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Jimmy Cliff morre aos 81 anos e deixa legado eterno na música mundial

Jimmy Cliff morre aos 81 anos e deixa legado eterno na música mundial

Jimmy Cliff marcou gerações com repertório histórico e relação afetiva com o público brasileiro | Reprodução/Instagram

A notícia marca esta segunda-feira (24) em todo planeta: morre o cantor  jamaicano Jimmy Cliff, aos 81 anos. Enquanto o triste fato correu o mundo como um raio, o reggae perdeu uma de suas vozes mais poderosas. A esposa do artista, Latifa, anunciou a morte do artista, causada por pneumonia. Ela ainda relatou que ele partiu cercado de carinho, respeito e memória viva.

Apesar da tristeza, a despedida ecoa grandeza. Os relatos de Latifa destacaram que o cantor viveu sustentado pelo afeto do público.

“Ele realmente adorava o amor de cada um de seus fãs”, escreveu a companheira, ao agradecer também a dedicação da equipe médica.

Ela encerrou sua mensagem com um último gesto íntimo:

“Jimmy, meu querido, descanse em paz”.

A carreira de Jimmy Cliff

A trajetória de Cliff não cabe em molduras convencionais. O impacto cultural, social e histórico que ele provocou nasceu antes mesmo do reconhecimento global. O cantor ajudou a moldar o próprio reggae ao levar o ritmo da Jamaica para turnês planetárias, palcos históricos e continentes que jamais tinham ouvido algo parecido. Enquanto o gênero se consolidava, ele já ocupava posição de protagonista.

Registro de Jimmy Cliff em apresentação marcante

Registro de Jimmy Cliff em apresentação marcante:

O artista conquistou prêmios, inclusive Grammys, e influenciou gerações que sequer existiam quando ele lançou seus primeiros discos. As décadas passaram e Cliff manteve relevância, ousadia e vitalidade criativa. A voz continuou marcante, assim como a capacidade de unir ritmos, religações culturais e sonoridades que atravessavam fronteiras.

Embora tenha se tornado estrela mundial, o vínculo com o Brasil sempre ocupou espaço especial. Em 1968, o Festival Internacional da Canção abriu portas para um amor que só cresceu. Cliff voltou diversas vezes, lotou plateias, morou no Rio e viveu períodos em Salvador. A relação era quase afetiva: o público brasileiro se reconhecia na energia solar do artista.

O repertório, recheado de hinos, permanece como trilha sonora de vidas inteiras. Por exemplo, “Reggae Night”, “Rebel in Me”, “We All Are One”, “Many Rivers to Cross” e “I Can See Clearly Now” atravessaram gerações e seguem presentes em rádios, playlists, memoriais culturais e encontros familiares.

O último lançamento — “Refugees” — saiu em 2022, revelando, acima de tudo, que Cliff ainda criava com densidade, frescor e propósito. O disco reforçou a mensagem que acompanhou toda sua carreira: resistência, união e fé na humanidade.

A música perdeu Jimmy Cliff. O mundo perdeu Jimmy Cliff. Mas o reggae não. A história não. E, principalmente, as pessoas que cresceram ouvindo sua voz nunca perderão.

André Freitas
André Freitas é diretor-executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Jornalista e radialista desde a década de 1990, é narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Possui ampla experiência na cobertura da editoria de política, em razão de funções exercidas nos poderes Legislativo e Executivo, com atuação nas Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, além da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e da Prefeitura de Niterói. Dirigiu por 15 anos a Rádio Absoluta, onde apresentou programas noticiosos diários e conduziu coberturas esportivas, incluindo mais de uma década acompanhando a seleção brasileira de futebol. Nesse período, esteve presente em duas Copas do Mundo e em uma edição dos Jogos Olímpicos. Trabalhou também nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e Litorânea (ES). Exerceu o cargo de editor-chefe nos jornais Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ), além de atuar como colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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