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Vacinação com Pneumo 20 começa em junho no SUS e amplia proteção de crianças

Criança recebe vacina em unidade de saúde durante campanha de imunização infantil no SUS

Vacinação com Pneumo 20 começa em junho no SUS e amplia proteção de crianças | Divulgação/MS

A vacinação com Pneumo 20 deve começar na segunda quinzena de junho nas Unidades Básicas de Saúde, com prioridade para crianças de até 5 anos. O anúncio foi feito na última quarta-feira (03) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, após publicação de nota técnica e início da distribuição das primeiras doses aos estados e municípios.

A nova vacina pneumocócica conjugada 20-valente, também chamada de VPC20 ou Pneumo 20, protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, principal causadora de doenças graves como pneumonia, meningite e sepse. Até agora, o SUS utilizava a Pneumo 10 no calendário infantil; com a mudança, a proteção será ampliada de forma gradual.

Vacina começa a chegar aos municípios

Segundo o Ministério da Saúde, a distribuição das primeiras 514 mil doses já começou. A vacinação será iniciada conforme os estados receberem os imunizantes e concluírem o envio aos municípios. A previsão da pasta é disponibilizar mais de 6,1 milhões de doses ainda em 2026.

Na rede privada, onde a vacina já era ofertada, o custo podia passar de R$ 500 por dose. Por isso, a chegada da Pneumo 20 ao SUS amplia o acesso a uma tecnologia mais abrangente, especialmente para famílias que não teriam como pagar pelo imunizante fora da rede pública.

O que muda com a Pneumo 20

A principal mudança está na quantidade de sorotipos cobertos. A Pneumo 10 protegia contra dez tipos da bactéria pneumococo. Já a Pneumo 20 dobra essa cobertura e inclui sorotipos associados a casos graves de doença pneumocócica invasiva, como os tipos 3, 6A e 19A.

Esse avanço importa porque a doença pneumocócica pode começar com quadros menos graves, como otite e sinusite, mas também pode evoluir para pneumonia bacteriana, meningite e infecção generalizada. Em crianças pequenas, idosos e pessoas imunossuprimidas, o risco de complicações é maior.

Meningite pneumocócica preocupa

O Ministério da Saúde informou que, entre 2023 e 2025, o Brasil registrou 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil mortes. Entre crianças menores de 5 anos, foram 616 casos e 188 óbitos no mesmo período.

A pasta também aponta que quase 40% dos casos graves com amostra coletada entre 2018 e 2023 foram causados por dois tipos da bactéria que não estavam na VPC10, mas agora entram na formulação da VPC20. Portanto, a substituição busca responder a uma mudança no perfil de circulação dos sorotipos.

Quem poderá receber a vacina

A Pneumo 20 será ofertada inicialmente a grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde. O principal público será formado por crianças menores de 5 anos, mas a estratégia também inclui povos indígenas maiores de 5 anos sem histórico vacinal com vacina pneumocócica conjugada, idosos com 60 anos ou mais acamados ou institucionalizados e pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos CRIEs.

Na prática, pais e responsáveis devem acompanhar a orientação das secretarias municipais de saúde, porque o início da aplicação dependerá da chegada das doses a cada rede local.

Como fica o esquema de transição

Durante o período de transição, o esquema básico infantil seguirá com uma dose da Pneumo 20 aos 2 meses, uma dose da Pneumo 10 aos 4 meses e uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses. O intervalo mínimo entre a segunda dose e o reforço será de 60 dias.

Essa estratégia será mantida até o fim dos estoques da Pneumo 10. Depois disso, o calendário passará a usar exclusivamente a Pneumo 20. Já as vacinas VPC13 e VPP23 seguirão em estratégias específicas até a finalização dos estoques disponíveis.

Caderneta Digital ajuda no acompanhamento

Pais, mães e responsáveis podem acompanhar o histórico vacinal das crianças pela Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital. A ferramenta ajuda a conferir doses aplicadas, pendências e registros do calendário infantil.

Ainda assim, a orientação local da UBS continua essencial, especialmente neste período de transição entre imunizantes.

Vacinação infantil voltou a crescer

O Ministério da Saúde afirma que recuperou as coberturas vacinais infantis nos últimos três anos, revertendo a tendência de queda observada até 2022. No caso da vacinação contra doenças pneumocócicas, a cobertura do esquema básico passou de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025.

Em 2026, a cobertura parcial acumulada até agora está em 86,33%. Para o governo federal, a chegada da Pneumo 20 reforça o Programa Nacional de Imunizações e amplia a capacidade de prevenir formas graves da doença.

Histórico mostra impacto da vacinação

A vacinação pneumocócica entrou no calendário básico infantil em 2010, com a VPC10. Desde então, o Brasil registrou queda entre 55% e 60% na doença pneumocócica invasiva causada por sorotipos vacinais em crianças menores de 2 anos, além de redução superior a 65% nos casos de meningite pneumocócica nessa mesma faixa etária.

Mesmo com esse avanço, os casos voltaram a crescer nos anos mais recentes. Por isso, a incorporação da Pneumo 20 chega em um momento estratégico para ampliar a proteção e reduzir hospitalizações, sequelas e mortes evitáveis.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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