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Sonoplasta fez história com vinhetas além do “Brasil-sil-sil”

Foto: Reprodução/redes sociais

A morte do sonoplasta José Cláudio Barbedo, o Fomiga, ainda gera comoção entre profissionais de rádio e televisão. Morto na quarta (18), o criador da vinheta “Brasil-sil-sil” fez outros trabalhos marcantes na criação de vinhetas e efeitos sonoros. Além disso, também foi o responsável por sonorizar a primeira música da carreira do cantor Gabriel O Pensador.

Quem cresceu e acompanhou a Rádio Globo dos anos 70 até 2009, ouvia uma vinheta clássica. Um assovio ao som de “fiu-fiu” seguido de um eco com a identificação da emissora “Rádio Globoooooo”. Além disso, também era marcante as vinhetas dos times cariocas com esse mesmo eco na última sílaba, como as tradicionais “Flamengo-go-go”, Fluminense-se-se”, “Botafogo-go-go” e “Vascooooo”, Pois todas elas também tiveram Formiga como o criador.

Se na vinheta “Brasil-sil-sil”, Edmo Zarife era o locutor, nas demais a voz era do cantor Fábio Stella, amigo de décadas de Tim Maia. Em conversa exclusiva com o portal Folha do Leste, o artista relembrou os detalhes dessas ícônicas gravações.

Eu lembro disso como se fosse ontem. O diretor da Rádio Globo da época, o Mário Luiz Barbato, chamou o Formiga numa sala e falou com ele para ir ao estúdio e fazer umas gravações comigo. Na época, eu estava muito famoso por causa da música Stella graças ao eco no final da palavra, ‘Stellaaaaaaa’. Isso aconteceu porque a emissora jogava duro comigo, não deixava minha música tocar no ar, sendo que na Rádio Tamoio ela era a mais tocada por causa da gravadora que eu tinha contrato. Ela não mandou o material para a Globo. Por isso, o Mário Luiz ficou zangado com isso e impediu que Stella fosse ao ar lá. Mas o sucesso foi tão forte, que ele me procurou depois para fazer a gravação dessas vinhetas”, recorda.

Início das vinhetas em um Fla-Flu

Fábio recorda com carinho a primeira vez que essas vinhetas foram ao ar. Mas também lamenta nunca ter ganho um centavo por essas gravações.

Elas foram ao ar depois de um clássico entre Flamengo e Fluminense, um Fla-Flu, em 1969, se não me engano. Isso estourou. Pena que eu era muito inexperiente e não cobrei um cachê para isso. Essas vinhetas tocaram por mais de 40 anos e eu não recebi nada por elas. Nenhum centavo sequer”, lamenta.

Fábio acionou a Rádio Globo na Justiça, em 2009, reivindicando a autoria da voz nas gravações. Ele chegou a vencer em primeira instância, mas perdeu em segunda. Finalmente, em 2020, 11 depois do início do processo, o Superior Tribunal de Justiça rejeitou por completo o pedido do cantor. Com isso, a ação transitou em julgado sem vitória para Fábio.

Gravação da primeira música de Gabriel O Pensador

Em comentário feito no Instagram em uma publicação da jornalista Fábia Oliveira, o rapper Gabriel O Pensador revelou que foi Formiga quem criou os efeitos da primeira música que o cantor gravou, Tô Feliz (Matei o Presidente).

Tive a honra de gravar minha primeira música com ele e com o Julio Hungria no estúdio Rádio Atividade. Era uma fita demo de Tô Feliz (Matei o Presidente), que continha vários efeitos de sonoplastia. Levei a fitinha até a rádio RPC e o Eduardo Andrews e o Jairão resolveram tocar a música polêmica, que logo passou ao primeiro lugar nos pedidos dos ouvintes e depois foi censurada, mas a mesma versão entrou no meu primeiro álbum em 1993″, relembrou.

Foto: Reprodução/Instagram

Ouça abaixo a música que Gabriel O Pensador relembrou na publicação.

Locutora recorda perfeccionismo

A locutora Adriana Souza conviveu com Formiga nos anos 90 quando ela trabalhava para a extinta Globo FM. Ela relembra que ele era “chato, no melhor sentido da palavra” quando o assunto era o perfeccionismo do sonoplasta na rotina dentro do Sistema Globo de Rádio. Além disso, lamenta que o rádio carioca atual não tenha mais pessoas com o mesmo zelo que Barbedo tinha.

Fiquei muito triste. Bastante. Ele era um baita profissional, daqueles que você não encontra em outro lugar. Quando eu entrei no Sistema Globo de Rádio, ele era o chefe da parte técnica. Levava o trabalho a sério demais, chegava a ser chato, no melhor sentido da palavra, com o perfeccionismo que encarava a função. Um nível de dedicação muito acima da média. Tinha um zelo tão grande com os equipamentos da rádio que dava broncas se alguém deixasse, por exemplo, um copo de água próxima à mesa de som. Comigo ele era educadíssimo, muito respeitoso. Entendia de tudo. Com décadas de experiência que eu tenho no rádio carioca, afirmo sem medo de errar. Profissional como ele nunca mais vai existir”, lamenta Adriana.

O sepultamento do corpo de José Cláudio Barbedo será a partir das 14 horas desta sexta (20) no Cemitério São Francisco Xavier, no Caju, na Zona Portuária do Rio.

Foto: Reprodução/WhatsApp.

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