
São Gonçalo inicia plano climático com 20% dos domicílios em área suscetível a inundação | Divulgação/Renan Otto/Prefeitura de São Gonçalo
São Gonçalo começou a elaborar seu Plano Local de Ação Climática (PLAC) em um cenário de alta exposição territorial a enchentes. Segundo dados oficiais do Observatório Fortalece São Gonçalo, 20,2% dos domicílios do município ficam em áreas classificadas com alta suscetibilidade a inundação.
Além disso, outros 13,4% dos domicílios aparecem em áreas de média suscetibilidade. Os dados não significam que todos esses imóveis alagam, mas indicam áreas onde o território exige maior atenção de planejamento, drenagem, prevenção e resposta a eventos extremos.
Plano deverá ficar pronto em 2027
O PLAC deve estabelecer ações de mitigação, adaptação e resiliência urbana. Na prática, o plano terá de apontar medidas para reduzir emissões, preparar a cidade para impactos climáticos e melhorar a resposta a desastres.
A elaboração começou em 2026 e tem conclusão prevista para 2027. São Gonçalo integra um projeto estadual que prevê 34 Planos Locais de Ação Climática em municípios fluminenses.
O trabalho reúne a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade, a ONU-Habitat, o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade e governos municipais.
Um em cada cinco domicílios está em área de alta suscetibilidade
O dado de 20,2% dos domicílios em áreas de alta suscetibilidade a inundação ajuda a explicar a relevância do plano para São Gonçalo.
A cidade já convive com episódios de alagamentos, deslizamentos e transtornos provocados por chuvas fortes. Portanto, a adaptação climática não aparece apenas como tema ambiental. Ela se conecta diretamente à segurança urbana, à drenagem, à ocupação do solo e à proteção de moradores.
Ainda assim, a divulgação da oficina não apresentou a relação de bairros considerados prioritários ou mais vulneráveis. Também não detalhou quais regiões deverão receber medidas iniciais.
Resíduos respondem por 53% das emissões
O plano também deverá tratar da redução de emissões de gases de efeito estufa. Nesse ponto, os dados municipais de 2023 indicam forte concentração em três setores.
Segundo a base divulgada, 53% das emissões estavam associadas à disposição final de resíduos. Já os transportes respondiam por 30,7%, enquanto os efluentes domésticos representavam 9,3%.
Esses números mostram que resíduos, mobilidade e saneamento terão peso central caso o município defina metas de redução de emissões. No entanto, a Prefeitura ainda não divulgou metas específicas por setor.
Mitigação, adaptação e resiliência
O PLAC trabalha com três conceitos principais.
Mitigação reúne medidas para reduzir emissões de gases de efeito estufa. Isso pode envolver, por exemplo, resíduos, transportes, energia e saneamento.
Adaptação trata da preparação da cidade para impactos climáticos já existentes ou esperados. Nesse campo entram enchentes, deslizamentos, calor extremo e outros eventos.
Já resiliência se refere à capacidade de responder, resistir e se recuperar após eventos extremos.
São Gonçalo também elabora plano de redução de riscos
São Gonçalo também desenvolve o Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR). Esse documento trata de ameaças como deslizamentos, enchentes e áreas vulneráveis.
Uma das questões que o novo planejamento deverá esclarecer é como o PLAC será articulado ao PMRR. A integração entre os dois planos pode evitar sobreposição de diagnósticos e ajudar a transformar dados em ações concretas.
No entanto, o material divulgado não confirma uma integração formal entre os dois documentos.
Oficina abriu etapa presencial
A primeira oficina presencial do PLAC ocorreu nesta segunda-feira (17), no Centro Cultural Joaquim Lavoura, no Estrela do Norte.
Participaram representantes da Prefeitura, do Governo do Estado, técnicos do projeto e integrantes da sociedade civil. A reunião abriu uma etapa de discussão presencial sobre riscos, vulnerabilidades e prioridades climáticas.
Entretanto, o material divulgado não informou quantas pessoas participaram, quais organizações estiveram presentes, quais bairros foram representados nem quais contribuições concretas surgiram na oficina.
O que ainda falta esclarecer
O PLAC deverá incluir diagnóstico, identificação de vulnerabilidades, definição de ações, indicadores de monitoramento, medidas de mitigação, adaptação e gestão de riscos.
Até agora, porém, a divulgação não detalhou metas de redução de emissões, bairros prioritários, orçamento, obras previstas, cronograma completo das próximas etapas ou custo estimado para executar as ações futuras.
Assim, o plano ainda está na fase de construção. O desafio será transformar os dados sobre inundações, resíduos, transportes e saneamento em metas verificáveis até 2027.







