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Mercado de PCs despenca 20% e memória cara ameaça quem pretende trocar de computador

Placa-mãe de computador com módulos de memória RAM e componentes de armazenamento, em imagem ilustrativa do mercado de PCs.

Mercado de PCs despenca 20% e memória cara ameaça quem pretende trocar de computador | Reprodução/Gamegpu

O mercado mundial de computadores registrou uma queda superior a 20% no terceiro trimestre de 2026, interrompendo a recuperação observada anteriormente no setor. Segundo levantamento divulgado pela IDC na quinta-feira (8), os fabricantes enviaram aproximadamente 62,7 milhões de PCs ao mercado, contra 78,5 milhões no mesmo período de 2025.

A retração de 20,1% acontece em meio ao encarecimento de componentes, dificuldades de abastecimento e antecipação de compras durante o primeiro semestre. Outra consultoria, a Omdia, confirmou a tendência na sexta-feira (9), identificando queda de 21,2% nas remessas mundiais.

Embora as duas empresas apresentem números absolutos diferentes, ambas apontam uma mudança importante: a memória RAM e os SSDs estão consumindo uma parcela cada vez maior do custo de fabricação dos computadores. A demanda dos centros de dados voltados à inteligência artificial também exerce pressão sobre a produção de semicondutores.

Para o consumidor brasileiro, a questão prática é saber se ainda vale a pena comprar um PC novo, trocar componentes ou adiar o investimento. A resposta depende do equipamento atual e das necessidades de uso. A queda nas remessas globais não significa, por si só, que os computadores ficarão mais baratos nas lojas.

Mercado de computadores perdeu quase 16 milhões de unidades em um ano

Os resultados preliminares da IDC mostram que o setor passou de aproximadamente 78,5 milhões de computadores enviados no terceiro trimestre de 2025 para 62,7 milhões entre julho e setembro deste ano.

A diferença representa cerca de 15,8 milhões de unidades a menos na comparação anual.

Além disso, houve queda de 9,1% em relação ao segundo trimestre de 2026, comportamento incomum para o período. Historicamente, o terceiro trimestre costuma receber impulso das compras relacionadas à volta às aulas em determinados mercados e à preparação comercial para o fim do ano.

É importante observar que remessas não são a mesma coisa que vendas ao consumidor final. O levantamento considera os equipamentos enviados ao mercado pelos fabricantes, incluindo volumes destinados aos canais de distribuição.

Portanto, os dados não significam que exatamente 62,7 milhões de pessoas compraram computadores durante o trimestre.

A redução também reflete decisões de fabricantes e distribuidores sobre produção, estoques e reposição de mercadorias.

Omdia confirma queda e aponta diferenças entre notebooks e desktops

O levantamento independente da Omdia encontrou uma retração de 21,2%, com aproximadamente 58,1 milhões de computadores enviados mundialmente no terceiro trimestre.

Desse total, 46,4 milhões eram notebooks e estações de trabalho móveis. O segmento apresentou queda anual de 20,6%.

Os desktops e estações de trabalho de mesa somaram aproximadamente 11,7 milhões de unidades, com recuo de 23,5%.

A diferença entre os totais da IDC e da Omdia decorre das metodologias e dos recortes utilizados pelas consultorias. Não é adequado somar ou combinar diretamente os dois levantamentos.

Entretanto, a conclusão central coincide: houve forte contração na distribuição mundial de computadores durante o período.

Esse cenário preocupa tanto fabricantes quanto empresas que dependem de renovar periodicamente seus equipamentos.

Memória RAM e SSD chegam perto de 40% do custo de um PC

Um dos números mais expressivos do levantamento da Omdia envolve o peso dos componentes de armazenamento e memória.

Segundo o analista Ben Yeh, a participação conjunta de DRAM e SSDs no custo de fabricação dos computadores passou de um patamar típico próximo de 15% para quase 40%.

A consultoria atribui essa mudança a aumentos expressivos nos preços de componentes durante os últimos trimestres.

Isso significa que fabricantes passaram a gastar proporcionalmente muito mais com peças que, anteriormente, representavam uma parcela menor do orçamento necessário para montar cada equipamento.

Entretanto, não significa que todo computador ficou 40% mais caro ou que cada memória RAM vendida ao consumidor brasileiro sofreu exatamente o mesmo reajuste.

O percentual representa a participação dos componentes na estrutura de custos analisada pela consultoria.

