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Jornalista carioca viraliza no Instagram com forte desabafo sobre machismo

Foto: Reprodução/redes sociais

O início da próxima semana será também o começo do mês de março. Naturalmente, um dos temas que a imprensa vai abordar é sobre o Dia Internacional da Mulher. Por isso, muitos e, principalmente, muitas, vão afirmar que o lugar delas é onde ela quiser. E com razão. Apesar disso, a luta contra o machismo está longe de chegar ao fim. E foi pensando nisso que a jornalista carioca Carla Matera fez um forte desabafo no Instagram ontem, no domingo (22).

Carlinha, como muitos a chamam carinhosamente, é conhecida por diversos colegas de profissão pelo sorriso fácil e pelo espírito colaborativo. Também é conhecida por ser uma pessoa que está sempre disposta a ajudar. Além disso, também é notório o amor pelo Flueminense, clube para o qual trabalha desde novembro de 2020 como repórter da Flu TV e por onde também é a voz oficial dos jogos do time no Maracanã. Mas no vídeo, o sorriso deu lugar à emoção e, principalmente, à solidarieade com a mulher. E com todas elas.

Com quase 2 mil curtidas e mais de 26 mil visualizações até a publicação desta reportagem, Carla elogiou publicamente um pronunciamento da também jornalista Bárbara Coelho, da Cazé Tv, em relação às falas que o zaguero do Bragantino, Gustavo Marques, pronunciou contra a árbitra Daiane Muniz após a derrota do time da casa em jogo contra o São Paulo. A partida ocorreu no sábado (21) pelas quartas-de-final do Campeonato Paulista.

Carla se referiu às falas de Bárbara como “uma obra de arte moral”.

O pronunciamento da Bárbara representa toda e qualquer mulher. Não só na nossa profissão, na crônica esportiva, como em todos os âmbitos da nossa vida. Eu falei isso com ela agora há pouco e isso me motivou, me encorajou, a falar publicamente. Quanto eu comecei no esporte. há quase 27 anos, eu não tinha voz, eu não tinha com quem compartilhar as atrocidades que eu cheguei a passar para seguir adiante”, lembrou Carla.

Durante o vídeo, no qual ela reforça o apoio às palavras de Bárbara, chamando-as de “preciso, visceral, corajoso e verdadeiro”, Carla admite que teve “gatilhos” ao lembrar de muitas “feridas que não sabiam que estavam abertas”.

Eu passei por cima de muita coisa, engoli muito choro, porque achava que não tinha voz. Coisas do tipo… Eu consegui fazer uma matéria exclusiva, por exemplo, e o cara que apresentava o programa, ao ouvir esse material, desligou o microfone e me perguntou: ‘você tá dando pra ele, né?’. ‘Não tô dando, não, cara. Tô dando um duro danado pra chegar onde eu cheguei. Pra permanecer onde eu tenho direito, porque eu trabalho, pois eu sempre batalhei com honestidade'”, recordou emocionada.

O vídeo também pode ser visto abaixo.

Entenda o caso

No sábado, o Bragantino jogou em casa, em Bragança Paulista, contra o São Paulo e perdeu por 2 a 1 nas quartas-de-final do Campeonato Paulista de 2026. Como a decisão era em duelo único, o Massa Bruta está fora da competição. Após a derrota, o zagueiro Gustavo Marques criticou a atuação da árbitra Daiane Muniz e afirmou que a Federação Paulista “tinha que olhar para jogos desse tamanho e não colocar uma mulher”, além de outras falas machistas,

A jornalista Bárbara Coelho, que estava no local do jogo, fez um duro desabafo ao vivo após o fim da partida. O comentário se encontra a partir de 3:23 do vídeo abaixo.

Imediatamente, o Red Bull Bragantino publicou no Instagram uma nota de repúdio às falas do atleta.

O Red Bull Bragantino vem a público reforçar o pedido de desculpas a todas as mulheres e, principalmente, à árbitra Daiane Muniz. O clube não compactua e repudia a fala machista do zagueiro Gustavo Marques, dita após a partida”, informou o clube no início da nota.

A Federação Paulista de Futebol também se manifestou de forma contrária às declarações do jogador do Bragantino.

No mesmo dia, horas depois às declarações, Gustavo procurou a imprensa para pedir perdão “a todas as mulheres”. Além disso, reconheceu que foi repreendido por xingamentos até pela esposa e pela mãe. Ele também afirmou que foi até o vestiário da arbitragem para pedir perdão pessoalmente à árbitra Daiane Muniz.

Quem é Carla Matera

Carioca, mãe do adolescente Alexandre, de 15 anos, e filha de Graça Matera, de quem herdou o sorriso marcante, Carla iniciou a carreira como jornalista esportiva na exinta Rádio Tropical FM em 1999. O dono da emissora, Armando Campos, enxergou nela um potencial que nem a própria acreditava que tinha, pois não acompanhava futebol.

Como iniciou a cobertura de repórter no Fluminense, passou a torcer pelo time das Laranjeiras, graças à atenção e educação que o técnico da equipe em 2000, Valdir Espinosa, tinha com ela durante as entrevistas. Mas o início de tudo se deu em 1993. Isso porque ela foi uma das primeiras alunas da história do então iniciante curso de locução da Escola de Rádio, dirigida pelo radialista Ruy Jobim.

Com passagens pelas rádios Globo do Rio e de São Paulo, Carlinha foi repórter por décadas da Rádio Tupi. Em 2019, passou por um susto ao descobrir um problema raro no cérebro e precisar fazer uma cirurgia emergencial para a instalação de um cateter. E mais uma vez foi valente, pois pouco mais de um mês depois da alta, estreava na equipe de esportes da Rádio Roquette Pinto.

No início de 2020, integrou a equipe de Edilson Silva no programa Os Donos da Bola, na Band, até receber o convite para fazer parte da Flu TV, onde segue até hoje ecoando a voz do tricolor nos jogos do time das Laranjeiras no Maracanã.

 

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