
Assassinato da juíza Patrícia Acioli completa 15 anos com mostra em homenagem ao seu legado | Reprodução
O assassinato da juíza Patrícia Acioli completa 15 anos na próxima terça-feira (11). O crime, que chocou o país e foi considerado um ataque à democracia e à independência do Poder Judiciário, também expôs o envolvimento de agentes públicos em práticas criminosas. Ela teve sua vida ceifada por policiais militares do 7º BPM (São Gonçalo) em brutal crime de execução na ao chegar em casa, em Piratininga, Niterói, com 21 tiros disparados contra seu carro, um FIAT Idea.
Investigação posterior apontou que 11 PMs, inclusive o comandante do Batalhão, estavam envolvidos no crime. Entretanto, todos foram devidamente, indiciados, denunciados, condenados e expulsos da corporação.
Para marcar os 15 anos da morte da magistrada e, ao mesmo tempo, e manter viva sua memória, a Cátedra Patrícia Acioli promove a 2ª Mostra Patrícia Acioli, entre os dias 10 e 12 de agosto, a partir das 10h, no campus da universidade, no Flamengo. Vale destacar que se trata de iniciativa do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Heroína da Pátria
Tramita na Câmara dos Deputados projeto para incluir o nome de Patrícia Acioli no “Livro de Aço dos Heróis e Heroínas da Pátria”. A proposta decorre de iniciativa do deputado federal Tarcísio Motta (PSOL).
“A história de Patrícia atravessa o tempo e chega até nós como compromisso com a vida, com a justiça e com a memória. A Cátedra Patrícia Acioli nasceu e seguirá existindo para manter esse legado vivo”, afirma o coordenador do projeto, o antropólogo Luiz Eduardo Soares.
O evento é gratuito e presencial. Para participar, basta clicar no texto desse parágrafo a seguir e se inscrever mediante cadastro em formulário Google. A programação completa está no Instagram @catedrapatriciaacioli. O endereço é Avenida Rui Barbosa 762, Flamengo (campus da UFRJ).
Três dias de debates e atividades culturais
Durante os três dias de programação, estudantes, pesquisadores, magistrados, representantes do sistema de Justiça, artistas e convidados participam de debates, apresentações e atividades culturais sobre temas ligados à trajetória da juíza.
A proposta consiste não só na preservação da memória de Patrícia Acioli, mas sobretudo, na discussão de questões que continuam presentes no país. Por exemplo, o acesso à Justiça, direitos humanos, violência institucional e defesa da democracia.
“Por meio do legado de Patrícia, transformamos memória em ferramenta de justiça. Ela foi além dos limites do gabinete e olhou nos olhos dos territórios. Sua trajetória segue inspirando ativistas, acadêmicos e a sociedade civil na defesa intransigente da justiça, na proteção dos direitos fundamentais e no combate à violência institucional e às violências de gênero”, afirma Miriam Krenzinger, uma das responsáveis pela Cátedra e professora da UFRJ.
A programação também terá a exposição imersiva “Patrícia”, com curadoria de Bia Lessa. A mostra estará aberta para visitação de 10 a 14 de agosto, na Sala dos Espelhos do Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ.
Cátedra reúne projetos em memória da magistrada
A Cátedra Patrícia Acioli teve sua criação em agosto de 2024 pelo Colégio Brasileiro de Altos Estudos da UFRJ e tem Luiz Eduardo Soares como seu coordenador. Constituem seus objetivos a preservação da a memória da magistrada, bem como a ampliação do debate sobre Justiça, segurança pública, direitos humanos e democracia.
Entre os projetos está um documentário sobre a vida de Patrícia Acioli, com roteiro e direção do jornalista Humberto Nascimento. De Igual forma, uma biografia e um Memorial Multimídia, que reunirá documentos, fotografias, vídeos e entrevistas sobre a trajetória da juíza, assassinada aos 47 anos.
Álvaro Ramos, Debora Guimarães e Jade Hodara realizaram o trabalho de pesquisa.
“A pesquisa sobre Patrícia Acioli provoca uma reflexão profunda sobre o exercício da magistratura e o enfrentamento da violência policial, mas, sobretudo, nos faz mergulhar no lado humano de uma mulher que praticou um amor profundo pelo ser humano, cultivou o respeito ao próximo e o acesso à justiça. Ninguém segue sendo o mesmo após conhecê-la”, afirmam os pesquisadores.
Observatório do Feminicídio
A Cátedra também abriga o Observatório do Feminicídio do Estado do Rio de Janeiro, criado em parceria com o Governo do Estado. Tal iniciativa terá seu lançamento no evento. O projeto, primordialmente, tem como objetivo produzir e reunir dados sobre feminicídios. Dessa forma, contribuir para o desenvolvimento e o fortalecimento de políticas públicas de prevenção e enfrentamento à violência contra mulheres.
Além dos projetos de pesquisa, a Cátedra desenvolve atividades educativas e culturais voltadas à preservação da memória de Patrícia Acioli e ao fortalecimento da cultura democrática.








