
Jogo deixa você construir encouraçados peça por peça e testar se sobrevivem à guerra | Divulgação/Steam
Ultimate Admiral: Dreadnoughts chega nesta quinta-feira, 8 de outubro, ao Xbox Series X|S e ao PC pelo ecossistema Microsoft, levando aos consoles uma simulação naval que não entrega encouraçados prontos ao jogador.
Aqui, boa parte do trabalho acontece antes do primeiro disparo.
O usuário pode escolher torres, blindagem, chaminés, superestruturas, armamentos e distribuição de peso, criando desde pequenos torpedeiros até grandes couraçados. Depois, precisa descobrir se aquele projeto realmente funciona quando encontra uma frota inimiga no mar.
O jogo cobre eras tecnológicas entre 1890 e 1950 e permite comandar dez nações diferentes, recriando embarcações históricas como o HMS Dreadnought ou construindo projetos que nunca existiram.
Hoje é estreia no Xbox, não lançamento original
Ultimate Admiral: Dreadnoughts já possui uma longa história no computador.
O título entrou em acesso antecipado no Steam em dezembro de 2021 e recebeu lançamento completo em 25 de janeiro de 2023.
A novidade desta quinta-feira é sua chegada ao ecossistema Xbox.
A Microsoft confirma suporte a Xbox Series X|S, PC, dispositivos portáteis e Xbox Play Anywhere, além de otimização para a geração atual e funcionamento a 60 FPS ou mais nas condições suportadas.
A data chegou a aparecer como 1º de outubro
Há uma pequena curiosidade no calendário oficial.
Uma edição anterior do Xbox Wire, publicada em 25 de setembro, listava Ultimate Admiral: Dreadnoughts para 1º de outubro. Já a programação mais recente, publicada em 2 de outubro, passou a indicar 8 de outubro.
Para a cobertura desta semana, portanto, a referência correta é a data mais recente divulgada pela própria Microsoft.
É mais um exemplo de por que calendários de lançamento precisam ser conferidos novamente perto da estreia.
Você não escolhe apenas um navio; você o projeta
O principal diferencial está no sistema de construção.
Ultimate Admiral: Dreadnoughts permite desenhar navios numa interface tridimensional e alterar praticamente toda a arquitetura do casco disponível.
O jogador pode decidir onde instalar:
torres principais;
armamento secundário;
chaminés;
superestruturas;
blindagem;
componentes internos.
Cada escolha produz consequências.
Adicionar proteção pode aumentar sobrevivência, mas também eleva peso.
Instalar armamento maior aumenta poder de fogo, mas interfere em estabilidade, custo e desempenho.
Não existe uma solução perfeita para todas as situações.
Um navio muito pesado pode virar um problema
Esse é justamente o tipo de relação que o jogo tenta simular.
Não basta preencher o convés com os maiores canhões disponíveis.
Um projeto precisa equilibrar:
poder de fogo;
proteção;
velocidade;
alcance;
estabilidade;
custo.
Quando esses elementos entram em conflito, o jogador precisa decidir qual característica será sacrificada.
Uma frota rápida pode abrir mão de parte da blindagem.
Um encouraçado extremamente protegido pode ficar mais lento e caro.
O desafio começa na prancheta.
Até a posição das torres interfere
A distribuição dos componentes também afeta o comportamento do navio.
Torres instaladas em posições diferentes modificam campos de tiro e massa.
Superestruturas influenciam espaço disponível.
Chaminés competem por área com armamentos.
O casco precisa acomodar aquilo que o jogador deseja sem comprometer completamente o equilíbrio.
Isso aproxima Ultimate Admiral de um simulador de engenharia naval, ainda que simplificado para funcionar como videogame.
O HMS Dreadnought pode ser recriado
A própria divulgação usa o HMS Dreadnought como exemplo de embarcação histórica que pode ser reproduzida.
O navio britânico, lançado em 1906, tornou-se tão influente que seu nome passou a identificar toda uma geração de grandes encouraçados.
No jogo, o jogador pode tentar reproduzir embarcações famosas ou seguir outra direção e testar configurações hipotéticas.
Essa liberdade cria uma espécie de história naval alternativa.
Talvez determinado país tivesse adotado outro arranjo de canhões.
Talvez tivesse investido mais em velocidade.
O jogo permite experimentar essas perguntas no combate.
O período vai de 1890 a 1950
A janela histórica cobre uma transformação enorme da guerra naval.
Em 1890, vários conceitos herdados do século XIX ainda estavam em evolução.
Nas décadas seguintes, encouraçados cresceram, sistemas de controle de tiro melhoraram, torpedos avançaram e a competição entre potências acelerou mudanças tecnológicas.
Ultimate Admiral permite atravessar esse período dentro da campanha.
Isso significa que um projeto eficiente no início da cronologia pode se tornar completamente ultrapassado décadas depois.
Dez nações disputam a corrida naval
A Microsoft confirma dez nações diferentes dentro das eras tecnológicas representadas.
