EsportesFutebol

Fluminense tem 25 emprestados; Lavega cresce e Lezcano perde espaço

Joaquín Lavega em ação pelo Coritiba durante empréstimo do Fluminense

Fluminense tem 25 emprestados; Lavega cresce e Lezcano perde espaço | Leticia Martins/EC Bahia

O Fluminense mantém 25 jogadores emprestados a clubes do Brasil e do exterior, mas os últimos meses produziram resultados bastante diferentes entre atletas que ainda pertencem ao Tricolor. Joaquín Lavega transformou a saída para o Coritiba em sequência e protagonismo, enquanto Rubén Lezcano perdeu espaço no Olimpia justamente depois de buscar no Paraguai minutos que não encontrava no Rio.

Há ainda uma terceira situação com possível impacto financeiro. Santi Moreno soma sete participações em gols nos Estados Unidos, e o Dallas FC poderá comprá-lo por US$ 5,3 milhões, cerca de R$ 27,7 milhões.

Assim, o grupo de emprestados deixou de representar apenas jogadores fora dos planos imediatos. Ele começa a formar uma das questões do planejamento do Fluminense para 2027: quem merece nova oportunidade, quem pode gerar receita e quais contratos ainda exigirão outra solução.

A discussão ganha outro componente porque a CBF reduzirá de nove para oito o limite de estrangeiros relacionados por partida no Brasileirão a partir de 2027. Lavega, Lezcano, Santi Moreno e Gabriel Fuentes estão justamente entre os estrangeiros cedidos pelo clube.

Lavega aproveita empréstimo e vira principal destaque

Entre os nomes acompanhados pelo Fluminense, Lavega apresenta hoje a resposta esportiva mais consistente.

O uruguaio disputou 26 partidas pelo Coritiba somente no Campeonato Brasileiro, sendo 18 como titular. Isso significa presença entre os 11 iniciais em aproximadamente 69% dos jogos.

Além disso, marcou cinco gols e deu duas assistências.

O desempenho representa uma mudança importante em relação à passagem pelo próprio Fluminense. Lavega chegou ao clube como aposta, mas encontrou pouco espaço e terminou 2025 com apenas cinco partidas oficiais.

Em janeiro, o Folha do Leste mostrou que o Fluminense encaminhava o empréstimo de Joaquín Lavega ao Coritiba justamente para ampliar sua minutagem.

A estratégia funcionou nesse aspecto.

Agora, a situação deixa de ser apenas “buscar experiência”. Com contrato tricolor até dezembro de 2029, o atacante retorna ao radar com uma temporada capaz de sustentar nova avaliação esportiva — ou aumentar seu valor em uma eventual negociação.

Isso não significa vaga garantida no elenco de 2027. Significa algo mais objetivo: Lavega voltará em situação melhor do que saiu.

Lezcano vive trajetória oposta no Olimpia

Rubén Lezcano buscou exatamente a mesma coisa: jogar mais.

Entretanto, o desenvolvimento no Paraguai tomou direção diferente.

O meia soma 31 partidas, quatro gols e duas assistências pelo Olimpia, mas perdeu espaço durante a temporada. Lezcano começou dez dos últimos 11 jogos no banco de reservas.

A queda de participação chama atenção porque o retorno ao Paraguai também tinha um objetivo individual importante: recuperar protagonismo e aumentar suas possibilidades de chegar à Copa do Mundo.

A convocação não veio.

Quando o empréstimo aconteceu, o Folha do Leste mostrou que Lezcano deixava o Fluminense após um investimento elevado e poucas oportunidades no Rio.

O Tricolor contratou o paraguaio como projeto de longo prazo. Seu vínculo também vai até o fim de 2029.

Portanto, o clube não enfrenta urgência contratual. O problema é esportivo: o empréstimo ainda não produziu a valorização esperada.

A comparação com Lavega deixa isso especialmente claro.

Os dois são jovens estrangeiros, chegaram como investimentos e saíram em busca de minutos. Um tornou-se titular frequente. O outro passou a conviver novamente com o banco.

Santi Moreno pode transformar empréstimo em dinheiro

Santi Moreno apresenta uma terceira possibilidade.

O colombiano retornou à MLS depois de não conseguir se adaptar ao futebol brasileiro e encontrou mais espaço no Dallas FC.

São 25 partidas, com 13 como titular, quatro gols e três assistências.

Portanto, Santi participou diretamente de sete gols durante o empréstimo.

O número de titularidades representa 52% dos jogos disputados, índice inferior ao de Lavega, mas consideravelmente superior à sequência que conseguiu no Fluminense.

Neste caso, porém, existe uma diferença fundamental: o Dallas possui opção de compra.

O valor está fixado em US$ 5,3 milhões, aproximadamente R$ 27,7 milhões.

Em março, o Folha do Leste detalhou o empréstimo de Santi Moreno ao Dallas e mostrou que a operação total pode recuperar quase todo o investimento feito pelo Fluminense.

O Tricolor desembolsou cerca de R$ 32 milhões quando trouxe o colombiano do Portland Timbers.

Caso o Dallas exerça a opção, portanto, a situação de Santi pode produzir uma consequência diferente das demais: em vez de disputar espaço em 2027, poderá gerar receita e encerrar sua passagem pelo clube.

Ainda não há informação de que a compra esteja definida.

Everaldo praticamente desapareceu no Bahia

A situação de Everaldo também mudou radicalmente ao longo do empréstimo.

O centroavante começou a temporada recebendo oportunidades no Bahia e acumula 25 jogos, seis gols e duas assistências.

Porém, perdeu espaço depois da chegada de Alejo Véliz.