O impacto final depende do fabricante, da configuração, dos contratos de fornecimento e das condições comerciais de cada mercado.

Inteligência artificial disputa capacidade de produção com PCs

A expansão dos centros de dados voltados à inteligência artificial é um dos fatores que ajudam a explicar a pressão sobre o setor.

Servidores utilizados no treinamento e na execução de sistemas de IA demandam grandes volumes de memória e armazenamento.

Ao mesmo tempo, fabricantes de semicondutores precisam decidir como distribuir sua capacidade produtiva entre diferentes tipos de componentes.

De acordo com análise da IDC sobre a crise de memória, parte da indústria direcionou investimentos e produção para memórias de alta largura de banda, conhecidas como HBM, e soluções de maior valor agregado destinadas a servidores.

Essa estratégia pode restringir a disponibilidade de determinados componentes utilizados em computadores convencionais.

Entretanto, HBM não é a mesma memória DDR5 instalada em um PC doméstico. As tecnologias possuem aplicações e características distintas.

A ligação econômica está na disputa por investimentos, instalações industriais e recursos de produção dentro do setor de semicondutores.

Portanto, não seria correto afirmar que cada módulo de memória destinado à inteligência artificial representa diretamente um módulo DDR5 retirado das prateleiras.

Fabricantes anteciparam pedidos e agora enfrentam estoques elevados

O aumento dos custos não explica sozinho a retração do mercado.

Segundo a IDC e a Omdia, fabricantes, distribuidores e outros compradores anteciparam encomendas durante o primeiro semestre de 2026, tentando reduzir a exposição a novos aumentos de preços e dificuldades de fornecimento.

Essa antecipação fortaleceu temporariamente os volumes de remessas.

Entretanto, também concentrou parte das compras que poderiam acontecer posteriormente.

Quando o terceiro trimestre começou, muitos distribuidores já possuíam estoques adquiridos nos meses anteriores.

Com os computadores mais caros e a demanda enfraquecida, a necessidade de repor esses produtos diminuiu.

O resultado foi uma combinação de pedidos menores aos fabricantes, estoques acumulados e consumidores mais cautelosos.

Esse mecanismo ajuda a explicar por que as remessas caíram mesmo em um mercado que continua dependendo de computadores para trabalho, estudo e entretenimento.

Lenovo continua líder, enquanto HP sofre a maior queda

A retração atingiu as principais fabricantes de computadores.

Segundo a Omdia, a Lenovo permaneceu na liderança mundial, com aproximadamente 14,9 milhões de unidades enviadas e participação próxima de 26%.

A HP ocupou a segunda posição, com cerca de 10,3 milhões de equipamentos, mas registrou uma das quedas mais intensas entre as grandes marcas: aproximadamente 31% na comparação anual.

A Dell ficou em terceiro lugar, com 7,6 milhões de unidades, seguida pela Apple, com 6,8 milhões, e pela Asus, com 5,4 milhões.

A Apple apresentou recuo de aproximadamente 11%, inferior à média do setor, e ampliou sua participação relativa.

Já a Asus registrou a menor queda entre as cinco maiores marcas, segundo a consultoria.

Entretanto, ganhar participação de mercado não significa necessariamente vender mais computadores. Uma empresa pode ampliar sua fatia quando seus concorrentes encolhem em ritmo mais acelerado.

Queda nas remessas pode provocar promoções, mas não garante preços menores

Um mercado com estoques elevados pode criar oportunidades de descontos.

Distribuidores e lojas podem oferecer promoções para liberar espaço e transformar mercadorias paradas em receita.

Entretanto, o custo elevado de reposição limita a possibilidade de reduções duradouras nos preços.

Se uma loja vender um computador com desconto hoje, talvez precise pagar mais caro para adquirir um equipamento equivalente posteriormente.

Por isso, a queda nas remessas não permite concluir automaticamente que haverá uma liquidação generalizada.

O comportamento dos preços também depende do tipo de equipamento, da configuração, do fabricante e da região.

Para o Brasil, entram ainda fatores como cotação do dólar, impostos, custos de importação e política comercial das lojas.

Os estudos globais da IDC e da Omdia não fornecem, por si só, uma previsão específica para o preço dos computadores vendidos no varejo brasileiro.

Vale a pena comprar computador agora ou esperar?

A primeira recomendação é identificar qual problema realmente precisa ser resolvido.

