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RTX 5090 aparece por até US$ 9.500 e expõe crise no mercado de GPUs

Nvidia GeForce RTX 5090 Founders Edition, placa de vídeo lançada por US$ 1.999

RTX 5090 aparece por até US$ 9.500 e expõe crise no mercado de GPUs | Divulgação/NVIDIA

O preço da RTX 5090 entrou em uma zona difícil de imaginar quando a Nvidia apresentou sua placa mais poderosa para consumidores. Lançada com preço sugerido de US$ 1.999, a GPU já aparece no mercado americano em anúncios de terceiros que chegam a US$ 9.500.

Isso representa quase 4,8 vezes o MSRP original.

O número, porém, exige uma distinção importante. Não significa que toda RTX 5090 esteja sendo vendida por esse valor. Os preços mais extremos aparecem principalmente em revendedores terceiros, depois que o estoque convencional praticamente desapareceu de diversas lojas online nos Estados Unidos.

Ainda assim, mesmo fora desses casos, encontrar uma RTX 5090 perto do preço sugerido virou tarefa complicada.

E o problema não envolve apenas a placa mais cara da geração.

A combinação entre estoque apertado, memória GDDR7 cara e demanda crescente por GPUs para inteligência artificial começa a pressionar toda a cadeia de placas de vídeo.

RTX 5090 saiu por US$ 1.999

A Nvidia anunciou a GeForce RTX 5090 em janeiro de 2025, durante a apresentação da arquitetura Blackwell para consumidores.

O preço sugerido era de US$ 1.999 para a Founders Edition.

A placa chegou oficialmente ao mercado em 30 de janeiro de 2025, com 32 GB de memória GDDR7, barramento de 512 bits e 21.760 CUDA cores.

Desde o lançamento, a versão Founders Edition nunca foi exatamente fácil de encontrar.

Agora, contudo, a situação ficou mais extrema.

Em outubro de 2026, a própria loja oficial da Nvidia ainda exibe a RTX 5090 Founders Edition por US$ 1.999, mas o produto aparece fora de estoque.

É justamente aí que começa a distorção.

Revendedores já pedem até US$ 9.500

Com o desaparecimento de unidades das grandes lojas americanas, vendedores independentes passaram a preencher o espaço.

Alguns anúncios chegaram à faixa de US$ 6.500 a US$ 9.500.

No limite superior, uma RTX 5090 anunciada por US$ 9.500 custa aproximadamente 375% acima do preço sugerido, ou 4,75 vezes o MSRP.

Há também registros de vendas efetivamente concluídas em valores elevados.

Uma RTX 5090 Founders Edition usada foi vendida no eBay em setembro por US$ 5.859.

Outro exemplar novo apareceu vendido por US$ 4.800.

Ou seja, mesmo quando se olha para transações e não apenas para anúncios extremos, o mercado secundário permanece muito distante dos US$ 1.999 definidos originalmente pela Nvidia.

Por que a RTX 5090 ficou tão cara?

Não existe uma única causa.

O primeiro fator é simples: oferta limitada.

Se o produto desaparece das lojas tradicionais e continua existindo demanda, vendedores que ainda possuem unidades passam a testar preços cada vez maiores.

A RTX 5090 também ocupa uma posição incomum.

Ela não interessa apenas ao jogador que busca o máximo desempenho possível.

Os 32 GB de GDDR7 e a capacidade computacional da arquitetura Blackwell também tornam a placa atraente para criação de conteúdo, renderização e cargas locais de inteligência artificial.

Isso amplia a disputa pelo mesmo hardware.

Inteligência artificial disputa chips e memória

A expansão de infraestrutura para IA afeta um mercado muito maior do que o de placas gamer.

Grandes empresas estão comprando quantidades enormes de memória e aceleradores para data centers.

Fabricantes de memória precisam decidir como distribuir capacidade produtiva entre produtos como HBM, DRAM convencional, GDDR e NAND.

Nesse cenário, produtos de maior margem e voltados à infraestrutura de IA podem ganhar prioridade.

