
Justiça nega liminar do Vasco pelo Maracanã; semifinal com Boca segue sem estádio | Divulgação/Maracanã
A Justiça do Rio de Janeiro negou nesta segunda-feira (5) o pedido de tutela de urgência do Vasco para obrigar a Fla-Flu Serviços a disponibilizar o Maracanã para a partida de volta contra o Boca Juniors, pela semifinal da Copa Sul-Americana 2026.
A decisão atinge o pedido imediato apresentado pela SAF vascaína e não representa julgamento definitivo do direito discutido no processo. Entretanto, produz uma consequência prática importante: a menos de três semanas do confronto, o Vasco continua sem confirmação do estádio onde tentará chegar à final continental.
A Conmebol mantém oficialmente Vasco x Boca Juniors para 20 de outubro, às 21h30, com estádio ainda “a confirmar”.
Justiça não obriga concessionária a liberar Maracanã
O Vasco acionou a Fla-Flu Serviços S.A., concessionária administrada por Flamengo e Fluminense, depois de receber nova negativa para utilizar o Maracanã.
O clube pediu uma decisão urgente que obrigasse a disponibilização da arena para a semifinal.
Nesta segunda, porém, a 2ª Vara Cível da Comarca da Capital não concedeu a tutela pretendida.
A controvérsia envolve principalmente as justificativas técnicas apresentadas para preservar e recuperar o gramado durante uma sequência pesada de partidas no estádio.
Assim, sem uma ordem judicial favorável, o Vasco não pode neste momento tratar o Maracanã como palco confirmado da partida contra o Boca.
Isso, porém, é diferente de afirmar que a possibilidade terminou. A decisão sobre a tutela de urgência não encerra o processo, e a discussão judicial ainda admite novos desdobramentos.
Vasco x Boca continua oficialmente sem estádio
A própria Conmebol ainda não aponta um palco para a partida de volta.
A entidade confirmou:
13 de outubro, às 21h30 — Boca Juniors x Vasco — La Bombonera, Buenos Aires
20 de outubro, às 21h30 — Vasco x Boca Juniors — estádio a confirmar
Portanto, a definição do estádio brasileiro permanece como uma das principais questões antes da semifinal.
O primeiro jogo acontecerá na Argentina. Uma semana depois, o Vasco terá o mando da decisão que vale uma vaga na final da Sul-Americana.
São Januário cresceu, mas ainda fica abaixo do mínimo
A alternativa esportivamente preferida pelo Vasco também enfrenta um obstáculo importante.
Um novo laudo do Corpo de Bombeiros elevou a capacidade autorizada de São Januário de 21.880 para 24.155 pessoas.
O crescimento chegou a 2.275 lugares, ou aproximadamente 10,4%.
Mesmo assim, o estádio continua 5.845 lugares abaixo dos 30 mil exigidos pela Conmebol para partidas das semifinais da Sul-Americana.
Como o Folha do Leste já mostrou no levantamento sobre a nova capacidade de São Januário para Vasco x Boca, o estádio alcança cerca de 80,5% do mínimo regulamentar.
Portanto, aumentar a capacidade aproximou São Januário da semifinal, mas não resolveu sozinho o problema.
Vasco depende de exceção para jogar em São Januário
Para receber o Boca em sua casa, o Vasco precisa que a Conmebol aceite uma exceção à capacidade mínima prevista para a semifinal, além das demais autorizações necessárias para a operação do jogo.
Essa possibilidade ganhou importância ainda maior com a negativa judicial desta segunda-feira.
O clube trabalha, assim, em duas frentes distintas.
De um lado, tenta assegurar juridicamente o acesso ao Maracanã. Do outro, busca criar condições para que a Conmebol eventualmente autorize São Januário mesmo abaixo dos 30 mil lugares.
A diferença entre os dois estádios também interfere diretamente na estratégia esportiva e comercial do confronto.
Disputa pelo Maracanã já chegou a mais de uma ação
A discussão judicial não começou nesta segunda-feira.
O próprio Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro informou na última sexta-feira (2) que a ação ajuizada pela SAF do Vasco havia encontrado outra discussão sobre o mesmo tema já em andamento.
Uma ação popular, protocolada anteriormente, também questiona a possibilidade de obrigar a concessionária a disponibilizar o Maracanã.
O pedido liminar nessa ação havia sido negado, mas um recurso chegou à 5ª Câmara de Direito Público do TJRJ.
Por isso, o caso reúne diferentes movimentos processuais em torno da mesma questão prática: onde o Vasco poderá mandar a partida mais importante de sua temporada até agora.
Maracanã receberá sequência pesada antes da semifinal
O gramado aparece no centro da disputa porque o Maracanã atravessa um calendário intenso.
Nos dias anteriores a Vasco x Boca, o estádio receberá jogos de Flamengo e Fluminense pelo Campeonato Brasileiro e também o confronto do Tricolor com o Palmeiras pela semifinal da Libertadores.
Fluminense, por exemplo, terá Coritiba, Flamengo e Palmeiras no Maracanã dentro de uma janela de apenas 148 horas.
A concessionária sustenta a necessidade de preservar o campo diante desse volume de utilização.
O Vasco, por sua vez, busca garantir um estádio compatível com as exigências da Conmebol e com a dimensão da semifinal.
Semifinal vale retorno a uma decisão continental
A indefinição ocorre justamente diante da maior oportunidade continental do Vasco em muitos anos.
O clube voltou às semifinais da Sul-Americana depois de 15 anos. Em 2011, chegou à mesma fase, mas acabou eliminado pela Universidad de Chile.
Nesta temporada, passou por Independiente Medellín, Olimpia e Independiente Santa Fe no mata-mata.
Agora, enfrenta um Boca Juniors que já conquistou a Sul-Americana duas vezes.
A final acontecerá em 21 de novembro, em Barranquilla, na Colômbia.
Antes de pensar nela, porém, o Vasco precisa resolver uma questão muito mais imediata: onde receberá o Boca em 20 de outubro.
A Justiça não entregou essa resposta nesta segunda-feira. E, por enquanto, a própria Conmebol continua registrando o estádio da partida como “a confirmar”.