Se o equipamento atual não atende mais às atividades profissionais ou aos requisitos dos programas utilizados, adiar a compra pode representar perda de produtividade.

Por outro lado, quem deseja apenas aumentar o desempenho em jogos pode avaliar se uma atualização pontual oferece melhor resultado.

Em um computador que já possui processador adequado, por exemplo, acrescentar memória RAM ou substituir um HD por SSD pode melhorar determinadas tarefas sem exigir a compra de uma máquina completa.

Entretanto, o valor dessas melhorias depende das limitações existentes.

Um SSD mais rápido não resolve, necessariamente, problemas de FPS causados pela placa de vídeo. Da mesma forma, adicionar RAM não transforma uma GPU antiga em um modelo de última geração.

O ideal é comparar o custo da atualização, a vida útil esperada do equipamento e o preço de um computador novo equivalente.

Quem monta PC gamer deve observar o preço total, não apenas a placa de vídeo

Durante muitos anos, a placa gráfica concentrou grande parte da atenção de quem montava computadores para jogos.

Ela continua importante, mas a alta de memória e armazenamento pode alterar significativamente o orçamento.

Antes de escolher os componentes, é recomendável definir resolução desejada, jogos utilizados, taxa de quadros pretendida e limite de gastos.

Com essas informações, o comprador consegue avaliar quais peças realmente influenciam a experiência.

Também deve verificar a compatibilidade entre processador, placa-mãe, geração de memória e sistema de armazenamento.

Uma placa-mãe compatível apenas com determinado padrão de RAM pode limitar as opções disponíveis.

Já comprar uma unidade NVMe de velocidade extremamente elevada nem sempre oferece benefícios proporcionais em jogos.

Em um mercado pressionado pelos preços, equilibrar os componentes pode ser mais importante do que escolher a especificação máxima de cada peça.

Notebooks exigem atenção especial à possibilidade de atualização

O encarecimento dos componentes também torna importante verificar o potencial de atualização dos notebooks.

Em alguns modelos, a memória RAM está soldada à placa-mãe, impedindo sua substituição convencional.

Outros oferecem slots adicionais, permitindo aumentar a capacidade posteriormente.

O armazenamento pode apresentar limitações semelhantes, dependendo do espaço físico e da quantidade de conexões disponíveis.

Por isso, antes de comprar, vale consultar a documentação técnica exata do modelo, e não apenas informações gerais sobre a família do produto.

Também é importante considerar se a configuração escolhida será suficiente durante os próximos anos.

Entretanto, comprar memória muito acima das necessidades atuais não representa automaticamente o melhor investimento, especialmente quando o orçamento é limitado.

Mercado de PCs pode enfrentar nova retração em 2027

As perspectivas divulgadas pela Omdia indicam que a pressão sobre o setor poderá continuar.

A consultoria prevê uma queda de 24% nas remessas durante o quarto trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Para o ano completo de 2027, a projeção é de retração adicional de 7%.

Entretanto, essas estimativas são previsões, não resultados já registrados.

O comportamento do mercado dependerá da oferta de componentes, dos preços, das condições econômicas e das decisões de fabricantes e consumidores.

A IDC também havia alertado, em análise publicada em junho, para a possibilidade de a escassez de memória continuar pressionando a indústria durante 2027.

Isso aumenta a incerteza para quem pretende esperar uma normalização rápida dos preços.

Consumidor precisa desconfiar de previsões fáceis sobre preços

Os números divulgados em outubro mostram um mercado em dificuldade, mas não permitem determinar o momento ideal para comprar um computador.

Uma queda de 20% nas remessas não representa desconto de 20% nas lojas. Também não significa que todos os equipamentos ficarão mais caros imediatamente.

Os efeitos variam entre fabricantes, segmentos e regiões.

Quem não precisa trocar de computador agora pode acompanhar os preços de configurações específicas, considerando o histórico das ofertas.

Já quem depende do equipamento para trabalhar ou estudar deve avaliar o custo de permanecer com uma máquina insuficiente.

Para os jogadores, o caminho é identificar se o desempenho está limitado por GPU, CPU, memória ou armazenamento antes de investir.

O mercado mundial de PCs enfrenta uma combinação incomum de custos elevados, estoques acumulados e demanda enfraquecida.

Nesse cenário, a melhor estratégia não é tentar adivinhar quando os preços vão cair. É compreender o que cada componente oferece e comprar de acordo com uma necessidade real, não com a promessa de desempenho que aparece na embalagem.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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