Demolição do Teatro Procópio Ferreira marca fim de símbolo cultural em São Paulo

Demolição do Teatro Procópio Ferreira marca fim de símbolo cultural em São Paulo | Reprodução/Instagram
Demolição do Teatro Procópio Ferreira começou nesta semana e encerra um dos capítulos mais emblemáticos da história cultural de São Paulo. Localizado na Rua Augusta, nos Jardins, o teatro teve a fachada retirada e dará lugar a um empreendimento imobiliário, selando o fim de um espaço que atravessou gerações da cena artística brasileira.
Inaugurado em 1948, o teatro funcionou por 77 anos como referência de espetáculos populares na capital paulista.
Palco de grandes nomes do teatro brasileiro
Ao longo de sua trajetória, o Procópio Ferreira recebeu artistas consagrados, como Paulo Autran e Tônia Carrero. O espaço se destacou pela programação acessível e pelo diálogo direto com o grande público.
Entre 1996 e 2002, o teatro ganhou projeção nacional ao se tornar o cenário fixo do programa “Sai de Baixo”, exibido nas noites de domingo pela TV Globo.
Encerramento das atividades e venda do terreno
A última peça apresentada no Procópio Ferreira encerrou temporada em maio de 2025. O teatro fechou definitivamente em novembro do mesmo ano.
Desde então, surgiram especulações sobre a venda do terreno para o mercado imobiliário, hipótese confirmada com o início das obras de demolição.
A área pertencia ao ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf. Segundo fontes do setor, o imóvel foi vendido para quitar parte de uma dívida de R$ 417 milhões, relacionada a condenações por improbidade administrativa.
Reações de artistas e do meio cultural
A demolição gerou forte repercussão entre artistas e produtores culturais.
Miguel Falabella, ator e diretor que integrou o elenco do “Sai de Baixo”, lamentou o fim do teatro em publicação nas redes sociais.
“Foi minha casa durante os anos divertidos do Sai de Baixo e, posteriormente, palco de inúmeras produções de que participei. É lamentável que mais um espaço cultural desapareça na maior cidade do país”, escreveu.
Crítica à perda cultural na cidade
O cineasta Kleber Mendonça Filho, diretor de “O Agente Secreto”, também se manifestou. Em postagem no Instagram, destacou o impacto simbólico da demolição.
“O Procópio Ferreira sendo demolido é inacreditável. Tudo o que São Paulo precisa no século 21 é perder um teatro de 77 anos de história”, afirmou.









