
Marcão revela que não viu pênalti decisivo e exalta “São Fábio” após classificação | Marcelo Gonçalves/Fluminense
Marcão nem conseguiu olhar para a cobrança decisiva que colocou o Fluminense nas quartas de final da Libertadores. Depois do empate por 1 a 1 com o Independiente Rivadavia e da vitória por 5 a 4 nos pênaltis, nesta terça-feira (18), em Mendoza, o técnico interino revelou que apelou para a fé — e para o goleiro que decidiu a classificação.
“Realmente estou muito feliz. Vou ser sincero, no último pênalti, eu nem vi. Só pedi ajuda ao Papai lá, né? E o ‘São Fábio’ para nos ajudar”, contou Marcão.
Fábio correspondeu à confiança. O goleiro defendeu duas cobranças na disputa e foi decisivo para colocar o Fluminense entre os oito melhores da Libertadores de 2026. A Conmebol confirma o empate por 1 a 1 no tempo normal e o triunfo tricolor por 5 a 4 nos pênaltis.
“Pode ser o Marcão, o Guardiola…”
Apesar de viver um início perfeito no comando interino, Marcão evitou colocar a classificação na conta do treinador.
Para ele, o resultado pertence principalmente ao elenco.
“Não é quem está sentado aqui, pode ser o Marcão, o Guardiola… É o que eles responderam lá dentro”, afirmou.
O treinador destacou também o comportamento do banco de reservas e a mobilização do grupo durante a disputa.
“Quando eles estão assim, a gente vê no fim do jogo todo mundo em pé, todo mundo vivendo isso.”
Marcão foi ainda mais longe ao distribuir os méritos.
“Lógico que tem a nossa parcela, mas 90% é deles.”
Marcão destaca conexão com a torcida
O interino apontou também a relação entre jogadores e torcida como elemento fundamental para a reação recente do Fluminense.
“Quando existe essa conexão, essa sinergia entre torcedor e jogador, dificilmente a gente perde.”
Essa aproximação ganhou importância depois de um período turbulento.
Uma semana antes da classificação, o Fluminense havia empatado por 0 a 0 com o próprio Independiente Rivadavia no Maracanã e deixado o campo sob protestos. O Folha do Leste mostrou naquele momento a insatisfação da torcida com a atuação da equipe.
Poucos dias depois, Luis Zubeldía deixou o comando.
Marcão assumiu.
E o ambiente mudou rapidamente.
Duas partidas, duas respostas
Marcão comandou o Fluminense apenas duas vezes desde a saída de Zubeldía.
Na estreia, sábado (15), o Tricolor venceu o líder Palmeiras por 3 a 2 no Maracanã, com Germán Cano marcando o gol da vitória nos acréscimos. O resultado encerrou uma sequência de oito partidas sem vitória.
Três dias depois veio um desafio completamente diferente.
Na Argentina, o Fluminense ficou com dez jogadores desde os 12 minutos do segundo tempo, abriu o placar com Kevin Serna, sofreu o empate de Alex Arce nos acréscimos e precisou sobreviver aos pênaltis.
Sobreviveu.
E novamente venceu sob o comando de Marcão.
“Até quando? A gente vai ficando”
A sequência imediatamente levantou uma questão inevitável: Marcão continuará como treinador do Fluminense?
Ele não tentou responder.
“Até quando? A gente vai ficando.”
O interino afirmou que seguirá disponível enquanto o clube entender que precisa dele.
“Se o clube precisar por mais um jogo, por mais um jogo fica. Se precisar por mais dois jogos, a gente fica. Deixa Papai do Céu nos guiar.”
A postura reforça o discurso adotado desde que voltou a assumir temporariamente a equipe.
“Sou um funcionário do clube. Foi um desafio. Pessoalmente, estou muito feliz de ter contribuído da forma que a gente poderia.”
Marcão volta a cumprir papel conhecido no Fluminense
A situação não é exatamente nova para Marcão.
Homem de confiança do Fluminense e com longa trajetória no clube, ele já assumiu o time principal em outros momentos de transição.
Desta vez, porém, começou com dois resultados de peso em apenas quatro dias: derrotou o líder do Campeonato Brasileiro e colocou o Tricolor nas quartas de final da Libertadores.
O próximo adversário continental sairá de Coquimbo Unido x Platense, que decidem a classificação nesta quarta-feira (19). A série começou com empate por 1 a 1.
Enquanto o Fluminense aguarda para descobrir quem encontrará nas quartas, outra dúvida continuará no ar.
Marcão ainda não sabe até quando será o treinador.
Mas, em dois jogos, já conseguiu algo que parecia urgente: devolver resultado, confiança e mobilização ao Fluminense.
E, quando a decisão chegou aos pés dos cobradores em Mendoza, preferiu nem olhar.
Deixou com “Papai do Céu”.
E com “São Fábio”.








