
Vitão se firma no Flamengo e números explicam confiança de Leonardo Jardim | Adriano Fontes/Flamengo
O zagueiro Vitão vive seu período de maior estabilidade no Flamengo desde a chegada ao clube, no início de 2026. Titular nas últimas nove partidas, o zagueiro aproveitou as oportunidades abertas na defesa e manteve a confiança do técnico Leonardo Jardim, mesmo depois da falha no empate com o São Paulo.
Os números ajudam a explicar a sequência do camisa 44. Em 17 partidas, Vitão esteve em campo em oito jogos nos quais o Rubro-Negro não sofreu gols. O índice representa 47% de partidas com a defesa invicta.
Além disso, o Flamengo sofreu apenas 12 gols durante os jogos disputados pelo defensor, média de 0,70 por partida.
O aproveitamento coletivo também chama atenção: com Vitão em campo, o time conquistou 68,6% dos pontos disputados.
Vitão aproveitou desfalques na defesa do Flamengo
A mudança na hierarquia começou antes da Copa do Mundo de 2026.
Léo Ortiz sofreu uma lesão muscular na coxa direita no fim de maio. Paralelamente, Danilo e Léo Pereira foram convocados para a Seleção Brasileira durante o Mundial.
Com menos opções disponíveis, Leonardo Jardim utilizou Vitão durante toda a intertemporada.
O Flamengo fez amistosos contra River Plate, Lausanne-Sport e Benfica, em Portugal, antes de encerrar a preparação diante do Olimpia, em Brasília. Vitão ganhou minutos e passou a ocupar uma posição que, anteriormente, não estava assegurada.
Quando o Campeonato Brasileiro retornou, o defensor continuou entre os titulares.
Retorno dos concorrentes não tirou Vitão do time
A situação chama ainda mais atenção porque os outros zagueiros começaram a retornar.
Léo Pereira voltou da Copa do Mundo e imediatamente formou dupla com Vitão contra a Chapecoense, em 22 de julho.
Já Léo Ortiz concluiu a recuperação da lesão muscular, mas não foi relacionado contra o São Paulo por opção de Leonardo Jardim. Posteriormente, voltou ao banco contra o Internacional.
Assim, Vitão deixou de ser apenas uma solução para os desfalques e passou a disputar efetivamente uma das vagas na defesa.
Falha contra São Paulo não mudou confiança de Jardim
A sequência não ocorreu sem problemas.
No empate por 1 a 1 com o São Paulo, em 26 de julho, no Maracanã, Vitão foi alvo de críticas após uma falha durante a partida. O resultado também aumentou a pressão sobre o Flamengo no Campeonato Brasileiro.
Leonardo Jardim, entretanto, manteve o camisa 44 entre os titulares.
Três dias depois, Vitão começou novamente o jogo contra o Internacional, no Beira-Rio. O Flamengo empatou por 1 a 1, e Léo Ortiz permaneceu como alternativa no banco.
A decisão reforçou o novo status do defensor dentro do elenco.
Flamengo sofre menos gols com Vitão
O recorte estatístico mostra diferença no desempenho defensivo do Flamengo.
Com Vitão:
- 17 jogos
- 8 jogos sem sofrer gols
- 47% de partidas com a defesa invicta
- 12 gols sofridos
- 0,70 gol sofrido por partida
- 68,6% de aproveitamento
Sem Vitão:
- 20 jogos
- 7 jogos sem sofrer gols
- 35% de partidas sem sofrer gols
- 60% de aproveitamento.
O levantamento considera os jogos da equipe principal e desconsidera partidas do Campeonato Carioca disputadas pela formação alternativa.
Os números não significam que a diferença seja responsabilidade exclusiva do zagueiro. Mudanças de adversários, escalações e contextos de cada partida também interferem diretamente no desempenho coletivo.
Ainda assim, o recorte ajuda a explicar por que Jardim manteve Vitão no time.
Vitão também apresenta regularidade no Brasileirão
Individualmente, o defensor apresenta índices consistentes no Campeonato Brasileiro.
Vitão perde, em média, 3,7 posses de bola por partida. O número é baixo para um jogador que participa diretamente da construção das jogadas desde o campo defensivo.
Além disso, comete apenas 0,6 falta por jogo.
Os números indicam uma atuação geralmente controlada nos duelos e na saída de bola, dois aspectos valorizados por Leonardo Jardim na montagem do sistema defensivo.
Contratação começou 2026 com pouco espaço
Vitão foi anunciado pelo Flamengo em janeiro de 2026, após deixar o Internacional.
O zagueiro assinou contrato até dezembro de 2029 e foi apresentado como o primeiro reforço rubro-negro para a temporada.
Apesar do investimento, ele não conseguiu inicialmente conquistar uma sequência longa.
Em abril, por exemplo, passou seis partidas consecutivas como opção no banco. Na época, Leonardo Jardim explicou que preferia Léo Ortiz em determinados jogos pela qualidade do defensor na construção desde trás.
O treinador, porém, afirmou naquela ocasião que Vitão teria novas oportunidades.
Elas apareceram com os desfalques do meio do ano. O zagueiro aproveitou a sequência e, agora, transformou a disputa pela titularidade da defesa em um problema de escolha para Jardim.
Com Léo Pereira, Léo Ortiz, Danilo e Vitão disponíveis, o treinador passa a ter concorrência elevada no setor. Pelo momento e pelos números, porém, tirar o camisa 44 da equipe deixou de ser uma decisão automática.







