EsportesFutebol

Torcida do Liverpool recebe Manchester City com protestos após condenação financeira

Torcedores ocupam as arquibancadas de Anfield, estádio do Liverpool

Torcida do Liverpool recebe Manchester City com protestos após condenação financeira | Rodhullandemu/Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0

Torcedores do Liverpool receberam o Manchester City com protestos neste domingo (11), em Anfield, antes do duelo pela Premier League. O confronto marcou a primeira partida do clube desde uma importante decisão envolvendo suas contas.

Uma comissão independente concluiu que o City cometeu graves violações das regras financeiras durante nove temporadas. Por isso, o processo dominou também o ambiente das arquibancadas antes de a bola rolar.

Torcedores exibiram faixas, vaiaram jogadores e entoaram gritos de “cheat”, palavra inglesa utilizada para chamar alguém de trapaceiro. Além disso, parte do público fez provocações relacionadas a um possível rebaixamento.

No entanto, a Premier League ainda não aplicou qualquer punição esportiva ao Manchester City. O clube também apresentou recurso e tenta reverter as conclusões da comissão independente.

Anfield transforma clássico em protesto contra o City

Liverpool x Manchester City já carregava grande peso esportivo pela rivalidade construída durante as últimas temporadas da Premier League. Desta vez, porém, a discussão financeira acrescentou uma dimensão diferente ao confronto.

Antes da partida, torcedores do Liverpool utilizaram faixas e provocações para mencionar o processo enfrentado pelo adversário. Dessa forma, um tema até então concentrado nos tribunais esportivos chegou diretamente às arquibancadas.

As manifestações também fizeram referência aos possíveis efeitos esportivos do julgamento, especialmente uma eventual perda de pontos ou rebaixamento. Entretanto, nenhuma dessas sanções entrou em vigor até agora.

Comissão reconhece graves violações financeiras

A Premier League divulgou em setembro a decisão central do processo envolvendo o Manchester City. A comissão analisou práticas financeiras adotadas pelo clube entre as temporadas 2009/10 e 2017/18.

Depois de examinar documentos, contratos e depoimentos, os integrantes concluíram que o City cometeu violações graves durante o período. A comissão também apontou falhas no dever de cooperação com a própria liga.

A investigação começou em dezembro de 2018 e se transformou em um dos processos disciplinares mais complexos do futebol inglês. Desde então, o caso acumulou milhares de páginas e anos de disputa jurídica.

Contratos comerciais aparecem no centro do processo

Um dos principais pontos envolve contratos comerciais utilizados pelo Manchester City para registrar determinadas receitas. Segundo a decisão, alguns acordos não refletiam integralmente as relações financeiras reais entre as partes.

A comissão concluiu ainda que o grupo proprietário financiou parte dos valores apresentados como receitas comerciais. Com isso, o clube teria ampliado artificialmente determinados ganhos registrados em suas contas.

Ao mesmo tempo, o modelo também teria reduzido despesas contabilizadas durante o período investigado. Para a comissão, essa combinação distorceu a situação financeira efetivamente apresentada pelo City.

Distorção financeira supera 900 milhões de libras

A decisão estima que os mecanismos analisados provocaram uma distorção superior a 900 milhões de libras. O cálculo considera receitas ampliadas e despesas reduzidas ao longo das temporadas investigadas.

Segundo a comissão, as contas apresentadas pelo clube não refletiam corretamente sua realidade financeira naquele período. Além disso, o City teria ultrapassado limites estabelecidos pela Premier League e pela Uefa.

Essa conclusão, contudo, ainda integra um processo que permanece aberto porque o clube decidiu recorrer. Portanto, os efeitos esportivos da decisão seguem indefinidos.

Investigação atravessou várias temporadas

A Premier League iniciou a investigação em 2018, enquanto a comissão independente realizou posteriormente uma audiência de 42 dias. Os trabalhos dessa etapa terminaram em dezembro de 2024.

As transcrições dos depoimentos chegaram a aproximadamente sete mil páginas, além de grande volume de documentos financeiros. Só depois dessa análise a comissão apresentou suas conclusões.

Assim, o processo levou anos até alcançar uma decisão sobre a responsabilidade do clube. A definição das eventuais punições, entretanto, ficou reservada para uma etapa separada.

Comissão também critica postura durante investigação

A análise não se limitou às contas e aos contratos apresentados pelo Manchester City. A comissão também avaliou como o clube se comportou durante a investigação conduzida pela Premier League.