Cada campanha coloca o jogador dentro de uma corrida armamentista marítima.
A frota precisa crescer enquanto adversários também desenvolvem novos navios e tecnologias.
A guerra não é resolvida apenas numa batalha isolada.
Perder uma embarcação cara pode alterar o equilíbrio estratégico de toda a campanha.
A campanha usa um mapa global
O site oficial descreve uma campanha em escala mundial, com mapa que inclui os países relevantes ao período representado.
Além de comandar batalhas, o usuário precisa pensar na composição geral da frota.
Construir navios custa dinheiro.
Manter forças espalhadas por diferentes regiões também possui consequências.
Vitórias e derrotas afetam não apenas um confronto, mas a capacidade de continuar a guerra.
Essa camada aproxima o jogo de grande estratégia, sem abandonar o controle direto durante as batalhas.
Afundar navios não é o único objetivo
A própria descrição oficial resume a meta de campanha de maneira bastante agressiva: derrotar o adversário destruindo suas frotas e estrangulando sua economia.
Isso significa que poder naval funciona como instrumento econômico.
Uma frota eficiente pode pressionar rotas comerciais, reduzir capacidade do inimigo e aumentar o custo de manter a guerra.
A campanha tenta conectar decisões técnicas tomadas no estaleiro a consequências estratégicas maiores.
Naval Academy oferece ação mais rápida
Quem não quiser entrar imediatamente numa campanha longa pode utilizar a Naval Academy.
O modo permite construir navios rapidamente e colocá-los contra frotas controladas pela inteligência artificial.
É uma maneira mais direta de experimentar configurações.
O jogador pode testar um conceito, observar o comportamento no combate e alterar o projeto depois.
Para alguém interessado principalmente na engenharia dos navios, esse modo funciona quase como laboratório.
Cada detalhe do projeto altera a batalha
O site oficial afirma que os detalhes do navio afetam diretamente seu desempenho.
Essa relação é essencial para a proposta.
Se todas as configurações produzissem resultados semelhantes, construir seria apenas cosmético.
O objetivo é justamente fazer com que um erro de projeto reapareça quando os tiros começarem.
Blindagem insuficiente pode deixar áreas vulneráveis.
Baixa velocidade pode impedir uma retirada.
Armamento mal distribuído pode reduzir capacidade de engajar determinados alvos.
Projeto e batalha não são sistemas separados.
A balística tenta ser mais detalhada que num RTS comum
Ultimate Admiral trabalha com elementos como distância, calibre, penetração, blindagem e ângulo de impacto.
Essas variáveis interferem na chance de um projétil atravessar a proteção inimiga.
Um disparo não funciona simplesmente como número de dano subtraído da vida do navio.
A trajetória e o ponto de impacto importam.
Essa abordagem é uma das razões pelas quais o jogo atrai um público muito específico de entusiastas de história naval e wargames.
Navios também podem perder eficiência sem afundar
Um encouraçado não precisa desaparecer sob a água imediatamente para deixar de ser eficiente.
Danos podem comprometer componentes, armamentos e desempenho.
Um navio com torres destruídas continua flutuando, mas pode perder grande parte de sua capacidade ofensiva.
Incêndios e alagamentos também entram na equação.
Isso cria decisões sobre retirada.
Às vezes, preservar um navio extremamente caro pode ser mais importante que insistir em terminar uma batalha.
A inteligência artificial controla frotas inteiras
O jogador pode comandar desde pequenas divisões até frotas compostas por dezenas de embarcações.
O site oficial afirma que o adversário utiliza uma IA criada para oferecer comportamento semelhante ao de um comandante humano.
Naturalmente, essa é uma descrição do próprio desenvolvedor, não uma avaliação independente da qualidade da IA.
A experiência acumulada no Steam mostra opiniões bastante divididas justamente sobre diferentes aspectos da campanha e do comportamento dos adversários.
O histórico do Steam é misto
Ultimate Admiral: Dreadnoughts já acumulou milhares de avaliações desde o lançamento para PC.
Na consulta mais recente, o Steam registra aproximadamente 62% de avaliações positivas entre mais de 6,5 mil análises, classificando a recepção geral como Mista.
Isso é relevante para quem chega agora pelo Xbox.
O conceito possui um público apaixonado, mas a execução não conquistou unanimidade durante os anos no computador.
As avaliações recentes oscilam
O Steam também mostra que o sentimento recente varia conforme o período consultado.
Em algumas indexações, as avaliações dos últimos 30 dias aparecem na faixa positiva; em outras, voltam para um quadro misto.
Essa oscilação reforça que a comunidade continua bastante dividida.
Portanto, não seria correto vender o título como um simulador universalmente elogiado apenas porque sua ideia parece sofisticada.
Ele possui profundidade, mas também histórico de críticas.
Parte das críticas envolve campanha e atualizações
Ao longo dos anos, usuários do Steam discutiram equilíbrio, inteligência artificial, ritmo da campanha e mudanças implementadas pelas atualizações.
