exerceu nos poderes Legislativo e Executivo: Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, além da Alerj e ainda na Prefeitura de Niterói. Dirigiu a Rádio Absoluta por 15 anos, onde apresentou programas noticiosos diários. Pela emissora, cobriu por mais de uma década a seleção brasileira de futebol e esteve em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, tem 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Trabalhou, também, nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e (Litorânea/ES). Exerceu cargo de editor-chefe em Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ). Colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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