
Obras em Santa Izabel avançam em 120 ruas de São Gonçalo | Divulgação/Jonnathan Smith/Prefeitura de São Gonçalo
Noventa e duas vias de Santa Izabel já receberam redes de drenagem de águas pluviais, enquanto 49 chegaram à etapa de meios-fios e calçadas e 22 foram pavimentadas. O avanço faz parte de um contrato de R$ 174.740.216,76 para drenagem, pavimentação asfáltica e urbanização do bairro, em São Gonçalo.
Os três números representam etapas diferentes do mesmo conjunto de ruas. Portanto, não podem ser somados. Uma via pavimentada, por exemplo, pode também estar entre aquelas que já receberam drenagem e calçadas.
Nesta quarta-feira (2), as equipes trabalhavam na Rua Hipólito Policarpo, com execução de meios-fios. Já a Rua Lúcio Souto de Avelar recebia novas calçadas, segundo o balanço municipal.
Entretanto, a divulgação atual não informa quantos quilômetros de drenagem, calçadas ou pavimento já foram efetivamente executados. Também não apresenta um novo percentual físico global da obra.
A referência física mais recente localizada antes desse balanço era de 33% de execução em 20 de julho, quando a Rua Ana Lúcia Ferreira recebeu pavimentação. Já o portal estadual de investimentos aponta atualmente 30,2% do contrato liquidado financeiramente. Os dois indicadores medem coisas diferentes e não devem ser comparados como se fossem o mesmo avanço.
Contrato prevê 42,2 quilômetros de intervenções
O projeto básico da Secretaria de Estado das Cidades delimita 42.189,29 metros de vias, ou aproximadamente 42,2 quilômetros. A tabela contratual reúne estradas, ruas identificadas e alguns trechos ainda registrados como “sem nome”.
Há, porém, uma divergência entre as divulgações oficiais sobre o número de vias.
Em agosto de 2025, quando a obra começou, Estado e Município informaram que o pacote alcançaria mais de 140 ruas. A Prefeitura repetiu esse quantitativo em julho deste ano. Já o comunicado desta quarta-feira reduziu a descrição para “mais de 120 vias”, sem explicar se houve alteração formal de escopo ou apenas mudança na forma de contabilização.
O próprio projeto básico ajuda a explicar por que uma contagem simples exige cautela. Alguns registros da tabela agregam mais de uma rua no mesmo trecho, enquanto outros repetem nomes provisórios em segmentos distintos. Por isso, 42,2 km é hoje a medida documental mais segura para dimensionar territorialmente o contrato.
Drenagem já chegou a 92 vias
A drenagem representa a etapa mais avançada numericamente. Segundo a Prefeitura, 92 ruas já têm a rede instalada. Em fevereiro, eram 32.
O projeto não trata essa rede como esgotamento sanitário. O objeto contratual especifica drenagem pluvial, destinada a captar e conduzir água da chuva.
Além disso, o diagnóstico técnico relaciona os problemas de macrodrenagem ao afluente do Rio Cabuçu, cuja seção foi descrita no projeto como assoreada e insuficiente para determinadas vazões da região. A finalidade oficial das intervenções é mitigar inundações e alagamentos, e não garantir que nenhuma ocorrência volte a acontecer.
O documento disponível não apresenta, em formato simplificado por rua, o ponto final de descarga de cada ramal. Portanto, não é possível afirmar que todas as 92 redes já instaladas estejam integralmente conectadas ao mesmo corpo receptor ou tenham a mesma capacidade hidráulica.
Pavimentação chegou a 22 ruas
O contrato não prevê apenas “pavimentação” em sentido genérico. Seu objeto especifica pavimentação asfáltica, e o projeto técnico adota referências para revestimento em concreto betuminoso usinado a quente.
Até esta quarta-feira, 22 vias haviam sido pavimentadas, segundo o município. Isso, porém, não significa automaticamente que todas estejam formalmente entregues.
Uma rua ainda pode necessitar de conclusão de calçadas, sinalização, acabamento, drenagem complementar ou correções antes do recebimento definitivo.
A Rua Ana Lúcia Ferreira é uma das vias cuja pavimentação foi publicamente confirmada. O serviço ocorreu em julho, quando a Prefeitura informou que o pacote havia alcançado 33% de execução física.
