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Humorista niteroiense faz temporada em teatro da Zona Sul do Rio

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A humorista niteroiense Marcela Galvão faz a primeira temporada solo da carreira no Teatro Municipal Café Pequeno, no Leblon. Foto: divulgação.

Se rir é o melhor remédio, então Marcela Galvão promete medicar todos os que vão comparecer no Teatro Municipal Café Pequno, no Leblon, na Zona Sul do Rio com uma fórmula especial. Isso porque a humorista niteroiense faz a temporada de estreia dela no local com o espetáculo R.I.R. – Raciocínio Inútil Reverso. A primeira apresentação será nesta terça (5), às 20 horas, com ingressos entre R$ 30 (meia) e R$ 60 (inteira). As vendas são pelo site do Sympla ou na bilheteria do local.

O nome do espetáculo faz referência a um vídeo que viralizou há pouco mais de um ano. Isso porque em fevereiro do ano passado, uma pessoa abordou Marcela na Avenida Paulista, na cidade de São Paulo, perguntando sobre algo aleatório que ela sabia fazer. Na hora, a humorista revelou uma prática curiosa. A de falar fluentemente ao contrário. O vídeo, rapidamente, tomou conta da internet.

Agora, mais de um ano após o sucesso nas redes sociais, Marcela dá um novo pásso na carreira. O de estrear um show solo em um teatro carioca. Antes disso, ela já atuou nos palcos abrindo apresentações de famosos nomes do humor, como Igor Guimarães, Raphael Ghanem, Tiago Santineli e Carol Zoccoli.

Língua portuguesa e técnicas teatrais em sala de aula

Em conversa com o portal Folha do Leste, Marcela relembra que relação com a arte começou cedo, especialmente pela mãe, professora de Português. Ambas iam a teatros, museus e eventos culturais. Além disso, o humor também sempre esteve presente em casa.

Cresci no meio da brincadeira, dos livros, do lúdico. O riso sempre foi muito solto”, lembra.

Graças a essa convivência, Marcela também escolheu o universo da escrita. Após se formar em Letras, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ, ela chegou a ser professora de língua portuguesa em uma escola pública de Niterói. Paralelamente, também já era atriz, pois tinha formação em Artes Cênicas pela Casa das Artes de Laranjeiras, a CAL, no bairro homônimo da Zona Sul carioca. Por isso, mesclava ambos os saberes nas aulas. Apesar disso, engana-se quem pensa que as falas ao contrário eram tema de assunto com os alunos.

Sempre fui uma professora que brincava muito. Por isso. tive uma relação muito legal com os alunos. Com vários eu tenho contato até hoje. Costumava usar jogos de teatro pra passar a matéria de uma maneira leve. Além disso, usava frases divertidas nas aulas de análise sintática e contava histórias engraçadas pra explicar algum assunto. Acho que minhas primeiras apresentações de stand-up começaram na sala de aula sem eu me dar conta. Mas, pensando agora, creio que nunca falei ao contrário e nem comentei sobre isso com eles. Era uma habilidade doida que até então ficava apenas na minha cabeça”, recorda.

Habilidade surgiu no início da adolescência

A curiosa habilidade em falar fluentemente ao contrário começou quando ela estava com 12 anos, no início da adolescência. Moradora do Fonseca, na Zona Norte niteroiense, ela prestava atenção às placas da Alameda São Boaventura até chegar ao Colégio Nossa Senhora das Mercês, também no bairro. Mas a percepção de que o costume seria um “idioma” surgiu quando ela estava em um ônibus a caminho do Centro da cidade.

E esse hábito surgiu durante um período onde era comum ouvir inúmeras teorias sobre possíveis mensagens subliminares de músicas tocadas ao contrário, os anos 2000. Por isso, ela não perde as oportunidades de fazer piadas a respeito. E nem Xuxa, que foi alvo de tantos boatos a respeito, tem lugar certo nessa parte do show de Marcela.

Eu brinco com isso no meu show. Eu digo que a minha infância inteira foi ouvindo os discos da Xuxa ao contrário e viajo nessa teoria. Inclusive, de tanta mensagem que já me mandaram falando isso, eu fiz um vídeo girando um disco da Xuxa ao contrário e explicando pras pessoas quais as mensagens subliminares a gente encontra nas músicas dela quando são invertidas. Quando as pessoas veem alguém falando de trás pra frente, acho que é meio automático associar a essas teorias. Não tem como não brincar com isso no palco”, conta às gargalhadas.

Aproveitando o momento em que viralizou, a humorista também fez piada com Fernanda Torres, que, à época, tornou-se fenômeno midiático graças ao filme “Ainda Estou Aqui”.

Mas não é só de falar ao contrário que Marcela faz do próprio hábito um show, literalmente falando. Além do “idioma” reverso, a humorista faz diversas leituras de cartas no Instagram. Entretando, o baralho é diferente. Isso porque os conselhos baseiam-se em “carteados” como os de Uno, do Jogo Detetive e até as do Detran. Todas integram a seção de “Cartas Aleatórias da Semana”.

Eu testei uma vez isso no palco. Foi início de ano, a gente costuma ouvir muito sobre previsões nessa época, levei uma caixa pro palco e anunciei que faria uma leitura de cartas, mas o baralho seria com as cartas de um jogo de tabuleiro. Mostrei a caixa pras pessoas e a reação foi bem legal. Fiz “previsões” com piadas a partir das imagens completamente aleatórias que iam aparecendo. Foi num momento de interação com a plateia. A galera deu risada e eu senti que tinha coisa ali. Resolvi fazer uns vídeos sobre isso, usando cartas de universos completamente diferentes, e o retorno das pessoas foi bem legal, principalmente depois que fiz leituras de cartas com as multas que recebi do Detran”, explica.

Apesar da reação positiva do público, Marcela pontua que não é em todo o local que ela consegue fazer esse número.

Já pensei em levar isso paro palco de novo, mas não daria certo em qualquer espaço, porque as cartas costumam ser pequenas. Em uma plateia com muita gente seria mais difícil, eu teria que descrever e acho que as piadas perderiam um pouco a força”, reconhece.

Vida entre Rio e São Paulo e passatempo favorito em Niterói

Embora reconheça, e orgulha-se, das raízes niteroienses, atualmente a atriz se divide entre morar no Rio e em São Paulo. Tal situação permite que ela “não tenha tanta saudade” da cidade natal. Mas se tem algo que ela não abre mão de aproveitar é curtir momentos na Praia de Piratininga, na Região Oceânica.

Quando estou muito em São Paulo, o que me faz querer voltar logo pra Niterói é a natureza. Amo praia! Amo o nosso céu azul. Em São Paulo tem também, mas o azul é diferente (risos). Amo correr na praia, amo estar na praia e disso eu não abro mão. E nessas momentos adoro ir para a Praia de Piratininga, em especial patinar pela orlá de lá. Programas com som, junto da família e dos amigos são os meus preferidos. Mas quando estou muito em Niterói, o que me faz querer voltar pra São Paulo são os programas culturais e a parte gastronômica. Tem peças de teatro que não chegam a vir pro Rio, lá também tem uns rolês diferentes e temáticos que eu amo, umas comidas gostosas. Esses programas não podem faltar!”, detalha.

Além da estreia nesta terça, o espetáculo R.I.R. – Raciocínio Inútil Reverso fica em cartaz durante todas as terças de maio no Teatro Municipal Café Pequeno. Ou seja, o público pode conferir também nos dias 12, 19 e 26 do mesmo mês.

 

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