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Brasileiro que fez gol no Palmeiras vira melhor estrangeiro da Índia antes de duelo com Seleção

Miguel Figueira em ação pelo futebol indiano após passagem pelo Goiás

Brasileiro que fez gol no Palmeiras vira melhor estrangeiro da Índia antes de duelo com Seleção | Reprodução

Às vésperas do inédito Índia x Brasil, um brasileiro ocupa posição de destaque justamente no futebol que receberá a Seleção neste sábado (3). Miguel Figueira, meio-campista de 26 anos revelado pelo Goiás, terminou a última temporada como vencedor da Bola de Ouro da Indian Super League e também recebeu o prêmio de melhor jogador estrangeiro do futebol indiano.

A trajetória possui ainda uma conexão curiosa com o futebol brasileiro. Em 21 de novembro de 2020, Miguel saiu do banco e marcou aos 47 minutos do segundo tempo o gol da vitória do Goiás por 1 a 0 sobre o Palmeiras, então comandado por Abel Ferreira.

Seis anos depois, ele vive do outro lado do mundo e acabou de trocar o campeão East Bengal pelo Mohun Bagan, um dos clubes mais tradicionais da Índia.

Miguel não enfrentará a Seleção Brasileira. Ele continua sendo brasileiro e, portanto, não integra a equipe indiana. Porém, conhece de perto vários jogadores que estarão do outro lado neste sábado e se transformou em um exemplo pouco conhecido no Brasil da presença brasileira no crescimento do futebol local.

Miguel Figueira comandou campanha campeã do East Bengal

A grande transformação da carreira aconteceu na temporada 2025/26.

Miguel disputou sua primeira Indian Super League pelo East Bengal e terminou a competição com 11 partidas, dois gols e cinco assistências.

Os números ofensivos contam apenas parte de sua participação.

O meia criou 38 oportunidades e distribuiu 33 passes decisivos, tornando-se uma das principais referências de construção da equipe.

No fim da temporada, o East Bengal conquistou seu primeiro título da Indian Super League.

A organização da competição entregou a Miguel a Golden Ball, prêmio destinado ao principal jogador do campeonato.

Meses depois, houve outro reconhecimento. A associação dos jogadores profissionais da Índia, a FPAI, escolheu o brasileiro como Foreign Player of the Year, ou jogador estrangeiro do ano.

Há uma diferença importante: o prêmio de Indian Player of the Year ficou com Lallianzuala Chhangte. Portanto, Miguel não foi eleito o “melhor jogador indiano”, mas terminou a temporada com duas das principais distinções individuais disponíveis a um estrangeiro no país.

Gol contra Palmeiras ainda marca passagem pelo Brasil

Antes de construir a carreira na Ásia, Miguel passou pelo futebol brasileiro.

Nascido em Santana, no Amapá, em 22 de abril de 2000, chegou às categorias de base do Goiás e posteriormente ganhou espaço no profissional.

O momento mais lembrado daquela passagem aconteceu contra o Palmeiras.

Em 21 de novembro de 2020, Goiás e Palmeiras estavam empatando sem gols na Serrinha. Miguel começou no banco e entrou aos 33 minutos do segundo tempo.

Já nos acréscimos, recebeu a bola fora da área e acertou um chute forte para vencer Weverton.

Era o minuto 47 do segundo tempo.

O gol encerrou um jejum de 11 partidas sem vitória do Goiás no Campeonato Brasileiro e definiu o triunfo por 1 a 0.

Abel Ferreira já comandava o Palmeiras naquele momento. O treinador português havia assumido a equipe poucas semanas antes.

Miguel tinha apenas 20 anos.

Ásia mudou rumo da carreira

A passagem pelo Goiás não produziu a continuidade esperada, e Miguel mudou completamente o rumo da carreira em 2022.

O brasileiro deixou o país e acertou com o Bashundhara Kings, de Bangladesh.

A mudança abriu um mercado que acabaria transformando sua trajetória.

Miguel permaneceu três temporadas no futebol bengalês, conquistou títulos nacionais e chamou atenção de clubes da Índia.

Em 2025, o East Bengal levou o meia para Calcutá.

A adaptação aconteceu rapidamente. Além dos números ofensivos, Miguel assumiu papel central na circulação da bola e na criação da equipe que acabaria campeã.

O desempenho também transformou seu status no mercado.

Campeão trocou East Bengal pelo maior rival

Depois do título, Miguel protagonizou uma transferência de forte repercussão local.

O brasileiro deixou o East Bengal e assinou com o Mohun Bagan, justamente o maior rival do antigo clube.

A rivalidade entre as equipes produz o Kolkata Derby, um dos confrontos mais tradicionais do futebol asiático.

O Mohun Bagan anunciou Miguel em julho e entregou a ele a camisa 10.

Além disso, o clube possui uma ligação histórica com o Brasil.

Em 1977, o Mohun Bagan enfrentou o New York Cosmos de Pelé em Calcutá. A partida permanece como um dos acontecimentos mais lembrados da história esportiva da cidade.

Quase cinco décadas depois, a própria Seleção Brasileira chega ao mesmo ambiente.

Companheiros de Miguel estarão contra o Brasil

A transferência também aproximou Miguel ainda mais da seleção indiana.

O elenco do Mohun Bagan reúne diversos jogadores convocados por Khalid Jamil, entre eles nomes como Anirudh Thapa, Sahal Abdul Samad e Manvir Singh.

Assim, mesmo sem poder disputar Índia x Brasil, Miguel convive diariamente com atletas que enfrentarão Vinicius Júnior, Marquinhos e os demais convocados por Carlo Ancelotti.

A Índia vem de empate por 1 a 1 com o Panamá e encara agora o adversário de maior posição no ranking da Fifa desde que o sistema foi criado, em 1992.

O encontro também terá caráter histórico para o Brasil.

Será a primeira partida entre as seleções principais de Brasil e Índia.

O Folha do Leste mostrou que Ancelotti confirmou Pedro Morisco no gol e utilizará o terceiro goleiro diferente nos três jogos desta Data Fifa.

A bola rola neste sábado, 3 de outubro, às 11h pelo horário de Brasília, no Salt Lake Stadium, em Calcutá.

Brasil encontra país onde brasileiro virou protagonista

Índia x Brasil naturalmente coloca frente a frente seleções com histórias muito diferentes.

O Brasil chega como pentacampeão mundial e atual quinto colocado do ranking da Fifa. A Índia ocupa posição muito mais baixa e jamais disputou uma Copa do Mundo masculina.

Entretanto, o futebol brasileiro já deixou diversas marcas no país.

Antes de Miguel, nomes conhecidos como Elano e Roberto Carlos passaram pela liga indiana. Pelé criou uma das imagens mais históricas do esporte local ainda em 1977.

Agora, há uma diferença.

Miguel Figueira não desembarcou na Índia como uma estrela veterana em busca de uma última experiência internacional. Chegou aos 25 anos, virou campeão, conquistou a Bola de Ouro e foi eleito o melhor estrangeiro da temporada.

Na véspera do primeiro Índia x Brasil da história, essa talvez seja a conexão mais atual entre os dois futebóis.

Um jogador que saiu do banco para decidir contra o Palmeiras aos 20 anos precisou atravessar Bangladesh e Índia para alcançar, seis anos depois, o melhor momento de sua carreira.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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