
Empresa de Lamacchia deposita R$ 27 milhões e fica sozinha na disputa pela SAF do Vasco | Reprodução/Canal Atenção Vascaínos
A disputa pela nova SAF do Vasco entrou nesta quarta-feira (23) em uma etapa decisiva. A Almirante Participações e Empreendimentos, ligada ao empresário Marcos Lamacchia, comprovou um depósito judicial de R$ 27 milhões e aparece como a única proponente habilitada para o processo competitivo que terá audiência nesta sexta-feira (25), às 14h.
Isso, porém, não significa que a SAF já tenha sido vendida a Lamacchia.
O procedimento envolve a alienação de 90% da nova SAF vascaína. A Almirante apresentou a proposta-base da operação e ocupa a posição de stalking horse, mecanismo que lhe garante determinadas proteções no processo e o direito de cobrir uma eventual oferta superior que avance de acordo com as regras estabelecidas pela Justiça.
Até agora, entretanto, nenhuma outra proposta foi formalizada. Com isso, Lamacchia chega à audiência de sexta-feira em posição central para assumir o controle da nova estrutura que comandará o futebol vascaíno.
O que representam os R$ 27 milhões
O depósito de R$ 27 milhões funciona como uma das exigências financeiras estabelecidas para o processo competitivo.
A guia foi anexada ao processo na madrugada desta quarta-feira. O recolhimento havia ocorrido em 21 de setembro, segundo informações divulgadas sobre a documentação apresentada pela Almirante.
O valor, portanto, não corresponde ao preço de compra de 90% da SAF do Vasco.
Esse ponto é importante porque a operação envolve compromissos financeiros muito superiores. A proposta-base apresentada por Lamacchia prevê, entre outras obrigações, R$ 500 milhões em aportes destinados ao futebol. Além disso, existem compromissos relacionados às dívidas da recuperação judicial e garantias financeiras da operação.
A negociação completa é estimada em aproximadamente R$ 3 bilhões, considerando o conjunto de obrigações previstas ao longo da operação, e não um pagamento imediato desse montante ao Vasco.
Leilão acontece nesta sexta-feira
O próximo movimento está marcado para sexta-feira (25), às 14h.
A Justiça determinou uma audiência para o processo competitivo de venda de 90% das ações da nova SAF. A proposta da Almirante funciona como referência para a operação.
Caso nenhuma oferta concorrente válida avance no procedimento, a proposta de Lamacchia poderá ser declarada vencedora e o juízo poderá declarar a arrematação da unidade produtiva. Depois disso, ainda existem etapas necessárias para a conclusão da operação.
Ou seja, sexta-feira pode representar um passo decisivo, mas não deve ser confundida antecipadamente com a conclusão definitiva da transferência do controle.
Caso uma proposta superior aparecesse dentro das condições previstas no processo, a posição de stalking horse também daria à Almirante o direito de cobrir a oferta.
Proposta prevê R$ 500 milhões para o futebol
A dimensão da operação aparece principalmente nos compromissos futuros.
A proposta da Almirante estabelece R$ 500 milhões em aportes destinados exclusivamente ao futebol do Vasco. O planejamento apresentado prevê aportes distribuídos ao longo dos próximos anos.
Além disso, a operação estabelece mecanismos destinados a proteger o pagamento das obrigações da recuperação judicial.
Entre as garantias apresentadas está uma fiança bancária ou seguro-garantia de R$ 324 milhões, enquanto permanece o aval pessoal de Marcos Lamacchia.
Dessa forma, a análise da proposta não se resume ao valor que entrará diretamente no futebol. A Justiça também precisa considerar a capacidade financeira do comprador, as garantias oferecidas e a proteção dos credores.
Almirante já colocou dinheiro no Vasco
A relação financeira entre a Almirante e a SAF vascaína começou antes do leilão.
A Justiça autorizou um financiamento de até R$ 150 milhões da empresa para a SAF. O dinheiro funciona como um financiamento DIP, instrumento utilizado durante processos de recuperação judicial para garantir liquidez à empresa enquanto ela atravessa a reorganização financeira.
Em setembro, o Vasco recebeu R$ 65 milhões referentes à primeira parcela dessa operação e utilizou os recursos para regularizar compromissos financeiros.
O financiamento, entretanto, também não significa que Lamacchia já seja proprietário da SAF.
Trata-se de uma operação financeira autorizada judicialmente e relacionada ao processo de recuperação. A transferência do controle societário depende do processo competitivo e das etapas posteriores previstas pela Justiça.
O que está sendo vendido
O processo também não representa simplesmente a revenda da estrutura criada originalmente na operação com a 777 Partners.
A recuperação judicial estabeleceu uma nova SAF, que deverá assumir a operação do futebol. O processo competitivo envolve uma unidade produtiva correspondente a 90% dessa nova sociedade.
A estrutura foi criada dentro da reorganização societária e financeira do Vasco depois dos problemas enfrentados com a antiga controladora.
Por isso, o processo desta sexta-feira tem peso histórico para o clube: ele pode definir quem assumirá o controle da nova empresa responsável pelo futebol vascaíno.
Lamacchia já discute planejamento de 2027
Enquanto o processo jurídico avança, as conversas sobre futebol também começaram.
Lamacchia e a atual direção vascaína já discutem cenários para 2027, principalmente em relação à construção do elenco e à capacidade de investimento para a próxima temporada.
Isso demonstra o estágio avançado da relação entre as partes, mas não altera a situação jurídica atual: a Almirante continua sendo uma proponente no processo de aquisição, e não a proprietária definitiva da SAF.
A distinção será especialmente importante nos próximos dias.
Com o depósito de R$ 27 milhões comprovado e nenhuma outra proposta formalizada até agora, Lamacchia chega sozinho à etapa decisiva do processo competitivo. A audiência de sexta-feira poderá encaminhar a definição do futuro controle da SAF do Vasco, mas a venda somente poderá ser tratada como concluída depois do cumprimento das etapas previstas no processo.








