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MPRJ mira PMs suspeitos de receber propina do tráfico em Japeri

Agentes do Ministério Público realizam operação contra policiais militares investigados na Baixada Fluminense

MPRJ mira PMs suspeitos de receber propina do tráfico em Japeri | Reprodução

O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, nesta sexta-feira (03), uma operação contra dois policiais militares suspeitos de receber dinheiro de traficantes para não agir contra o comércio de drogas em comunidades de Japeri, na Baixada Fluminense.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os agentes teriam mantido uma relação criminosa com integrantes do Comando Vermelho. Em troca de propina, eles supostamente deixariam de combater a atuação do tráfico em áreas sob influência da facção.

Durante as buscas, um dos policiais acabou preso em flagrante por fraude processual. De acordo com o MPRJ, ele tentou se livrar do celular no momento em que os agentes cumpriam a ordem judicial.

Celular leva a prisão em flagrante durante operação

O MPRJ informou que o policial tentou ocultar ou descartar o aparelho para impedir o acesso a possíveis provas. Por isso, os agentes efetuaram a prisão em flagrante por fraude processual.

A ação cumpriu sete mandados de busca e apreensão em Queimados, Nova Iguaçu e também no 20º BPM, em Mesquita, unidade onde os dois alvos trabalham atualmente.

O Gaeco investiga os policiais por associação criminosa armada e corrupção passiva majorada. A apuração busca identificar a extensão do suposto esquema, os contatos com traficantes e eventual movimentação financeira ligada à acusação.

Investigação aponta suposta omissão em áreas de Japeri

Segundo o Ministério Público, os investigadores encontraram indícios de que os policiais recebiam valores para não reprimir atividades do tráfico em comunidades de Japeri.

A suspeita não se limita a uma conduta isolada. O Gaeco apura se os agentes integravam uma estrutura que usava a função pública para proteger interesses de criminosos armados.

Além disso, o MPRJ tenta identificar se outros policiais, intermediários ou traficantes participaram do esquema.

Grupo se autodenominava “Irmãos Metralha”

A investigação surgiu a partir da apuração sobre crimes atribuídos ao policial militar Alan Silva do Nascimento.

De acordo com o Gaeco, Alan e integrantes de sua guarnição usavam a denominação “Irmãos Metralha”. Na época, os dois policiais alvo da operação desta sexta faziam parte desse grupo.

Todos atuavam no 24º BPM (Queimados), batalhão responsável pelo policiamento em Queimados, Japeri, Itaguaí, Paracambi e Seropédica.

O Ministério Público afirma que, ao aprofundar a análise sobre a atuação da guarnição, identificou elementos que apontavam para crimes de corrupção envolvendo Alan e outros integrantes do grupo.

Caso anterior envolve denúncia por homicídio e condenação

Alan Silva do Nascimento já responde a uma denúncia por homicídio e possui condenação por tráfico de drogas, posse ilegal de fuzil e munições de calibre restrito, segundo o MPRJ.

Ele foi preso em setembro de 2024 ao lado da companheira, após o assassinato de Cláudio Roberto Santos Silva, em Nova Iguaçu.

Conforme as investigações do Gaeco e da Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF), o crime ocorreu depois de uma colisão entre a motocicleta da vítima e o carro ocupado pelo casal.

Após a batida, os acusados teriam perseguido Cláudio. Em seguida, um dos ocupantes do veículo atirou contra ele. A vítima caiu já sem vida.

Na mesma ocasião, Alan e a mulher também receberam autuação em flagrante por tráfico de drogas.

O MPRJ usa os elementos reunidos nessa investigação anterior como ponto de partida para examinar a conduta de outros policiais que integravam a guarnição.

PM afirma que não aceita desvios de conduta

A Polícia Militar informou que a Delegacia de Polícia Judiciária Militar (DPJM) apoiou a operação do Ministério Público.

Em nota, a corporação declarou que não compactua com desvios praticados por integrantes da instituição e afirmou que aplicará punições caso as investigações comprovem as irregularidades.

“A corporação reitera que não compactua com desvios de conduta cometidos por seus entes e que, após comprovados os fatos, serão punidos com o rigor da lei”, afirmou a PM.

A investigação continua. Os mandados cumpridos nesta sexta devem ajudar o Gaeco a analisar dados de celulares, documentos e outros materiais apreendidos durante a operação.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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