A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) a segunda fase da Operação Disclosure, que investiga suspeitas de fraudes contábeis nas Americanas. Os agentes cumprem nove mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro e em São Paulo.
A Justiça Federal também determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados em até R$ 54 bilhões. A medida busca preservar recursos enquanto a investigação apura a responsabilidade de envolvidos no esquema.
As suspeitas envolvem operações de risco sacado e contratos de verbas de propaganda cooperada (VPC) que, segundo a PF, teriam entrado na contabilidade sem lastro econômico.
Investigação mira fraudes que vieram à tona em 2023
As irregularidades contábeis das Americanas ganharam repercussão em janeiro de 2023, quando a empresa revelou inconsistências bilionárias em seus balanços e entrou em recuperação judicial.
A investigação aponta um rombo contábil estimado em R$ 25,3 bilhões. Desde então, a PF, o Ministério Público Federal (MPF) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) passaram a apurar a atuação de antigos executivos e possíveis impactos no mercado financeiro.
A nova fase tenta aprofundar a identificação de responsáveis e rastrear recursos eventualmente ligados às irregularidades.
O que é risco sacado?
O risco sacado é uma operação financeira usada no varejo. Nela, a empresa antecipa o pagamento de fornecedores com recursos obtidos junto a bancos.
Segundo a PF, parte dessas operações teria sido registrada de forma inadequada nas demonstrações financeiras da companhia. Isso poderia esconder o nível real de endividamento e alterar a percepção do mercado sobre a situação da empresa.
VPC entrou no foco das apurações
Dessa forma, as chamadas verbas de propaganda cooperada são incentivos comerciais que fornecedores podem conceder a varejistas para ações de divulgação e promoção de produtos.
Contudo, no caso das Americanas, a investigação apura contratos de VPC que teriam sido contabilizados sem efetiva base econômica. Assim, a suspeita é de que esses registros ajudaram a melhorar artificialmente os resultados apresentados ao mercado.
A PF também aponta indícios, em tese, de manipulação de mercado e associação criminosa.
Justiça bloqueia até R$ 54 bilhões
Enfim, a decisão judicial autorizou o sequestro de bens e valores em nome dos investigados, até o limite de R$ 54 bilhões.
Contudo, o bloqueio não representa condenação nem valor definitivo de eventual ressarcimento. A medida busca impedir que patrimônios sejam transferidos ou ocultados enquanto a investigação avança.
A ação tramita sob responsabilidade da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.