Isso ajuda a explicar a nota histórica.
Um simulador com muitos sistemas interligados também cria uma dificuldade adicional: corrigir um elemento pode alterar outro.
A chegada ao Xbox acontece depois de vários anos de desenvolvimento e patches, mas não apaga o histórico dessa versão.
A versão Xbox é apenas para um jogador
A página da Microsoft lista a edição principal como single-player.
No PC, existe um conteúdo multiplayer separado disponível como DLC no Steam.
A loja do Xbox consultada, porém, não apresenta multiplayer como capacidade da edição lançada nesta quinta-feira.
Quem está interessado especificamente em batalhas contra outros jogadores precisa observar essa diferença antes da compra.
Xbox Play Anywhere está confirmado
A versão Microsoft traz Xbox Play Anywhere.
Isso permite utilizar uma compra digital compatível tanto no Series X|S quanto no PC dentro do mesmo ecossistema.
Também estão confirmados:
salvamentos na nuvem;
conquistas;
60 FPS ou mais;
otimização para Series X|S;
suporte a handhelds.
Para um jogo de estratégia com campanhas longas, continuar a mesma sessão entre diferentes aparelhos pode ser especialmente útil.
Não há versão para Xbox One
A Microsoft lista apenas Xbox Series X|S, PC e handheld.
Portanto, donos de Xbox One não entram nesta estreia.
Isso diferencia Ultimate Admiral de alguns indies da semana que continuam recebendo versões para a geração anterior.
A decisão provavelmente está relacionada à complexidade da simulação e à adaptação do jogo ao hardware atual.
Português brasileiro também não está disponível
A página do Steam lista dez idiomas, mas português brasileiro não aparece entre eles.
Isso pesa mais aqui que em um jogo de ação simples.
Ultimate Admiral possui grande quantidade de menus, estatísticas, parâmetros de projeto e informações estratégicas.
Quem não possui familiaridade com inglês ou outro idioma suportado pode encontrar uma barreira considerável para dominar os sistemas.
É um jogo em que ler números faz parte da diversão
Ultimate Admiral não tenta esconder a complexidade.
Peso.
Velocidade.
Calibre.
Blindagem.
Custo.
Penetração.
Estabilidade.
Alcance.
Esses números existem porque comparar configurações faz parte do próprio jogo.
Para determinado público, isso é exatamente o atrativo.
Para quem quer apenas selecionar um navio e começar a disparar, pode parecer trabalho demais antes da primeira batalha.
Construir um monstro não significa construir um bom navio
Talvez essa seja a lição mais interessante do sistema.
É muito fácil imaginar um encouraçado coberto de canhões gigantes.
O problema começa quando aquele projeto precisa navegar, manter estabilidade, acertar alvos e sobreviver ao próprio peso.
Ultimate Admiral coloca o usuário diante das mesmas categorias de compromissos que definem qualquer projeto de engenharia.
Ganhar alguma coisa quase sempre custa outra.
- Mais blindagem custa massa.
- Mais armamento exige espaço.
- Mais velocidade exige potência.
O navio ideal não existe.
Existe o navio adequado à estratégia escolhida.
Dá para construir projetos que nunca chegaram ao mar
Esse aspecto abre espaço para muita experimentação.
A história naval está cheia de desenhos abandonados, conceitos jamais construídos e ideias que morreram antes do primeiro casco.
No jogo, algumas dessas limitações políticas ou industriais deixam de existir.
O jogador pode perguntar:
“e se esse país tivesse construído algo muito maior?”
ou:
“e se a prioridade tivesse sido velocidade em vez de blindagem?”
A simulação permite testar essas hipóteses no próprio campo de batalha.
Às vezes, o resultado é um desastre maravilhoso
Naturalmente, liberdade também permite construir coisas completamente impraticáveis.
Um navio pode parecer ameaçador no estaleiro e revelar problemas assim que entra no combate.
- Talvez seja lento demais.
- Talvez possua péssimos ângulos de tiro.
- Talvez tenha custado tanto que perder um único exemplar destrua a estratégia econômica da campanha.
Esses fracassos fazem parte da graça.
Não existe satisfação em projetar quando todas as decisões funcionam.
O jogador vira engenheiro antes de virar almirante
Esse é o melhor resumo de Ultimate Admiral: Dreadnoughts.
Em muitos jogos navais, a embarcação chega pronta e o desafio começa quando ela entra na batalha.
Aqui, a batalha começa muito antes.
Começa decidindo quanto aço colocar no casco.
Quantos canhões usar.
Onde instalar cada torre.
Quanto sacrificar de velocidade.
Quanto dinheiro arriscar.
Só depois o navio chega ao oceano.
E é nessa hora que o jogo entrega a resposta mais cruel para qualquer projeto ruim:
o inimigo não se importa com quanto tempo você passou desenhando seu encouraçado antes de afundá-lo.







