Uma área de aproximadamente 1,18 hectare no CTR Alcântara, em São Gonçalo, foi vistoriada após um alerta de supressão de vegetação durante a Operação Mata Atlântica em Pé 2026. Os fiscais confirmaram a retirada da cobertura vegetal, mas não concluíram, a partir dessa inspeção, que a intervenção tenha ocorrido de forma ilegal.
A fiscalização aconteceu em agosto e foi divulgada neste sábado (5), após o encerramento da mobilização estadual. A supressão foi identificada em uma área de relevo próxima à Estação de Tratamento de Chorume, onde houve abertura de novas frentes de operação da central de resíduos.
Segundo a divulgação municipal, o empreendimento possui processo de licenciamento ambiental conduzido pelo Inea que prevê intervenção com retirada de vegetação na área do aterro. Agora, as informações levantadas em campo poderão ser confrontadas com os documentos do processo para verificar se o ponto efetivamente afetado está dentro dos limites e condições autorizados.
Licenciamento não autoriza qualquer supressão
A existência de uma licença ambiental não significa autorização irrestrita para retirar vegetação em qualquer ponto do empreendimento. O próprio Inea informa que a supressão de vegetação nativa depende de autorização prévia e deve respeitar limites, condições e demais exigências ambientais aplicáveis.
A divulgação sobre a fiscalização não identifica o número da licença atualmente analisada nem informa o número de eventual autorização específica de supressão de vegetação. Por isso, a vistoria municipal não permite, isoladamente, classificar a área de 1,18 hectare como desmatamento ilegal.
Ao final da inspeção, fiscais instalaram duas placas de identificação do alerta. A medida indica que o local permanece sob acompanhamento, mas não equivale a embargo, que exige ato administrativo próprio.
Documentos estaduais identificam a unidade como Central de Tratamento de Resíduos Alcântara S.A., empreendimento privado destinado ao tratamento e disposição de resíduos. O plano estadual de resíduos lista a CTR Alcântara entre os aterros sanitários em operação no Rio de Janeiro.
Operação vistoriou mais de 314 hectares no Rio
Enfim, a Operação Mata Atlântica em Pé 2026 alcançou 168 alertas em 64 municípios fluminenses, com mais de 314 hectares vistoriados.
Sendo assim, o balanço final divulgado pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro registra 225 medidas administrativas e aproximadamente R$ 800 mil em multas em todo o estado. Esses números não se referem especificamente ao CTR Alcântara.
A divulgação de São Gonçalo informa ainda que 106 áreas foram embargadas remotamente durante a mobilização estadual. Nenhum desses embargos foi atribuído, no material divulgado, à área vistoriada no CTR Alcântara.









