
TEA Global reúne 17 mil inscritos e amplia debate sobre autismo em Niterói | Divulgação/Lucas Benevides/Prefeitura de Niterói
Com 17 mil inscritos e mais de 160 palestrantes nacionais e internacionais, o TEA Global Congress 2026 colocou Niterói no centro de debates sobre autismo nesta quinta-feira (27). O encontro começou no Caminho Niemeyer e continua nesta sexta-feira (28).
A programação reúne pessoas autistas, familiares, pesquisadores, profissionais, gestores e especialistas. Os debates passam por saúde, educação, ciência, tecnologia, trabalho, acessibilidade, políticas públicas e direitos.
Um dos temas que apareceram na abertura amplia a discussão para além da infância: como garantir apoio, autonomia, inclusão e políticas públicas quando crianças autistas chegam à vida adulta.
Congresso reúne 17 mil inscritos
O TEA Global Congress 2026 chega à segunda edição com dimensão maior que a de um encontro técnico restrito. O número de 17 mil inscritos mostra o alcance da pauta entre famílias, profissionais, pesquisadores, gestores e pessoas diretamente afetadas pelas políticas de inclusão.
A programação tem mais de 160 palestrantes nacionais e internacionais. Segundo a organização, o congresso busca aproximar conhecimento científico da sociedade e ampliar o acesso à informação qualificada.
Por isso, a pauta não se limita ao diagnóstico ou ao acompanhamento clínico. O evento também discute educação, trabalho, acessibilidade, tecnologia e direitos das pessoas autistas.
Debate sobre autismo chega à vida adulta
A secretária estadual da Mulher e Políticas Inclusivas, Bianca Pacheco, chamou atenção para uma questão que tende a ganhar cada vez mais peso: a chegada das pessoas autistas e das pessoas com deficiência à vida adulta.
Ela afirmou que, depois de mais de 20 anos de atuação e pesquisa na área da deficiência, vê crianças acompanhadas no passado chegando a outra fase da vida. A partir disso, defendeu que a inclusão precisa considerar também responsáveis, famílias e políticas de apoio permanente.
A fala ajuda a deslocar o debate. A discussão sobre autismo costuma aparecer com força na infância, na escola e no diagnóstico. No entanto, o congresso também coloca em pauta autonomia, trabalho, direitos e continuidade do cuidado ao longo da vida.
Pessoas autistas participam da discussão
O encontro reúne especialistas e autoridades, mas também inclui pessoas autistas e familiares. Essa composição importa porque políticas públicas sobre autismo não devem ser discutidas apenas por gestores ou profissionais.
A presença de usuários, famílias e pessoas autistas permite aproximar o debate técnico da experiência real de quem convive com barreiras de acesso, atendimento, educação, trabalho e participação social.
Além disso, o congresso amplia a conversa para diferentes áreas. Saúde e educação seguem centrais, mas tecnologia, acessibilidade, direitos e inclusão no mundo do trabalho também entram na programação.
Niterói apresentou políticas municipais
Durante a abertura, o prefeito Rodrigo Neves apresentou ações de Niterói voltadas a pessoas autistas, pessoas com deficiência e famílias atípicas.
Ele citou a inclusão de famílias atípicas na Moeda Arariboia, a criação do CAIS e a necessidade de integração entre Educação, Saúde e Assistência Social.
Rodrigo Neves também afirmou que, no início de seu primeiro mandato, havia cerca de 150 crianças com deficiência e com Transtorno do Espectro Autista na Rede Municipal de Educação. Segundo ele, esse número se aproxima de 3 mil atualmente.
A comparação deve ser lida com cuidado. A fala reúne crianças com deficiência e TEA, sem separar, nesse trecho, quantas matrículas correspondem especificamente a estudantes autistas. Portanto, o dado não deve ser tratado como aumento de casos de autismo na população.
Matrículas não significam prevalência
O crescimento de registros na rede pública pode envolver muitos fatores. Entre eles estão identificação, diagnóstico, acesso à escola, registros administrativos, inclusão educacional e ampliação de atendimento.
Por isso, não é correto transformar a declaração sobre estudantes atendidos em conclusão sobre prevalência de autismo em Niterói.
A informação mais segura é que o prefeito apresentou o dado como parte da demanda educacional e assistencial enfrentada pela rede municipal.
Segunda edição dá sequência ao congresso de 2025
O TEA Global Congress chega à segunda edição em Niterói após a realização do primeiro encontro no Caminho Niemeyer, em 2025.
O Folha do Leste já acompanhou a primeira edição do congresso e outras discussões sobre políticas públicas para pessoas autistas em Niterói, como atendimento, inclusão escolar e apoio às famílias.
A edição de 2026 amplia a escala do encontro, mas a comparação direta com o ano anterior exige cuidado. Os números citados na abertura falam em crescimento, mas é preciso diferenciar inscritos, participantes, público presencial, público online e alcance total.
Programação continua nesta sexta-feira
O TEA Global Congress 2026 segue nesta sexta-feira (28), no Caminho Niemeyer.
A programação restante mantém debates sobre ciência, inovação, inclusão, políticas públicas, acessibilidade, direitos e qualidade de vida das pessoas autistas e de suas famílias.
A continuidade do congresso nesta sexta torna o evento relevante para quem acompanha políticas de inclusão em Niterói e para famílias que buscam informação qualificada sobre autismo.
Chancela internacional e homenagens
A Society for Brain Mapping and Therapeutics (SBMT) chancela o congresso desde a primeira edição, segundo o material divulgado.
Durante a abertura, a representante da entidade, Ana Isabel, entregou uma medalha ao prefeito Rodrigo Neves. Ela afirmou que a honraria é concedida pela SBMT a um grupo restrito de homenageados.
Autoridades também receberam o selo “Autoridades Parceiras da Inclusão”, concedido pelo Instituto Oceano Azul. Esses atos fizeram parte da cerimônia, mas o eixo do congresso permanece nos debates sobre autismo, direitos, ciência, inclusão e políticas públicas.










