
Rio cria laboratório para discutir crime organizado, corrupção e crimes digitais | Divulgação/Carlos Magno/Governo do Rio de Janeiro
O Governo do Rio inicia nesta terça-feira (25) as atividades de um novo laboratório voltado à produção de diagnósticos sobre problemas estratégicos do estado. O Laboratório de Inovação em Inteligência Pública Estratégica (LIIPE-RJ) reunirá governo, universidades, empresas e representantes da sociedade civil para discutir temas como crime organizado, segurança pública, corrupção, crimes digitais e desenvolvimento econômico.
A primeira atividade acontece nesta terça e quarta-feira (25 e 26), no auditório do Instituto de Segurança Pública (ISP). Logo na estreia, o laboratório discutirá crime organizado e a ADPF 635, incluindo os efeitos do domínio territorial de grupos criminosos sobre segurança, atividade econômica e qualidade de vida.
O projeto ficará sob coordenação do Gabinete de Segurança Institucional do Estado (GSI-RJ). Entretanto, o LIIPE-RJ não terá poder para decidir políticas públicas. A proposta consiste em reunir diferentes visões, organizar dados e produzir diagnósticos que possam orientar posteriormente os órgãos responsáveis pelas decisões.
Primeira oficina coloca crime organizado no centro do debate
O ciclo inicial terá dez oficinas temáticas entre agosto e outubro de 2026.
A primeira delas parte de um problema que ultrapassa a atuação policial: o domínio territorial exercido por organizações criminosas.
Além dos efeitos diretos sobre a segurança, o Governo do Estado pretende discutir como esse controle interfere na economia, na circulação de pessoas, nos serviços e na vida cotidiana da população.
A oficina também abordará a ADPF 635, processo que estabeleceu parâmetros para operações policiais em comunidades do Rio e se tornou um dos principais pontos de debate sobre segurança pública no estado.
Assim, o laboratório pretende colocar na mesma mesa diferentes perspectivas sobre um problema que envolve segurança, direitos, economia e presença do Estado nos territórios.
Diagnósticos vão registrar consensos e divergências
Um dos pontos centrais do LIIPE-RJ será justamente evitar que as oficinas terminem apenas em debates sem registro estruturado.
As contribuições dos participantes serão transformadas em diagnósticos técnicos, que deverão identificar pontos de consenso, divergências e lacunas de informação.
Com isso, o governo pretende preservar não apenas as conclusões, mas também as diferentes interpretações sobre cada problema analisado.
Segundo o desenho apresentado para o projeto, o laboratório trabalhará com três princípios: escuta ativa, inteligência coletiva e inovação aberta.
A escuta ativa buscará incorporar diferentes perspectivas da sociedade. Já a inteligência coletiva reunirá conhecimentos produzidos por setores distintos. Por fim, a inovação aberta permitirá incorporar experiências desenvolvidas tanto dentro quanto fora da administração pública.
Laboratório não terá poder deliberativo
Apesar de integrar a estrutura estadual, o LIIPE-RJ não substituirá secretarias, órgãos de segurança ou outras instituições públicas.
Também não terá função deliberativa.
Na prática, caberá ao laboratório produzir conhecimento organizado para que os órgãos competentes decidam posteriormente se adotam ou não determinada política pública.
Essa delimitação é importante porque separa a produção de diagnóstico da decisão administrativa.
Além disso, o projeto pretende formar uma memória institucional dentro da área de inteligência do Estado, evitando a perda de dados, análises e discussões produzidas ao longo das oficinas.
Corrupção e crimes digitais estarão entre os próximos temas
Embora o primeiro encontro tenha como foco o crime organizado, o ciclo vai avançar sobre outros assuntos estratégicos.
Entre os temas previstos estão corrupção, crimes digitais, desenvolvimento econômico e segurança pública, além de outros problemas considerados relevantes para o planejamento do estado.
As oficinas ocorrerão até outubro.
Dessa maneira, o governo pretende reunir especialistas e representantes de diferentes setores antes de consolidar os resultados.
Resultados vão virar Caderno de Diagnósticos Estratégicos
Ao fim das dez oficinas, o LIIPE-RJ produzirá um Caderno de Diagnósticos Estratégicos.
O documento deverá reunir evidências, análises e recomendações extraídas dos encontros.
A intenção é oferecer esse material aos órgãos responsáveis pela formulação de políticas públicas, além de manter o conteúdo disponível como referência institucional para decisões futuras.
Portanto, o resultado do laboratório não será uma política pronta.
A efetividade da iniciativa dependerá de uma segunda etapa: quanto dos diagnósticos produzidos efetivamente chegará às decisões do governo e se transformará em ações concretas.










