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Impressão 3D põe semente de rubi dentro da platina para gema crescer ali

Estrutura de platina produzida por impressão 3D para receber semente de rubi

Impressão 3D põe semente de rubi dentro da platina para gema crescer ali | Reprodução/Meltio

Uma joia de platina pode começar a ser construída antes mesmo de o rubi existir por completo.

Pesquisadores da University of the West of England (UWE Bristol) desenvolveram um processo híbrido que usa impressão 3D de metal e usinagem CNC para colocar uma pequena semente de cristal dentro de uma estrutura de platina ainda durante sua fabricação.

Depois, essa semente serve de ponto de partida para o crescimento da gema.

A técnica faz parte do projeto Neo-Gemstones, liderado pela pesquisadora Sofie Boons, e abre uma possibilidade incomum: fabricar a estrutura metálica primeiro e permitir que o rubi cresça já incorporado à peça.

Impressora para no meio da fabricação

O segredo está justamente em conseguir interromper o processo.

A equipe utiliza um Meltio Engine integrado a uma máquina CNC HAAS de cinco eixos. O sistema deposita fio de platina com auxílio de laser, construindo a peça camada por camada.

Como a fabricação acontece em ambiente aberto, os pesquisadores conseguem pausar a deposição exatamente no ponto planejado.

Nesse momento, colocam manualmente uma pequena semente de cristal dentro da estrutura.

Depois, a máquina volta a depositar platina ao redor dela.

Isso seria muito mais difícil em alguns processos tradicionais de fabricação metálica, nos quais a região interna da peça permanece inacessível durante a produção.

Rubi nasce de restos de outras pedras

A semente não precisa vir de uma gema perfeita.

O projeto utiliza fragmentos, sobras e resíduos de pedras preciosas existentes como material inicial para novos cristais.

Esse pequeno núcleo permanece preso dentro da estrutura metálica.

Em uma etapa posterior, a peça passa por um processo de crescimento cristalino no qual novo material se forma ao redor da semente.

Assim, o que começa como um fragmento pode terminar como uma gema maior integrada diretamente à joia.

A pedra não sai pronta da impressora

Existe uma diferença importante.

A impressora 3D não imprime o rubi.

Ela produz a estrutura de platina e cria condições para posicionar a semente no local correto.

O crescimento da pedra acontece posteriormente.

No processo desenvolvido por Boons, a semente permanece em uma solução de fluxo dentro de um forno durante alguns dias, permitindo que o cristal aumente de tamanho.

Portanto, trata-se de uma combinação de manufatura aditiva, usinagem e crescimento de cristais.

Fundir platina ao redor da semente traz problemas

A fabricação tradicional de joias em platina geralmente recorre à fundição.

Nesse processo, metal líquido entra em um molde.

Para esta aplicação específica, porém, isso cria um problema: a corrente de platina pode deslocar a pequena semente de cristal antes que o metal solidifique.

O choque térmico também pode danificá-la.

Além disso, a platina possui ponto de fusão elevado, o que torna o processo particularmente exigente.

A impressão por deposição de fio permite outra abordagem.

Como o material é adicionado gradualmente, os pesquisadores conseguem construir parte da peça, inserir a semente e continuar a fabricação depois.

Impressão com pó também dificultaria acesso

A equipe também identificou limitações na fusão em leito de pó.

Nesse tipo de impressão 3D metálica, a peça permanece cercada pelo pó durante a fabricação.

Isso dificulta chegar ao interior da estrutura no momento exato para inserir manualmente uma semente.

Na tecnologia utilizada pelo projeto, a área permanece acessível enquanto a deposição acontece.

Essa característica transforma a pausa no processo em parte do próprio projeto da peça.

Mesma máquina também usina a platina

O sistema não trabalha apenas adicionando metal.

Depois da deposição, a própria máquina pode realizar usinagem CNC para atingir a geometria desejada.

Isso evita retirar a peça, reposicioná-la em outro equipamento e tentar recuperar exatamente a mesma referência dimensional.

Em uma estrutura criada para segurar uma pequena semente de cristal, esse controle de posição é especialmente importante.

Até o pó de platina ganha sistema de recuperação

Há ainda outro problema: desperdício.

Platinar uma bancada com cavacos certamente não seria uma boa estratégia econômica.

Por isso, o pesquisador Michael White desenvolveu um sistema de aspiração que recolhe resíduos produzidos durante a usinagem.

O mecanismo acompanha o processo CNC e captura partículas e cavacos de platina para posterior reaproveitamento.

Como se trata de um metal de alto valor, recuperar o material deixa de ser apenas uma preocupação ambiental e passa a fazer parte da viabilidade do processo.

Pesquisa começou antes da impressão 3D híbrida

Sofie Boons já havia demonstrado em 2024 a possibilidade de cultivar um rubi diretamente em um anel de platina.

Naquele trabalho, a pesquisadora utilizou material residual de outras gemas para formar uma nova pedra dentro da joia.

A etapa atual avança sobre outro problema: como fabricar estruturas metálicas capazes de receber a semente exatamente no ponto desejado.

É nesse trecho que a manufatura híbrida com impressão 3D entra no projeto.

Safiras também estão no caminho

O projeto não está restrito aos rubis.

A pesquisa também explora o crescimento de safiras e diferentes cores de gemas dentro de estruturas metálicas.

Isso acontece porque rubi e safira pertencem à mesma família mineral do coríndon, cuja base é o óxido de alumínio.

Elementos presentes no cristal modificam sua cor.

Assim, uma mesma linha de pesquisa pode abrir espaço para peças bastante diferentes visualmente.

Joalheria pode ser apenas o começo

O experimento ainda está em fase de pesquisa.

Não existe uma linha de produção comercial pronta nem um cálculo definitivo de custo para fabricar joias dessa maneira em grande escala.

Entretanto, a parte mais interessante pode ir além dos rubis.

Se uma máquina consegue interromper uma construção metálica, inserir algo dentro dela e continuar imprimindo, o mesmo princípio pode ser aplicado a outros componentes.

Sensores, marcadores ou materiais diferentes poderiam, em teoria, ser incorporados durante a fabricação de uma peça metálica.

Nesse sentido, fazer um rubi crescer dentro da platina pode ser apenas a demonstração mais brilhante de uma ideia bem maior.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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