A novadescoberta de gás na Colômbia anunciada pela Petrobras reforça o potencial energético das águas profundas do Caribe. A estatal identificou uma acumulação no poço exploratório Sandia-1, localizado no bloco GUA-OFF-0, na Bacia de Guajira.
O anúncio ocorreu nesta segunda-feira (3). Segundo a companhia, o poço fica a 42 quilômetros da costa colombiana e a cerca de 70,7 quilômetros de Santa Marta.
Além disso, Sandia-1 está sob uma lâmina d’água de 1.251 metros. O termo representa a distância entre a superfície do mar e o leito marinho.
A descoberta ganha importância porque ocorre perto de outros poços com grandes acumulações de gás. Assim, os novos dados ampliam as evidências sobre o potencial da região.
Sandia-1 fica perto de outras descobertas da Petrobras
O novo poço está localizado a 18 quilômetros do Sirius-1. Além disso, fica a apenas 9 quilômetros do Copoazu-1.
As duas áreas já apresentaram resultados positivos durante a campanha exploratória conduzida pela Petrobras e pela Ecopetrol.
Em março, por exemplo, as empresas confirmaram gás no Copoazu-1. O poço apresentou acumulações independentes da descoberta de Sirius, fortalecendo a avaliação de uma ampla província gasífera no Caribe colombiano.
Por isso, Sandia-1 não aparece isoladamente no mapa exploratório.
Ao contrário, o novo resultado acrescenta informações a uma sequência de descobertas realizadas no mesmo bloco.
Perfuração começou em junho
A Petrobras iniciou a perfuração do Sandia-1 em 12 de junho.
Depois de aproximadamente um mês e meio de trabalho, o poço alcançou sua profundidade final na quarta-feira (29).
A partir daí, a companhia iniciou a avaliação das informações coletadas durante a perfuração.
Segundo a Petrobras, os intervalos onde houve presença de gás passam agora por análises mais detalhadas.
Entre os procedimentos estão a avaliação de perfis de poço e os estudos laboratoriais das amostras obtidas.
Portanto, a descoberta não significa que a produção comercial começará imediatamente.
Antes disso, as empresas precisam determinar características como volume, qualidade do reservatório e viabilidade econômica.
Petrobras divide bloco com estatal colombiana
A exploração ocorre por meio de um consórcio entre Petrobras e Ecopetrol. A estatal colombiana detém 55,56% de participação no projeto. Já a Petrobras possui os 44,44% restantes.
Apesar da participação minoritária, a empresa brasileira atua como operadora do bloco GUA-OFF-0. Na prática, isso significa que cabe à Petrobras comandar as atividades técnicas e operacionais da exploração.
A companhia atua no país por meio da Petrobras International Braspetro B.V. – Sucursal Colômbia (PIB-COL). A mesma divisão societária aparece nos projetos anteriores da região, incluindo Sirius e Copoazu.
Descoberta pode reforçar segurança energética da Colômbia
Para a Petrobras, o resultado amplia o potencial de gás natural do litoral colombiano.
Segundo a companhia, os novos volumes poderão contribuir para a segurança energética da região.
No entanto, o tamanho da acumulação encontrada em Sandia-1 ainda precisa ser determinado.
Por isso, neste momento, não é possível comparar diretamente o novo poço com o volume já identificado em Sirius.
Ainda assim, a localização chama atenção.
A Ecopetrol já considerava Sandia-1 parte de seu portfólio exploratório de alto potencial para 2026. Em apresentação a investidores, a empresa apontava o Caribe colombiano como uma das principais áreas para crescimento da produção de gás.
Sirius revelou maior descoberta de gás da Colômbia
A importância da região aumentou principalmente depois dos resultados obtidos em Sirius.
Em 2024, Petrobras e Ecopetrol confirmaram no projeto uma descoberta com mais de 6 trilhões de pés cúbicos de gás in situ.
Na ocasião, a Petrobras classificou o resultado como a maior descoberta de gás natural da história da Colômbia. A estimativa indicava potencial para produção de aproximadamente 13 milhões de metros cúbicos por dia durante dez anos.
Além disso, a prioridade anunciada pelas empresas era abastecer o próprio mercado colombiano.
A elevada demanda interna reduz, pelo menos inicialmente, a possibilidade de direcionar esse gás ao Brasil.
Por outro lado, novas descobertas podem mudar os cálculos futuros.
Assim, resultados como os de Copoazu e Sandia ampliam a importância da campanha exploratória.
Região tem relação geológica com a Margem Equatorial
A Petrobras também relaciona a formação geológica da região à chamada Margem Equatorial.
Em 2024, executivos da companhia explicaram que, sob uma interpretação geológica mais ampla, essa faixa pode ser considerada desde a Colômbia até o litoral do Nordeste brasileiro.
No Brasil, entretanto, a expressão Margem Equatorial normalmente se refere às bacias marítimas localizadas entre o Rio Grande do Norte e o Amapá.
A área brasileira ganhou destaque nos últimos anos devido ao potencial para novas descobertas de petróleo e gás.
Ao mesmo tempo, a exploração provoca debates ambientais, principalmente nas áreas próximas à costa amazônica.
Petrobras amplia exploração fora do Brasil
A descoberta de Sandia-1 também faz parte da estratégia da Petrobras para recompor suas reservas.
O Plano de Negócios 2026-2030 prevê US$ 7,1 bilhões destinados à exploração. Parte desses recursos será aplicada em novas fronteiras dentro e fora do Brasil.
Entre os ativos internacionais prioritários aparecem Colômbia, São Tomé e Príncipe e África do Sul.
Além disso, a Petrobras adquiriu em 2026 participação em um bloco exploratório na Namíbia. A companhia também ampliou sua presença em São Tomé e Príncipe, onde passou a operar mais um bloco em julho.