Calçadas e meios-fios chegaram a 49 vias
O balanço atual contabiliza 49 vias com meios-fios e calçadas concluídos. A Rua Hipólito Policarpo ainda estava na etapa de meio-fio nesta quarta, enquanto a Prefeitura apontava execução de calçadas na Rua Lúcio Souto de Avelar.
O projeto básico identifica a inexistência ou precariedade de calçadas como um dos problemas do território. Além disso, obriga a contratada a observar as normas de acessibilidade durante a execução.
Entretanto, os documentos e o balanço atual não detalham, rua por rua, rampas, piso tátil, largura livre ou demais elementos de acessibilidade efetivamente instalados. Por isso, o fato de uma calçada ser nova não basta para classificá-la jornalisticamente como acessível.
Há também uma diferença de nomenclatura que merece registro. O comunicado desta quarta chama uma das frentes de Rua Lúcio Souto de Avelar, enquanto o projeto básico lista Rua Lucio de Souza Avellar, com 554,34 metros. Os documentos consultados não esclarecem se se trata apenas de atualização cadastral ou de vias distintas.
Contrato é estadual e soma R$ 174,74 milhões
O investimento possui valor contratual definido: R$ 174.740.216,76.
O Contrato nº 020/2025 foi assinado em 29 de julho de 2025 entre a Secretaria de Estado das Cidades (Secid) e o Consórcio Pavimentação Bairro São Gonçalo.
O consórcio é formado pela FP Vieira Engenharia Ltda., líder, e pela RC Vieira Engenharia Ltda. A Secid aparece como contratante e executora institucional no portal estadual, enquanto a execução física fica a cargo do consórcio contratado.
Portanto, os R$ 174,74 milhões correspondem a um contrato do Governo do Estado, ainda que a Prefeitura participe institucionalmente da implantação e do acompanhamento das intervenções.
O valor também ficou abaixo do orçamento usado na fase final da concorrência. Em janeiro de 2025, a contratação chegou a ter orçamento estimado em R$ 197.353.055,72.
Estado registra 30,2% do contrato liquidado
O Portal Projetos RJ mantém a intervenção classificada como “Em execução” e registra 30,2% liquidado.
“Liquidado”, nesse contexto, é um indicador financeiro: corresponde à despesa reconhecida após comprovação do serviço ou fornecimento. Não significa que exatamente 30,2% de todos os quilômetros ou todas as etapas estejam fisicamente prontos.
Da mesma forma, o 33% divulgado em julho foi apresentado pela Prefeitura como avanço da obra. Portanto, os dois percentuais não devem ser usados como se um demonstrasse retrocesso em relação ao outro.
Prazo contratual é de 540 dias
O contrato estabelece 540 dias corridos, equivalentes aos 18 meses divulgados pelos governos, contados da data indicada na ordem de início.
O Portal Projetos RJ registra a intervenção na fase de execução desde 11 de agosto de 2025. Já o Governo do Estado divulgou o início das frentes de obra em 19 de agosto de 2025.
Assim, o cronograma original aponta para conclusão no início de 2027, desde que não haja paralisações, reprogramações ou aditivos de prazo. Como a ordem de início integral não apareceu entre os documentos públicos consultados, não é adequado fixar um dia exato de entrega apenas por cálculo de calendário.
O balanço desta quarta também não informou nova data de conclusão nem comunicou prorrogação.
Projeto prevê sinalização e acessibilidade após as etapas estruturais
O projeto básico não termina no asfalto.
Além da drenagem, base, pavimento e calçadas, o documento inclui referências técnicas para sinalização horizontal e vertical, além da obrigação de atender normas de acessibilidade.
Isso ajuda a entender por que 22 ruas pavimentadas não equivalem necessariamente a 22 vias concluídas e entregues.
Em uma sequência típica prevista pela própria composição contratual, a rede pluvial e a preparação estrutural antecedem o pavimento. Depois, ainda podem permanecer serviços de urbanização, calçadas, sinalização e acabamento.
Projeto técnico reconhece histórico de alagamentos
O projeto básico identifica falhas ou inexistência de drenagem, pavimento e sinalização na área de intervenção. Também registra problemas de macrodrenagem no entorno do afluente do Rio Cabuçu.
