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STF condena Bolsonaro e aliados por tentativa de golpe e outros crimes: pena fica em 27 anos

Ex-presidente da República Jair Bolsonaro condenado pela Primeira Turma do STF fixar a 27 anos e 3 meses de reclusão por tentativa de golpe e outros crimes | Agência Brasil

Ex-presidente da República Jair Bolsonaro condenado pela Primeira Turma do STF fixar a 27 anos e 3 meses de reclusão por tentativa de golpe e outros crimes | Agência Brasil

O Supremo Tribunal Federal escreveu nesta quinta-feira (11) um capítulo inédito da História do Brasil. Por 4 votos a 1, a Primeira Turma da Corte decidiu condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro e mais sete aliados por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado.

Trata-se da primeira vez que um ex-presidente da República é condenado por tentar derrubar a democracia no país. Primeiramente, o Ministro Alexandre de Moraes fixou a pena em 27 anos e 3 meses. Em seguida, estabeleceu que o cumprimento de 24 anos da pena em regime fechado. Por outro lado, os demais 2 anos e nove meses em regime semiaberto.

Além disso, somam-se à pena 124 dias multa, no valor de dois salários mínimos cada um. Inicialmente, Alexandre de Moraes tinha proposto o valor de um salário mínimo. Porém, após intervenção do ministro Flávio Dino, Moraes acatou pedido de acrescentar ao relatório o aumento para dois salários mínimos. Sobretudo, em razão da arrecadação de dezenas de milhões de Reais em Pix por Bolsonaro.

Logo depois, votaram os ministros Flávio Dino, Cármem Lúcia e Cristiano Zanin, acompanhando o relator. Entretanto, o ministro Luiz Fux — que votou pela improcedência da ação — entendeu como incoerência participar da dosimetria.

O placar da condenação

Os votos favoráveis à condenação partiram dos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Flávio Dino e Alexandre de Moraes, relator do processo. O único voto pela absolvição veio do ministro Luiz Fux.

Agora, a Corte entra na fase da dosimetria, em que definirá o tempo de prisão e as multas aplicadas a cada réu.

Aliados de Bolsonaro igualmente condenados

Além de Bolsonaro, a decisão atingiu figuras centrais do antigo governo:

  • Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

  • Anderson Torres, ex-ministro da Justiça;

  • Augusto Heleno, ex-chefe do GSI;

  • Mauro Cid, ex-ajudante de ordens da Presidência;

  • Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa;

  • Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e da Casa Civil;

  • Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin (neste caso, sem condenação pelos crimes de dano qualificado e deterioração do patrimônio).

A força do voto de Cármen Lúcia

Primeira a votar, Cármen Lúcia ressaltou que havia “prova cabal” de que Bolsonaro liderou uma trama golpista contra as instituições brasileiras. Para ela, as provas apresentadas demonstraram claramente a violência e a grave ameaça contra a democracia.

A ministra rejeitou todos os pedidos das defesas, incluindo alegações de cerceamento, anulação de delações e incompetência do STF para julgar os réus. Segundo Cármen, a Corte tem competência para julgar ações penais ligadas a autoridades com prerrogativa de foro, assim como no caso do mensalão.

Zanin: ligação direta entre Bolsonaro e 8 de janeiro

Na sequência, Cristiano Zanin também acompanhou a condenação. Ele afirmou que os atos de 8 de janeiro, com depredação das sedes dos Três Poderes, violência contra policiais e jornalistas e tentativa de ruptura institucional, configuraram ataque frontal à democracia.

O ministro destacou ainda a “relação de causalidade” entre os discursos de Bolsonaro e a mobilização dos manifestantes que protagonizaram os ataques:

“Não há como afastar a evidente correlação entre a narrativa construída pelo grupo e reiterada constantemente pelo seu líder, Jair Messias Bolsonaro, e a aglutinação de manifestantes que, estimulados por integrantes do grupo, vieram a provocar posteriormente as ações do 8 de janeiro.”


André Freitas
Diretor-Executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Radialista e Jornalista desde a década de 1990. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Tem vasta experiência na cobertura da editoria de política em razão dos cargos públicos que exerceu nos poderes Legislativo e Executivo: Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo, Campos dos Goytacazes, além da Alerj e ainda na Prefeitura de Niterói. Dirigiu a Rádio Absoluta por 15 anos, onde apresentou programas noticiosos diários. Pela emissora, cobriu por mais de uma década a seleção brasileira de futebol e esteve em duas Copas do Mundo e uma Olimpíada. Narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, tem 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Trabalhou, também, nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e (Litorânea/ES). Exerceu cargo de editor-chefe em Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ). Colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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