O Itaú (ITUB4) encerrou o segundo trimestre de 2026 com lucro recorrente gerencial de R$ 12,4 bilhões, alta de 7,8% sobre o mesmo período do ano passado. Além disso, o banco manteve a inadimplência sob controle e ampliou a carteira de crédito para mais de R$ 1,5 trilhão.
Apesar dos números positivos, o balanço trouxe um ponto de atenção. O Itaú reduziu a previsão de crescimento das receitas de serviços e seguros em 2026. A faixa caiu de 5% a 9% para 2% a 5%. As demais projeções permaneceram inalteradas.
O resultado ficou próximo das expectativas do mercado. O consenso da Bloomberg apontava lucro de R$ 12,3 bilhões. Já a média compilada pela LSEG indicava R$ 12,5 bilhões.
ITUB4 completa 11 trimestres seguidos de alta no lucro
O desempenho mantém uma sequência iniciada ainda em 2023.
Segundo levantamento da Elos Ayta, o Itaú alcançou agora a 11ª alta consecutiva do lucro recorrente na comparação trimestral. A última queda ocorreu no terceiro trimestre de 2023, período marcado pelos efeitos da crise da Americanas sobre o setor financeiro.
No próprio segundo trimestre deste ano, o resultado também avançou frente aos três primeiros meses.
O lucro recorrente passou de R$ 12,282 bilhões para R$ 12,407 bilhões, crescimento de 1%. Portanto, mesmo em uma base já elevada, o banco conseguiu ampliar novamente o resultado.
No primeiro semestre, por sua vez, o lucro recorrente acumulou R$ 24,7 bilhões. O valor representa alta de 9,1% em relação aos seis primeiros meses de 2025.
Rentabilidade do Itaú continua acima de 24%
Além do lucro, o Itaú manteve elevada a rentabilidade sobre o patrimônio.
O ROE recorrente gerencial consolidado ficou em 24,3% no segundo trimestre. Na comparação anual, o indicador avançou aproximadamente um ponto percentual.
Por outro lado, houve recuo de 0,5 ponto percentual diante dos 24,8% contabilizados no primeiro trimestre.
Ainda assim, o indicador permanece em um patamar elevado para grandes bancos.
No Brasil, a rentabilidade ficou ainda maior, em 25,7%.
Carteira de crédito passa de R$ 1,5 trilhão
Enquanto manteve a rentabilidade, o Itaú também acelerou a concessão de crédito.
A carteira total alcançou R$ 1,522 trilhão em junho. Dessa forma, cresceu 2,7% no trimestre e 9,6% em 12 meses.
No Brasil, a carteira avançou 2,6% entre março e junho. Já na comparação anual, o crescimento também chegou a 9,6%.
As operações com grandes empresas somaram R$ 474,9 bilhões, alta anual de 10,1%.
Ao mesmo tempo, a carteira de micro, pequenas e médias empresas atingiu R$ 307,4 bilhões. Nesse segmento, o banco cresceu 1,5% no trimestre e 11,6% em um ano.
Consignado privado cresce com Crédito do Trabalhador
Entre as pessoas físicas, o crédito consignado ganhou destaque.
A carteira chegou a R$ 81,3 bilhões em junho. Assim, avançou 3,5% em apenas três meses e 11,7% frente ao segundo trimestre de 2025.
Segundo o Itaú, a expansão trimestral veio principalmente do consignado privado, que cresceu 14,3%.
O avanço acompanha a maior originação de operações ligadas ao novo modelo de crédito consignado para trabalhadores do setor privado.
Além disso, o crédito imobiliário cresceu 3,9% no trimestre e 13,3% em 12 meses.
Inadimplência permanece em 1,9%
Apesar do avanço da carteira, o Itaú não observou deterioração relevante nos atrasos mais longos.
A inadimplência acima de 90 dias permaneceu em 1,9%. Dessa maneira, o indicador completou o sexto trimestre consecutivo no mesmo patamar.
Já os atrasos entre 15 e 90 dias subiram de 1,7% para 1,8%.
Segundo o banco, contudo, o crescimento veio da operação latino-americana. No Brasil, o índice permaneceu estável no trimestre.
Nas pessoas físicas, também houve aumento de 0,1 ponto percentual na inadimplência longa.
O Itaú atribuiu o movimento à migração de parte dos atrasos curtos observados anteriormente. Ainda assim, o banco classificou a evolução como compatível com a sazonalidade esperada.