Por isso, a própria contratação define como objetivo mitigar os recorrentes problemas de inundações e alagamentos. O termo “mitigar” é importante: ele indica redução de risco e impacto, e não promessa de eliminação definitiva.
A cobertura anterior do Folha do Leste também registrou relatos de moradores sobre pontos que acumulavam água antes das intervenções. Esses testemunhos documentam experiências locais, mas não substituem medição hidráulica do desempenho final do sistema.
Lista completa das 92, 49 e 22 ainda não foi publicada
Apesar de divulgar os totais, a Prefeitura não apresentou nesta quarta-feira a relação completa das 92 ruas com drenagem, das 49 com calçadas e das 22 pavimentadas.
O projeto básico, por outro lado, traz a relação territorial completa prevista para intervenção, com extensão individual dos trechos e total de 42,2 quilômetros.
Assim, o morador consegue confirmar se sua via consta no escopo original, mas os documentos públicos atuais não permitem determinar, para todas elas, em qual fase o serviço estava nesta quarta-feira.
Obra em números
Infraestrutura em Santa Izabel
Extensão prevista: 42.189,29 metros, cerca de 42,2 km.
Vias/trechos: atuais divulgações falam em mais de 120; documentos anteriores falavam em mais de 140.
Com drenagem instalada: 92 vias.
Com meios-fios e calçadas concluídos: 49 vias.
Pavimentadas: 22 vias.
Valor contratado: R$ 174.740.216,76.
Contrato: nº 020/2025.
Contratante: Secretaria de Estado das Cidades.
Contratada: Consórcio Pavimentação Bairro São Gonçalo.
Prazo: 540 dias corridos, contados da ordem de início.
Avanço físico anteriormente divulgado: 33% em 20 de julho de 2026.
Percentual financeiro liquidado no portal estadual: 30,2%.
Situação: em execução.
Entenda as etapas
A obra não avança de forma idêntica em todas as ruas.
1. Drenagem pluvial
As equipes implantam tubulações, galerias e dispositivos destinados ao escoamento da água da chuva.
2. Meios-fios
Os elementos ajudam a organizar a seção da via e fazem parte da condução superficial das águas.
3. Calçadas
O projeto prevê reconstrução ou implantação de passeios e exige observância das normas de acessibilidade.
4. Preparação estrutural da pista
Inclui regularização do solo, bases e demais camadas necessárias antes do revestimento.
5. Pavimentação asfáltica
O contrato prevê revestimento asfáltico, e não apenas tratamento superficial genérico.
6. Sinalização e acabamento
A documentação contempla sinalização horizontal e vertical e demais serviços complementares.
Por isso, 92 + 49 + 22 não podem ser somados. São indicadores de fases sobrepostas.
Quais ruas já receberam obras
A relação completa das 92, 49 e 22 vias por estágio não foi disponibilizada no balanço desta quarta-feira. Estes são os trechos cujo estágio recente pôde ser confirmado nas fontes oficiais e no acervo do Folha do Leste:
| Rua | Drenagem | Meio-fio/calçada | Pavimentação | Situação confirmada |
|---|---|---|---|---|
| Hipólito Policarpo | integra o escopo | meio-fio em execução em 2/9 | não informada | frente ativa nesta quarta |
| Lúcio Souto de Avelar | não detalhada no balanço | calçadas em execução em 2/9 | não informada | frente ativa nesta quarta |
| Ana Lúcia Ferreira | integra o projeto | etapa anterior necessária | pavimentada em 20/7 | pavimentação confirmada |
| Justiniano Rocha | em execução em 30/6 | calçada em execução | preparação de solo | frente registrada em junho |
| Elízio Sodré | integra o projeto | calçadas registradas em fevereiro | terraplanagem registrada | etapa intermediária |
| Doutor Álvaro Sodré | integra o projeto | calçadas registradas em fevereiro | terraplanagem registrada | etapa intermediária |
O projeto básico traz dezenas de outras vias, entre elas Estrada do Sapê, Estrada do Cordeiro, Estrada de Itaitindiba, Rua Caminho dos Mendes, Rua Quintino Bocaiúva, Rua General Teles Ferreira, Rua José Rodrigues da Costa, Rua Nilton Berriel e Rua Guaporé. Contudo, constar do escopo não significa que o serviço já esteja concluído.
Consultar o projeto básico oficial com a relação das vias