Desde meados de julho, Everaldo disputou apenas sete minutos.

Ou seja, os números acumulados no começo do ano escondem uma realidade atual muito diferente.

O vínculo do atacante com o Fluminense termina no fim de 2026. Por isso, seu caso também não se parece com o de Lavega ou Lezcano, cujos contratos atravessam os próximos anos.

Everaldo poderá simplesmente chegar ao fim do vínculo.

A saída para o Bahia aconteceu justamente durante a reformulação do ataque tricolor. Naquele período, o Folha do Leste mostrou que o Fluminense buscava novas alternativas para o setor depois da saída do centroavante.

Agora, o atacante se aproxima do encerramento da temporada com espaço reduzido em Salvador.

Lelê encontra gols e títulos no Chipre

Se Lavega encontrou sequência no Brasil, Lelê vem construindo outra retomada no futebol europeu.

O atacante está em sua segunda temporada pelo Pafos, do Chipre, e soma sete gols e uma assistência em 25 partidas.

Além disso, marcou na conquista da Supercopa do Chipre.

Lelê não se tornou titular absoluto, mas ganhou uma participação consistente depois de temporadas marcadas por uma grave lesão no joelho e empréstimos com pouca continuidade.

O próprio Pafos decidiu prolongar a experiência.

Em junho, o Folha do Leste mostrou que o Fluminense renovou o empréstimo de Lelê até 2027 por 200 mil euros.

Na ocasião, o clube cipriota optou por não exercer imediatamente a compra de 1 milhão de euros, mas pagou aproximadamente R$ 1,2 milhão pela extensão.

Assim, Lelê sequer está entre os retornos imediatos previstos para janeiro.

Seu desempenho, entretanto, ajuda o Fluminense a preservar o valor de um jogador que tem contrato até 2028.

Loiola ganha minutos nos Estados Unidos

Entre os jogadores formados em Xerém, Loiola também conseguiu aquilo que motivou sua saída: jogar.

O jovem atua pelo New York City FC B, equipe que disputa a MLS Next Pro, liga voltada ao desenvolvimento de atletas nos Estados Unidos.

Loiola soma 18 partidas e três gols.

Ele aparece regularmente entre os titulares e acumula experiência competitiva longe do ambiente das categorias de base brasileiras.

Nesse caso, o empréstimo possui natureza diferente de jogadores como Everaldo ou Santi Moreno.

A prioridade está no desenvolvimento.

O Fluminense poderá avaliar posteriormente se a evolução justifica integração ao profissional, nova cessão ou uma negociação.

Lesão muda cenário de Gabriel Fuentes

Gabriel Fuentes vive o caso mais delicado.

Emprestado ao Fortaleza até o fim da temporada, o lateral-esquerdo vinha recebendo sequência e começou 22 partidas como titular.

Entretanto, sofreu em agosto uma ruptura do ligamento cruzado anterior do joelho.

A lesão encerrou sua temporada e projeta o retorno aos gramados somente para 2027.

Como Fuentes sofreu a contusão enquanto estava cedido, o empréstimo será prorrogado pelo período necessário para completar sua recuperação.

Assim, o Fluminense não poderá simplesmente contar com o colombiano no começo da próxima temporada.

O caso também interfere na composição de estrangeiros, já que Fuentes mantém vínculo com o Tricolor até 2028.

Terans ainda tenta voltar a jogar

A situação de David Terans também passa pela recuperação física.

O uruguaio chegou ao Atlético-GO em 11 de setembro, depois de um longo período afastado por uma grave lesão sofrida ainda no Peñarol.

Até agora, não estreou pelo clube goiano.

Portanto, seu empréstimo ainda não oferece amostra esportiva suficiente para qualquer conclusão.

Antes de discutir retorno ao Fluminense, Terans precisa primeiro recuperar sequência competitiva.

Nova regra dos estrangeiros aumenta quebra-cabeça

Os empréstimos ganham importância adicional por causa de uma mudança que começará justamente em 2027.

A CBF aprovou uma redução gradual do número de estrangeiros permitidos na súmula dos clubes.

Atualmente, cada equipe pode relacionar até nove jogadores estrangeiros por partida. No próximo ano, o limite cai para oito.

Depois, serão sete em 2028, seis em 2029 e cinco em 2030.

O Fluminense já trabalha atualmente com um elenco fortemente internacionalizado. Portanto, o possível retorno de Lavega, Lezcano, Santi Moreno e Gabriel Fuentes não pode ser analisado apenas pela qualidade individual.

Também será preciso olhar a quantidade de vagas disponíveis.

Isso pode transformar jogadores que fizeram bons empréstimos em ativos de mercado mesmo que apresentem nível para retornar ao elenco.

25 empréstimos viram decisões diferentes para 2027

A quantidade impressiona: 25 jogadores pertencentes ao Fluminense estão atualmente defendendo outros clubes.

Mas tratá-los como um grupo único esconderia o principal ponto.

Lavega ganhou espaço. Lezcano perdeu. Santi Moreno pode ser comprado. Everaldo se aproxima do fim do contrato. Lelê permanece no Chipre. Loiola está em desenvolvimento. Fuentes se recuperará de uma lesão grave. Terans ainda nem conseguiu estrear.

Cada empréstimo produziu uma consequência.

Por isso, o trabalho da direção ao final da temporada não será simplesmente receber 25 atletas de volta.

Será decidir quem efetivamente retorna, quem merece outra oportunidade, quem pode seguir emprestado e quais jogadores podem transformar os meses fora das Laranjeiras em receita para o Fluminense.

Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

Leave a reply