
Rayan salva o placar, mas não as críticas: imprensa europeia cobra Brasil de Ancelotti | Rafael Ribeiro/CBF
O gol de Rayan no último lance evitou a derrota para a Austrália, mas não impediu uma sequência de críticas ao Brasil na imprensa europeia. Após o empate por 1 a 1, nesta sexta-feira (25), em Townsville, veículos da Espanha e de Portugal apontaram dificuldades semelhantes às apresentadas pela Seleção na Copa do Mundo de 2026.
As análises convergiram principalmente em três pontos: pouca criação ofensiva, baixo impacto dos principais jogadores e ausência de sinais claros de evolução coletiva. O espanhol Marca afirmou que Carlo Ancelotti ainda terá “muito trabalho pela frente”, enquanto o AS resumiu a atuação com a frase:
“Nova era, mesmo Brasil”.
Já o português A Bola classificou a Seleção como renovada, porém ainda distante do nível esperado para o início da preparação rumo ao próximo Mundial.
Gol de Rayan não apaga críticas ao desempenho
Para o Marca, o empate conquistado no último lance não mudou a avaliação sobre os problemas apresentados durante os 90 minutos.
O jornal espanhol destacou que Rayan evitou a derrota em uma bola parada, mas considerou que a reação não escondeu as dificuldades do time comandado por Ancelotti.
“No momento, o Brasil segue sendo a mesma coisa que foi na Copa do Mundo: uma seleção sem futebol e nem cara. Sim, se salvou da derrota, mas na última jogada da partida e na bola parada.”
Na sequência, o veículo resumiu o impacto do atacante:
“O ‘soldado’ Rayan salvou seu general, mas não conseguiu esconder a fraca atuação dos demais.”
O Brasil saiu atrás depois de Irankunda marcar em cobrança de falta e só encontrou o empate no último lance. Raphinha cobrou escanteio na primeira trave, e Rayan cabeceou para fazer 1 a 1.
Vini Jr, Endrick e Raphinha entram na mira
Outro ponto destacado pelo Marca foi o baixo impacto ofensivo de alguns dos jogadores mais importantes da Seleção.
O jornal citou Raphinha e apontou falta de mobilidade e criatividade no ataque brasileiro.
“Nem mesmo o supersônico Raphinha. Mas isso não é um problema de hoje. No amistoso, viu-se um time bloqueado, com falta de mobilidade, ímpeto e imaginação.”
O Brasil começou a partida com uma formação bastante ofensiva, com Vini Jr, Raphinha, Estêvão e Endrick, mas encontrou dificuldades para transformar a presença de atacantes em domínio territorial e chances claras.
Estêvão chegou a marcar ainda no primeiro tempo. Porém, o VAR identificou uma falta de Bruno Guimarães na origem da jogada e anulou o gol.
‘Nova era, mesmo Brasil’, diz jornal espanhol
O AS adotou uma avaliação semelhante e abriu sua análise com uma frase curta:
“Nova era, mesmo Brasil.”
O jornal também destacou o gol de Rayan, mas criticou o desempenho coletivo e apontou uma falha de Hugo Souza no gol australiano.
Além disso, mencionou diretamente a pouca participação decisiva de Vini Jr e Endrick e reconheceu apenas alguns momentos de maior qualidade de Estêvão e Raphinha.
“Nem Vini nem Endrick conseguiram contribuir para o empate contra a Austrália, com apenas alguns lampejos de qualidade de Estêvão e Raphinha.”
Ao avaliar o trabalho do treinador, o veículo voltou ao mesmo diagnóstico apresentado pelo Marca:
“Carlo Ancelotti ainda tem muito trabalho pela frente.”
Imprensa portuguesa também vê Brasil com dificuldades
Em Portugal, A Bola também destacou que as mudanças promovidas depois da Copa ainda não produziram uma transformação imediata no desempenho.
O jornal descreveu a Seleção como “renovada”, mas acrescentou que a equipe continua apresentando dificuldades.
Segundo a análise portuguesa:
“O Brasil deixou uma imagem pálida do que pretende com o novo ciclo tendo em vista o Mundial 2030.”
A avaliação contrasta com a interpretação apresentada pelo próprio Ancelotti após a partida. O italiano rejeitou a ideia de início de um novo ciclo e afirmou que o momento representa uma continuação do trabalho anterior, agora com mais espaço para jovens e testes.
Brasil terá nova chance contra a Austrália
A Seleção não precisará esperar muito para responder dentro de campo às críticas.
Brasil e Austrália voltam a se enfrentar na terça-feira (29), às 7h de Brasília, desta vez em Brisbane.
Depois, o time de Ancelotti segue para a Índia. O Brasil encerra a Data Fifa contra os anfitriões em 3 de outubro, às 11h, em Calcutá.
O segundo confronto com os australianos também dará à comissão técnica a possibilidade de testar mudanças depois das dificuldades apresentadas em Townsville.








