Os primeiros boletins de urna das Eleições 2026 no exterior já revelam como brasileiros votaram em diferentes partes do mundo neste domingo (4). A diferença de fuso horário fez com que seções da Oceania, Ásia, Oriente Médio, África e Europa encerrassem a votação antes do Brasil.
Os números, entretanto, ainda não representam a totalização oficial da eleição presidencial. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) somente começará a divulgar o resultado consolidado para presidente, incluindo os votos do exterior, a partir das 17h pelo horário de Brasília.
Entre os resultados já conhecidos, Flávio Bolsonaro (PL) abriu larga vantagem no Japão, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece à frente em países como Austrália, Nova Zelândia, Coreia do Sul, China, Malásia e Singapura.
O tamanho de cada eleitorado, porém, muda completamente o peso desses resultados.
Japão concentra a maior votação conhecida até agora
O resultado do Japão se destaca pelo volume de votos.
Na soma de 119 boletins de urna das jurisdições eleitorais do país, Flávio Bolsonaro recebeu 24.601 votos, enquanto Lula somou 5.234.
A diferença é muito superior à registrada nos países menores da Ásia e da Oceania e, por isso, o Japão exerce forte influência em qualquer soma parcial dos boletins já disponíveis.
Isso também mostra por que simplesmente contar quantos países deram maioria a cada candidato pode produzir uma interpretação enganosa.
Um país com poucas centenas de votantes possui o mesmo peso na contagem de “países vencidos” que outro com dezenas de milhares de votos. Na eleição, entretanto, cada voto tem o mesmo valor, independentemente do país onde foi registrado.
Lula fica à frente em Austrália, Nova Zelândia e Coreia do Sul
Os boletins já disponíveis mostram resultados diferentes em outros países da região.
- Austrália: Lula, 4.562 votos; Flávio Bolsonaro, 2.579
- Nova Zelândia: Lula, 234; Flávio Bolsonaro, 64
- Coreia do Sul: Lula, 123; Flávio Bolsonaro, 72
- Malásia: Lula, 44; Flávio Bolsonaro, 27
- Singapura: Lula, 190; Flávio Bolsonaro, 92
- Filipinas: Flávio Bolsonaro, 33; Lula, 26
- Tailândia: Flávio Bolsonaro, 51; Lula, 40
- China, incluindo Hong Kong no recorte: Lula, 367; Flávio Bolsonaro, 203
Os números correspondem aos boletins já conhecidos e não devem ser confundidos com uma proclamação oficial do resultado do país ou do conjunto do eleitorado no exterior.
Europa começa a entrar nos boletins
Com o avanço do horário, começaram a aparecer também boletins provenientes da Europa.
Os primeiros registros disponíveis mostram Lula à frente em países como Finlândia, Noruega, Estônia, Suécia, França, Polônia e Tchéquia.
Em algumas dessas localidades, entretanto, nem todas as seções estavam incluídas nos dados disponíveis durante o início da tarde no Brasil.
Por isso, o quadro continuará mudando à medida que novos boletins forem transmitidos.
Estados Unidos e Portugal podem alterar bastante o retrato
Qualquer leitura do resultado neste momento também precisa considerar os países que concentram os maiores contingentes de brasileiros aptos a votar.
Os Estados Unidos possuem o maior eleitorado brasileiro no exterior. Portugal aparece logo depois, enquanto o Japão forma outro dos grandes colégios eleitorais fora do país.
Assim, os boletins conhecidos durante a manhã e o começo da tarde representam apenas uma parcela do voto estrangeiro.
Portugal encerrou sua votação às 17h no horário local, enquanto diferentes regiões dos Estados Unidos ainda permanecerão votando por várias horas devido aos fusos horários.
Mais de 918 mil brasileiros podem votar fora do país
Nas Eleições 2026, 918.876 brasileiros estão aptos a votar no exterior.
O eleitorado estrangeiro cresceu 31,82% em relação às eleições gerais de 2022, quando havia 697.078 pessoas habilitadas.
Os eleitores estão distribuídos por 186 cidades fora do Brasil.
Diferentemente de quem vota no território nacional, o brasileiro com domicílio eleitoral no exterior participa apenas da eleição para presidente e vice-presidente da República.
Boletim de urna não é o mesmo que totalização
Cada urna realiza a apuração dos votos registrados naquela seção após o encerramento da votação e produz um Boletim de Urna (BU).
Esse documento informa os votos recebidos por cada candidato naquela urna, além de votos brancos, nulos e outros dados da seção.
Depois, os boletins são transmitidos à Justiça Eleitoral. A totalização ocorre quando esses resultados são reunidos e processados pelo sistema eleitoral.
Por determinação do TSE, a divulgação do resultado presidencial — tanto dos votos brasileiros quanto daqueles registrados no exterior — começa somente às 17h deste domingo.
Até esse horário, portanto, os boletins permitem conhecer resultados de seções já encerradas, mas não autorizam tratar a soma disponível como resultado oficial da eleição presidencial.









