Portugal respondeu dentro de campo ao momento mais turbulento do início da era Jorge Jesus. Sem Cristiano Ronaldo, que deixou a concentração após o desgaste com o treinador, a seleção portuguesa venceu a Dinamarca por 4 a 2, nesta quinta-feira (1º), em Copenhague, chegou à terceira vitória consecutiva na Liga das Nações e abriu seis pontos de vantagem na liderança do Grupo A4.
O resultado, porém, contou apenas parte da história. Portugal sofreu o empate duas vezes, recuperou a vantagem em ambas e apresentou sua produção ofensiva mais alta desde a chegada de Jesus.
João Cancelo, Gonçalo Ramos, Vitinha e João Félix marcaram os gols portugueses. Mikkel Damsgaard e Rasmus Højlund balançaram a rede pela Dinamarca.
Depois da partida, Vitinha atribuiu a evolução ao trabalho do novo treinador e afirmou que a equipe conseguiu manter o foco apesar de toda a repercussão em torno de Cristiano Ronaldo.
“O trabalho do mister começa a surtir efeito, já se vê.”
O meio-campista classificou a atuação como a melhor de Portugal nos três primeiros jogos sob o comando de Jorge Jesus.
Portugal reage duas vezes depois de sofrer empate
Portugal não precisou de uma atuação defensivamente perfeita para controlar a partida.
A equipe abriu o placar com João Cancelo, depois de assistência de Gonçalo Ramos. Entretanto, Damsgaard respondeu pela Dinamarca.
Pouco depois, o próprio Gonçalo Ramos recolocou Portugal na frente, após combinação com Bruno Fernandes.
A Dinamarca voltou a reagir no início do segundo tempo. Damsgaard encontrou Højlund, que empatou novamente.
A resposta portuguesa, porém, apareceu outra vez.
Vitinha marcou de cabeça, aproveitando cruzamento de Bruno Fernandes, e colocou Portugal em vantagem pela terceira vez.
Já nos minutos finais, João Félix saiu do banco para fechar o placar em 4 a 2, completando um contra-ataque.
Dessa forma, a capacidade de reação virou um dos principais sinais da partida. Portugal sofreu dois empates, mas não permitiu que a Dinamarca passasse à frente em nenhum momento.
João Félix marca pelo terceiro jogo seguido
A ausência de Cristiano Ronaldo também abriu espaço para observar como o ataque português se reorganizaria.
Gonçalo Ramos começou como centroavante e participou diretamente dos dois primeiros gols. Além da assistência para Cancelo, marcou o segundo.
Entretanto, João Félix voltou a produzir o número mais chamativo deste início de ciclo.
O atacante marcou nos três primeiros jogos de Jorge Jesus pela seleção.
Fez o gol da vitória por 1 a 0 contra o País de Gales, voltou a marcar no triunfo por 2 a 1 diante da Noruega e agora fechou a vitória sobre a Dinamarca.
A sequência reforça uma parceria que já havia funcionado no futebol saudita. Antes de assumir Portugal, Jorge Jesus comandou João Félix no Al-Nassr, período em que o atacante viveu sua temporada mais produtiva.
Ainda assim, a atuação em Copenhague não transforma Félix automaticamente em substituto de Cristiano Ronaldo. São jogadores com características e funções diferentes, enquanto a própria situação de CR7 na seleção continua sem definição.
Vitinha destaca evolução com Jorge Jesus
Vitinha também ganhou protagonismo.
Além do primeiro gol dele pela seleção principal, o meio-campista destacou a evolução coletiva desde a chegada do novo treinador.
Segundo o jogador, Portugal começou a assimilar melhor as ideias e dinâmicas de Jorge Jesus à medida que ganhou mais tempo de trabalho.
Vitinha também explicou que o elenco tentou se manter distante da turbulência provocada pela saída de Cristiano.
A resposta, segundo ele, aconteceu dentro de campo.
O comentário ganhou peso justamente porque o Folha do Leste mostrou na quinta-feira como Cristiano Ronaldo deixou a concentração após o desgaste com Jorge Jesus.
O atacante de 41 anos ainda não anunciou aposentadoria da seleção e prometeu explicar posteriormente as razões da decisão.
Jorge Jesus evita falar sobre Cristiano Ronaldo
Se os jogadores falaram sobre o momento esportivo, Jorge Jesus evitou prolongar publicamente o conflito.
Questionado sobre Cristiano depois da partida, o treinador preferiu destacar os quatro gols e a atuação portuguesa.
Jesus já havia avisado antes do jogo que só pretende abordar novamente o episódio depois do confronto contra a Noruega, no domingo (4).
O treinador classificou Cristiano como um “símbolo” de Portugal, mas também reiterou que as decisões sobre escalação pertencem à comissão técnica.
Antes mesmo da vitória na Dinamarca, a relação já havia mudado radicalmente desde a estreia de Jesus. No primeiro jogo do treinador, Cristiano ainda apareceu entre as principais referências ofensivas, como mostrou o Folha do Leste na vitória sobre o País de Gales.
Agora, Portugal soma duas vitórias consecutivas sem participação efetiva do maior artilheiro de sua história: Cristiano ficou no banco durante todo o jogo contra a Noruega e deixou a concentração antes do duelo com os dinamarqueses.
Portugal abre seis pontos na liderança
A vitória também produziu uma vantagem importante na Liga das Nações.
Portugal chegou aos nove pontos em três rodadas e mantém 100% de aproveitamento.
Dinamarca, Noruega e País de Gales aparecem com três pontos cada.
A diferença cresceu porque os galeses derrotaram a Noruega por 2 a 1 na mesma rodada.
Assim, Portugal poderá encaminhar antecipadamente a classificação para a fase eliminatória no domingo.
O próximo compromisso será contra a Noruega, no Estádio do Dragão, no Porto.
Uma nova vitória levará a equipe de Jorge Jesus a 12 pontos em quatro partidas.
Depois de uma semana dominada pela saída de Cristiano Ronaldo, Portugal chega ao próximo compromisso com outra discussão esportiva sobre a mesa: três vitórias, nove gols marcados e um ataque que encontrou diferentes protagonistas logo no início do trabalho de Jorge Jesus.