Custo do crédito sobe para R$ 10,1 bilhões
O crescimento do crédito também elevou as despesas relacionadas ao risco.
O custo do crédito atingiu R$ 10,1 bilhões, alta de 1,9% frente ao primeiro trimestre e de 7,4% em um ano.
Dentro dessa linha, a despesa de perda esperada chegou a aproximadamente R$ 10,5 bilhões.
Por outro lado, o Itaú recuperou R$ 1,487 bilhão em créditos que já havia baixado como prejuízo. Esse valor cresceu 16,2% na comparação anual.
Assim, o banco aumentou as provisões enquanto ampliava o volume da carteira, mas preservou os principais indicadores de qualidade de crédito.
Margem financeira cresce 5,1%
A margem financeira com clientes chegou a R$ 32,6 bilhões no segundo trimestre.
Na comparação anual, houve alta de 5,1%. Já frente ao primeiro trimestre, o avanço alcançou 3,3%.
Além disso, a margem financeira gerencial somou R$ 33,5 bilhões, crescimento anual de 5,2%.
Segundo o Itaú, o maior saldo médio das operações de crédito ajudou o resultado. Ao mesmo tempo, a margem de passivos e a composição dos produtos também contribuíram.
A margem financeira com o mercado, por sua vez, alcançou R$ 931 milhões. O avanço trimestral chegou a 13,6%.
Serviços avançam menos e levam Itaú a cortar guidance
Embora o conjunto do balanço tenha permanecido forte, as receitas de serviços perderam dinamismo.
No segundo trimestre, o banco contabilizou R$ 11 bilhões em receitas de prestação de serviços, alta anual de 2,3%.
Já as receitas de operações de seguros alcançaram aproximadamente R$ 3,5 bilhões, crescimento de 8,4% sobre um ano antes.
Na comparação com o primeiro trimestre, entretanto, o conjunto de serviços e seguros cresceu apenas 0,4%.
Por isso, o banco decidiu reduzir sua expectativa para essa linha em 2026.
Antes, o Itaú esperava crescimento entre 5% e 9%. Agora, trabalha com avanço entre 2% e 5%.
Essa foi a única alteração relevante no guidance divulgado com o balanço.
Itaú mantém projeções para crédito e margem
Para a carteira total de crédito, o banco continua esperando crescimento entre 5,5% e 9,5% neste ano.
No Brasil, a previsão permanece um pouco maior, entre 6,5% e 10,5%.
Além disso, o Itaú manteve a expectativa de crescimento da margem financeira com clientes entre 5% e 9%.
Já a margem com o mercado continua projetada entre R$ 2,5 bilhões e R$ 5,5 bilhões no acumulado do ano.
O banco também preservou o intervalo do custo do crédito, entre R$ 38,5 bilhões e R$ 43,5 bilhões.
Para as despesas não decorrentes de juros, a projeção segue em crescimento de 1,5% a 5,5%.
Por fim, a estimativa da alíquota efetiva de Imposto de Renda e Contribuição Social continua entre 29,5% e 32,5%.
Despesas crescem, mas abaixo da receita
As despesas não decorrentes de juros atingiram R$ 16,7 bilhões no segundo trimestre.
O montante cresceu 3,3% frente ao primeiro trimestre e 3,1% na comparação anual.
Apesar disso, o Itaú preservou a eficiência operacional.
No primeiro semestre, o índice de eficiência consolidado ficou em 37,3%, uma melhora de 0,3 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2025. No Brasil, caiu para 35,2%.
Assim, o banco conseguiu fazer as receitas crescerem em ritmo suficiente para absorver o aumento dos gastos.
Resultado reforça força de ITUB4, mas serviços entram no radar
O balanço do segundo trimestre mantém o Itaú em uma posição confortável entre os grandes bancos privados.
De um lado, o banco ampliou lucro, crédito e margem financeira. Além disso, sustentou um ROE acima de 24% e manteve a inadimplência longa em 1,9%.
Por outro lado, o corte na projeção de serviços e seguros mostra que nem todas as linhas avançam no mesmo ritmo.
Por isso, quem acompanha ITUB4 deve observar nos próximos trimestres se o crescimento da carteira e da margem financeira continuará compensando a desaceleração das receitas de serviços.
Até agora, porém, os números mostram que o Itaú continua ampliando resultados sem uma deterioração relevante da qualidade do crédito.








