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São Januário ganha 2.275 lugares, mas ainda faltam 5.845 para Vasco x Boca

Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro, onde Vasco e Vitória disputarão o jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil após o clube não conseguir utilizar o Maracanã

São Januário ganha 2.275 lugares, mas ainda faltam 5.845 para Vasco x Boca | Matheus Lima/Vasco

São Januário ganhou capacidade para receber mais 2.275 torcedores, mas ainda permanece 5.845 lugares abaixo do mínimo exigido pela Conmebol para Vasco x Boca Juniors, pela semifinal da Copa Sul-Americana. Um novo laudo do Corpo de Bombeiros elevou a lotação autorizada do estádio de 21.880 para 24.155 pessoas.

A ampliação representa crescimento de aproximadamente 10,4%. Ainda assim, o regulamento da competição determina 30 mil lugares para partidas das semifinais.

Por isso, o novo documento fortalece a tentativa do Vasco, mas não libera automaticamente São Januário.

O clube ainda precisa de uma exceção da Conmebol e do aval definitivo das autoridades de segurança. Paralelamente, mantém aberta a disputa para utilizar o Maracanã.

São Januário chega a 24.155 lugares

O novo laudo altera de forma relevante a capacidade operacional do estádio.

Antes, o documento utilizado pelo Vasco autorizava 21.880 torcedores. Agora, esse limite chega a 24.155.

São 2.275 lugares adicionais.

Mesmo com o avanço, São Januário alcança apenas cerca de 80,5% dos 30 mil lugares exigidos pela Conmebol para uma semifinal da Sul-Americana.

Ou seja, a ampliação reduz o problema, mas não elimina o obstáculo regulamentar.

A regra aparece expressamente no Manual de Clubes da competição: estádios utilizados nas semifinais precisam comportar pelo menos 30 mil espectadores.

Setor do Boca também entra no novo plano

A ampliação não busca somente aumentar o público vascaíno.

O plano operacional prevê também uma mudança no espaço reservado à torcida visitante.

O Vasco trabalha para oferecer aproximadamente 4 mil ingressos aos torcedores do Boca Juniors, número compatível com a carga que os cruz-maltinos terão à disposição na Bombonera.

Para isso, o clube pretende reduzir áreas de isolamento entre as duas torcidas e reorganizar a divisão física dos setores.

Ao mesmo tempo, parte do ganho de capacidade também beneficiaria a torcida mandante.

O desafio está justamente em convencer as autoridades de que essa redistribuição pode acontecer sem comprometer a segurança.

Bombeiros aprovam capacidade, mas PM ainda precisa decidir

O novo laudo resolve apenas uma das etapas.

O Vasco já recebeu sinalização favorável de órgãos municipais envolvidos na operação do entorno de São Januário. Entretanto, a Polícia Militar ainda precisa dar o aval definitivo ao plano de segurança.

Na semana passada, o Folha do Leste mostrou que a avaliação inicial da PM considerava o Maracanã operacionalmente mais adequado para Vasco x Boca.

A manifestação não proibiu São Januário.

Mas deixou claro que o clube precisaria apresentar uma operação capaz de acomodar milhares de argentinos, controlar acessos e organizar a circulação no entorno do estádio.

O novo laudo dos Bombeiros é uma resposta a parte dessas exigências.

Conmebol ainda precisa abrir exceção

Mesmo que todas as autoridades do Rio liberem São Januário, faltará uma decisão essencial.

A Conmebol precisa autorizar o estádio apesar da capacidade inferior aos 30 mil lugares.

O Vasco pretende sustentar que existem precedentes de exceções concedidas pela entidade.

Um dos exemplos citados nos bastidores envolve o Independiente del Valle, que disputou uma semifinal continental em estádio com capacidade muito inferior ao limite padrão.

Esse histórico, porém, não cria direito automático para o Vasco.

Cada pedido depende de análise específica da Conmebol.

No calendário oficial da entidade, Vasco x Boca continua com estádio “a confirmar”.

Vasco tem pouco tempo para definir o estádio

O calendário aumenta a pressão.

A partida de volta da semifinal acontece em 20 de outubro, às 21h30.

Antes disso, Vasco e Boca se enfrentam em 13 de outubro, também às 21h30, na Bombonera.

O clube carioca precisa encaminhar à Conmebol a definição do estádio dentro do prazo operacional da competição. A expectativa é que uma solução seja apresentada até domingo (5).

Portanto, o Vasco trabalha simultaneamente em diferentes frentes.

Quer São Januário, tenta garantir o Maracanã e mantém o Nilton Santos como alternativa.

Maracanã continua em disputa judicial

Enquanto tenta convencer Conmebol e autoridades a aceitar São Januário, o Vasco também busca judicialmente o direito de jogar no Maracanã.

O consórcio administrado por Flamengo e Fluminense negou o pedido do clube.

Depois disso, o Vasco recorreu à Justiça.

O Folha do Leste mostrou nesta semana que o clube já venceu três das quatro disputas judiciais anteriores envolvendo o uso do Maracanã.

Existe, porém, uma diferença importante.

As três vitórias aconteceram antes da atual concessão. Já o único pedido analisado sob o modelo vigente terminou desfavoravelmente ao Vasco.

Portanto, o retrospecto não permite antecipar a decisão atual.

São Januário continua como preferência do Vasco

Apesar das dificuldades, São Januário permanece como a primeira opção da direção.

A razão também é esportiva.

Foi em casa que o Vasco construiu parte importante da campanha que levou o clube novamente a uma semifinal continental depois de 15 anos.

Além disso, o elenco considera a proximidade da torcida um elemento relevante numa eliminatória desse peso.

O volante Santiago Sosa já havia explicado ao Folha do Leste que o Vasco pretende controlar o primeiro jogo na Bombonera para tentar decidir a classificação no Rio.

O estádio escolhido para essa decisão, portanto, interfere diretamente no planejamento esportivo.

Novo laudo aproxima, mas não resolve

A matemática resume a situação.

Capacidade anterior: 21.880
Nova capacidade: 24.155
Aumento: 2.275 lugares
Mínimo da Conmebol: 30.000
Diferença restante: 5.845 lugares

O Vasco conseguiu reduzir consideravelmente a distância entre São Januário e a exigência da Sul-Americana.

Agora, porém, depende menos de engenharia e mais de autorizações.

O novo laudo aproxima São Januário de Vasco x Boca.

Ainda não coloca a semifinal dentro dele.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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