A consequência não aparece de maneira instantânea em uma RTX 5090 específica, mas aumenta a pressão sobre toda a cadeia.

GDDR7 virou outro problema

A própria memória utilizada pelas placas RTX Série 50 também encareceu.

A GDDR7 é uma das peças centrais da nova geração.

Relatos do mercado indicam que módulos de maior capacidade ficaram significativamente mais caros em 2026. O problema teria inclusive contribuído para atrasar ou colocar em dúvida produtos previstos para uma possível atualização da família RTX 50 Super.

Uma RTX 5090 utiliza 32 GB de GDDR7.

Portanto, qualquer aumento relevante no preço desses chips tem impacto direto no custo da placa.

Isso não significa que a memória sozinha explique uma RTX 5090 anunciada por US$ 9.500.

Esses valores extremos também refletem escassez e especulação.

Micron alerta que aperto pode continuar

A perspectiva para memória também não é particularmente tranquila.

A Micron, uma das maiores fabricantes mundiais de memória, projeta que a demanda continuará superior à oferta nos próximos anos.

A empresa espera um mercado apertado tanto em 2027 quanto em 2028, impulsionado principalmente pelo crescimento de data centers e inteligência artificial.

Novas fábricas estão sendo construídas, mas aumentar capacidade de produção de semicondutores leva anos.

Para quem pretende montar ou atualizar um PC, isso significa que a normalização dos preços pode não acontecer rapidamente.

E no Brasil?

O mercado brasileiro mostra outro retrato da mesma GPU.

Em pesquisas realizadas no início de outubro, diferentes versões da RTX 5090 aparecem no varejo especializado por valores muito distintos.

Uma ASUS ROG Astral LC RTX 5090 apareceu por cerca de R$ 18.800 à vista.

A MSI RTX 5090 Suprim Liquid estava na faixa de R$ 20.600.

Já modelos mais caros ultrapassavam R$ 30 mil.

Uma MSI RTX 5090 Lightning Z, por exemplo, aparecia anunciada por aproximadamente R$ 40 mil à vista.

Essa comparação não deve ser feita diretamente com os US$ 1.999 americanos.

O preço brasileiro incorpora impostos, logística, câmbio, margem do varejo e diferenças entre modelos customizados.

Além disso, placas como ROG Astral, Suprim e Lightning não correspondem à Founders Edition de referência usada para estabelecer o MSRP americano.

RTX 5090 não ficou quatro vezes mais cara em todo lugar

Esse é o ponto mais importante.

Dizer simplesmente que a RTX 5090 custa quatro vezes o preço de lançamento daria uma impressão errada.

O que aconteceu é mais específico.

A Founders Edition nasceu com MSRP de US$ 1.999, continua oficialmente listada nesse valor pela Nvidia, mas está indisponível. Ao mesmo tempo, a escassez abriu espaço para anúncios de terceiros que chegam a US$ 9.500.

Portanto, o preço oficial não quadruplicou.

O que explodiu foi o preço disponível em determinadas partes do mercado paralelo e de revenda.

E essa diferença diz muito sobre o problema.

Um MSRP perde parte de sua importância quando o consumidor simplesmente não consegue comprar o produto naquele valor.

O problema pode atingir placas mais baratas

A RTX 5090 é um caso extremo porque ocupa o topo da linha.

Entretanto, os fatores que pressionam seu preço não ficam necessariamente restritos a ela.

Se memória, produção e capacidade fabril permanecem disputadas, fabricantes podem enfrentar custos maiores também em modelos intermediários.

Isso não significa que toda placa de vídeo ficará quatro ou cinco vezes mais cara.

Mas ajuda a explicar por que uma eventual queda generalizada de preços pode demorar.

A RTX 5090 funciona hoje como uma espécie de termômetro exagerado de uma tensão maior: o mercado gamer passou a disputar componentes com uma indústria de inteligência artificial disposta a pagar muito mais por capacidade computacional.

Para o jogador, o resultado pode aparecer justamente onde mais dói: no preço do próximo upgrade.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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