Um sargento da Polícia Militar e um assessor da deputada federal Talíria Petrone (PSOL-RJ) estão entre os oito presos na Operação NXIVM, deflagrada nesta quarta-feira (28) pela Polícia Civil. A investigação, conduzida pela 74ª DP (Alcântara), apura uma rede suspeita de exploração sexual de adolescentes e produção de vídeos de violência sexual.
O terceiro-sargento Maurício Douglas Souza das Chagas Moura, de 35 anos, e o assessor parlamentar Carlos Alberto Lucio Bittencourt Filho, de 45, foram presos durante a ação.
Ao todo, foram expedidos 10 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão em Niterói, São Gonçalo e Maricá. Cerca de 90 policiais e 30 viaturas participaram da ação.
Segundo a Polícia Civil, os investigados filmavam estupros coletivos e torturas e usavam as imagens para ameaçar e chantagear uma adolescente. De acordo com as investigações, o esquema funcionava como “escravidão sexual”, onde os suspeitos se intitulavam “senhores” e tratavam as vítimas como “escravas”.
Imagens e vídeos no X do Folha do Leste.
É uma rede muito grande
Os investigados podem responder por estupro, estupro de vulnerável, corrupção de menores, exploração sexual de adolescente, associação criminosa e tortura, conforme a participação de cada um.
A polícia analisa o material apreendido para identificar outras possíveis vítimas e envolvidos. O delegado responsável pelo caso, Antônio Silvino, não descarta novas fases da operação nem a participação de outros policiais militares.
“Com certeza tem muita gente envolvida, isso é uma rede muito grande”, afirmou o delegado da 74ª DP (Alcântara), Antônio Silvino.
Investigação começou após prisão em Niterói
O inquérito teve início em julho, após a prisão de Matheus Rodrigues Gonçalves, que trabalhava no gabinete do vereador de Niterói Professor Túlio (PSOL). Ele também foi alvo desta operação, mas já estava preso acusado de estuprar uma adolescente de 16 anos em Icaraí.
Segundo o delegado Antônio Silvino, os pais procuraram a delegacia após perceberem mudanças no comportamento da filha.
De acordo com a investigação, os vídeos eram usados para ameaçar a adolescente com a divulgação das imagens aos familiares e nas redes sociais, caso ela não retornasse. Segundo o delegado, a violência aumentava a cada retorno.
A análise de celulares, computadores e imagens de câmeras de segurança ajudou a polícia a identificar outros suspeitos.
Entre os presos também está Miguel Ribeiro Magni, de 20 anos, suspeito de filmar as agressões. João Lucas Figueiredo Perrenoud, João Pedro Alecrim Soares, Natã Marques Pereira e Carlos Otávio de Oliveira Soares da Silva também foram detidos.
Adolescente está sob proteção
A adolescente procurou a delegacia acompanhada dos pais. Segundo os investigadores, ela sofreu graves consequências psicológicas e chegou a pensar em tirar a própria vida.
A vítima foi incluída no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM), após articulação da Polícia Civil com o Conselho Tutelar de São Gonçalo, o Ministério Público e o Judiciário de Niterói.
O que dizem os citados
A Polícia Militar informou que acompanha as investigações para avaliar as medidas cabíveis contra o sargento. A corporação declarou que não tolera desvios de conduta e adota medidas administrativas e disciplinares quando irregularidades são comprovadas.
O vereador Professor Túlio (PSOL) afirmou que exonerou Matheus Gonçalves em julho, assim que soube da prisão. Ele manifestou solidariedade às vítimas e defendeu a investigação e a responsabilização dos culpados.
Nota de Talíria Petrone
Em nota, a deputada Talíria Petrone confirmou a exoneração de seu assessor e repudiou a violência contra a mulher.
“Fui surpreendida na manhã de hoje com informações sobre a operação da Polícia Civil decorrente de investigações que seguem em curso sobre exploração sexual. Determinei a exoneração do assessor citado no processo, enquanto aguardamos a elucidação dos fatos.
Minha vida é e sempre foi pautada pela defesa intransigente das mulheres e de seus direitos. Expresso minha total solidariedade à vítima e à sua família. Não compactuamos com qualquer forma de violência, em especial contra meninas e mulheres. Nunca compactuaremos!
As investigações devem ser conduzidas com transparência, rigor e independência, respeitando o devido processo legal e garantindo a apuração dos fatos com base nas provas.
Seguiremos lutando contra toda violência que chega nas mulheres e meninas”, disse Talíria Petrone, em nota.