Segundo a decisão, o City descumpriu obrigações de cooperação e boa-fé em diferentes momentos. A comissão confirmou três das quatro acusações específicas relacionadas a esse aspecto.

Além disso, os integrantes entenderam que o clube dificultou partes do trabalho investigativo. Esse comportamento aumentou a gravidade atribuída ao conjunto das irregularidades.

Manchester City apresenta recurso

Apesar das conclusões, o processo ainda está longe de um encerramento definitivo. O Manchester City apresentou recurso e contesta diversos pontos da decisão.

O clube sustenta que a comissão cometeu erros materiais de fato e de direito durante a análise. Dessa maneira, busca reverter o julgamento antes da definição das sanções.

Enquanto o recurso segue, a Premier League ainda precisa conduzir a fase específica sobre eventuais punições. Por isso, qualquer consequência esportiva permanece no campo das possibilidades.

Premier League ainda não definiu punição

A comissão separou o julgamento das infrações da discussão sobre quais sanções poderão ser aplicadas. Essa segunda etapa poderá incluir diferentes tipos de penalidade previstos pelo regulamento.

Entre as possibilidades aparecem multas, perda de pontos e outras medidas esportivas. No entanto, nenhuma dessas punições entrou em vigor até este domingo.

Portanto, o City não perdeu pontos, não sofreu rebaixamento e também não teve títulos retirados. Qualquer afirmação nesse sentido ultrapassaria aquilo que o processo definiu até agora.

Torcida provoca City com possibilidade de rebaixamento

Mesmo sem uma punição anunciada, a torcida do Liverpool explorou justamente os cenários mais severos. Durante a chegada do adversário, surgiram referências a um eventual rebaixamento.

Os gritos de “cheat” também apareceram em diferentes momentos antes do confronto. Assim, a rivalidade esportiva ganhou uma camada adicional provocada pelo processo financeiro.

Essas manifestações, entretanto, representam apenas a reação dos torcedores dentro do estádio. Qualquer rebaixamento dependeria de uma decisão formal das autoridades da competição.

Polícia reforça segurança para chegada do City

O ambiente também levou as autoridades locais a reforçarem a operação de segurança em torno de Anfield. A polícia de Merseyside acompanhou especialmente a chegada da delegação visitante.

Além disso, o ônibus do Manchester City utilizou uma rota alternativa até o estádio. A medida buscou reduzir riscos diante da expectativa de protestos e provocações.

O cuidado também possui um precedente importante envolvendo os mesmos clubes. Em 2018, torcedores atacaram o ônibus do City antes de uma partida da Liga dos Campeões.

Manchester City entra em campo na liderança

Enquanto enfrenta dificuldades fora de campo, o Manchester City vive um cenário bem diferente dentro dele. A equipe chegou a Anfield na liderança da Premier League.

O time venceu os cinco primeiros jogos e começou o domingo com 15 pontos. O Arsenal também alcançou essa pontuação, mas o City manteve vantagem pelo saldo de gols.

Portanto, a equipe tentava preservar uma campanha perfeita justamente no estádio de um de seus maiores rivais recentes. A partida ganhou importância esportiva independentemente da controvérsia financeira.

Liverpool tenta derrubar campanha perfeita

O Liverpool também começou o confronto sem derrotas na competição e buscava diminuir a distância para o líder. Uma vitória aproximaria a equipe do primeiro pelotão da tabela.

Ao mesmo tempo, o time precisou lidar com problemas importantes no setor ofensivo. Alexander Isak e Cody Gakpo ficaram fora por questões físicas.

Ambos retornaram de compromissos com suas seleções sem condições adequadas para atuar. Assim, o Liverpool enfrentou o líder sem duas alternativas relevantes para o ataque.

Processo financeiro chega definitivamente às arquibancadas

O caso já provocava enorme repercussão nos bastidores do futebol inglês, mas agora também altera o ambiente dos jogos. Torcedores do Manchester United já haviam feito provocações no sábado.

Em Anfield, entretanto, a repercussão ganhou ainda mais força pela rivalidade construída entre Liverpool e Manchester City. Os dois clubes disputaram títulos importantes ao longo da última década.

Por isso, a decisão financeira acrescentou um novo componente a um confronto que já possuía enorme tensão esportiva. O processo deixou de ser apenas uma discussão jurídica distante dos estádios.

Dentro de campo, o Manchester City tenta manter a liderança da Premier League. Fora dele, o clube luta para reverter uma decisão que colocou suas contas no centro do futebol inglês.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

Leave a reply