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Guilherme Delaroli relata ameaça a tiros em reunião e desafia tráfico: “Me espera lá atrás”

Deputado estadual do Rio de Janeiro Guilherme Delaroli encerra reunião em Itaboraí após traficantes e promete reação

Deputado estadual do Rio de Janeiro Guilherme Delaroli encerra reunião em Itaboraí após traficantes e promete reação | Reprodução

O deputado estadual e vice-presidente da Alerj, Guilherme Delaroli (PL) parou uma reunião de campanha em Itaboraí após traficantes terem ameaçado encerrar o encontro a tiros. O parlamentar, que é policial e disputa a reeleição, primeiramente se preocupou em preservar a vida das pessoas que estavam no encontro. Por outro lado, usou sua rede social para revidar a ameaça. Indignado, desafiou os criminosos.

“Deixa sair todo mundo aí. E me espera lá atrás. Vamos ver quem vai encher o rabo de quem de bala, seus cuzão, seus otário, porra.”

O episódio ocorreu na noite de terça-feira (29), no bairro Santo Expedito. Candidato à reeleição, Delaroli afirmou que havia crianças e famílias no encontro.

“A sorte de vocês é que tá lotado isso aqui de crianças e de pessoas sérias. Olha como é que tá isso aqui de gente. Olha como é que tá isso aqui de criança.”

 

Segundo o deputado, um homem exigiu o encerramento da reunião. Caso contrário, os participantes seriam atacados a tiros.

Ameaça não aparece no vídeo

O vídeo feito por Guilherme Delaroli teve transmissão ao vivo, mas ficou disponível em seu Instagram posteriormente. Com duração de um minuto e meio, aproximadamente, o registro mostra o sentimento extravagado de um homem público que desejava reagir àquela violência, mas que teve de se conter em nome da coletividade. Em síntese, uma decisão que muitos policiais tomam em áreas de conflito quando bandidos fazem o povo de escudo humano.

“É inadmissível no estado do Rio de Janeiro vagabundo vir aqui falar na minha reunião que, se a gente não parar a reunião, ia entupir a gente de bala”, afirmou.

A gravação não mostra o homem citado pelo deputado, assim como não registra o momento da ameaça. Todavia, percebe-se que as pessoas estão deixando o local, temerosas, ao fundo da imagem.

“Olha como está isso aqui de gente. Olha como está isso aqui de criança. Para um otário, um cuzão de um traficante, vir falar que vai entupir uma reunião dos outros de bala”, afirmou.

Delaroli também utilizou o episódio para fazer um apelo eleitoral.

“Que mundo a gente está vivendo? Que estado a gente está vivendo? Que zona de estado é esse? Nós temos a opção de mudar essa parada aí”, disse.

“Vocês não vão ter paz”

Depois de explicar que havia interrompido a atividade para proteger o público, o candidato respondeu em tom de confronto.

“A sorte de vocês é que está lotado isso aqui de crianças e de pessoas sérias. Senão quem quer entupir o rabo de vocês de bala sou eu”, declarou.

Guilherme Delaroli prosseguiu prometendo tomar as providências necessárias no sentido de revidar a investida dos criminosos. Quanto às medidas prometidas, seu discurso deixa claro que suas diligências e resoluções ocorreriam de acordo com a lei de Talião: olho por olho, dente por dente. Enfim, na base da mais pura retaliação.

“Vocês não vão ter paz nessa porra. Se liga vocês aí. Estão pensando que estão lidando com otário. Aqui não tem criança, não. Eu vou para dentro de vocês”, afirmou.

A ira do parlamentar soma-se à voz de muitas pessoas que são vítimas da violência, mas que devido à impotência para repelir tamanho mal, não encontram meios de reagir. Agora, a reação do político e seu grito de indignação faz coro com a de milhões de cidadãos fluminenses, cansados de se submeter ao poder de quem faz do crime meio de vida.

Guilherme ainda exigiu respeito por sua trajetória policial.

“Me respeita como polícia e me respeita como homem. Vocês não estão falando e nem lidando com otário, não”, disse.

Antes de ingressar na política, Guilherme Delaroli serviu por mais de 20 anos na Polícia Militar. Atualmente, ele é militar da reserva.

Deputado mostra o público

Durante a gravação, Delaroli tentou virar a câmera do celular para mostrar as pessoas que ainda deixavam o encontro.

“Rapaz, eu estou tão tonto, estou louco para ir lá atrás, que não consigo nem virar essa parada aqui”, declarou.

Na sequência, o deputado exibiu parte da movimentação na rua. Ele voltou a mencionar a presença de crianças e criticou a situação da segurança pública.

“Vamos ver quem vai encher quem de bala”

No encerramento do vídeo, o deputado voltou a desafiar os supostos responsáveis pela intimidação. Enquanto determinava a saída das pessoas, pediu que os homens o aguardassem.

“Deixa sair todo mundo aí. E me espera lá atrás. Vamos ver quem vai encher o rabo de quem de bala, seus cuzões, seus otários”, declarou.

A sequência amplia o significado da reação. Delaroli não apenas manifestou indignação. Ele repetiu ameaças, anunciou que procuraria os envolvidos e sugeriu um confronto depois da retirada do público.

Reação do público

A maior parte das pessoas que interagiu com a publicação do deputado na rede social dele elogiou a decisão de interromper a reunião. Sobretudo, classificando a medida como importante para preservar as famílias.

Contudo, outros comentários transformaram o episódio em cobrança sobre a segurança pública de Itaboraí.

“E olha que você é deputado e policial. Imagina o cidadão chegando do trabalho e tomando fuzil na cara”, escreveu o usuário diorgepinto.

Nesse sentido, outra pessoa afirmou que o episódio mostraria o que moradores enfrentam diariamente.

“Se fazem isso com o senhor, que é policial e deputado, imagina o que o morador de bem passa”, comentou.

André Freitas
André Freitas é diretor-executivo e repórter do Folha do Leste e da Brasil 21 Comunicação. Jornalista e radialista desde a década de 1990, é narrador esportivo e cronista especializado em Carnaval, com 26 coberturas presenciais na Marquês de Sapucaí. Possui ampla experiência na cobertura da editoria de política, em razão de funções exercidas nos poderes Legislativo e Executivo, com atuação nas Câmaras Municipais de Niterói, São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, além da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e da Prefeitura de Niterói. Dirigiu por 15 anos a Rádio Absoluta, onde apresentou programas noticiosos diários e conduziu coberturas esportivas, incluindo mais de uma década acompanhando a seleção brasileira de futebol. Nesse período, esteve presente em duas Copas do Mundo e em uma edição dos Jogos Olímpicos. Trabalhou também nas rádios Campos Difusora (Campos/RJ) e Litorânea (ES). Exerceu o cargo de editor-chefe nos jornais Olho Vivo (Niterói/RJ) e A Tribuna (Niterói/RJ), além de atuar como colunista do jornal O Diário (Campos dos Goytacazes/RJ).

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