Pep Guardiola recusou o convite para comandar a seleção italiana e decidiu permanecer afastado do futebol por enquanto. O treinador comunicou a decisão a Paolo Maldini, diretor técnico da Federação Italiana de Futebol, durante a noite desta quinta-feira (23).
Segundo a imprensa italiana, Guardiola afirmou que se sentiu honrado com a proposta, mas não estava preparado para assumir imediatamente um novo trabalho. A recusa foi confirmada nesta sexta-feira (24) por uma fonte ligada às negociações.
Guardiola agradece convite, mas pede tempo
O treinador avaliou o projeto apresentado pela Federação Italiana antes de dar uma resposta definitiva.
Entretanto, pesou a intenção de reservar um período para a vida pessoal depois de dez temporadas seguidas no comando do Manchester City.
A vontade de passar mais tempo em Barcelona com a família já havia surgido durante as primeiras conversas com os dirigentes italianos. Além disso, Guardiola não demonstrou disposição para iniciar imediatamente outro ciclo de alta pressão.
A mensagem enviada a Maldini teria ressaltado o respeito pelo convite e pela tradição da seleção tetracampeã mundial. Mesmo assim, o espanhol entendeu que não conseguiria oferecer o comprometimento desejado neste momento.
Trabalho à distância não agradou ao treinador
Uma das alternativas discutidas previa uma atuação menos permanente na Itália, com parte das tarefas cotidianas delegada aos auxiliares.
Guardiola, porém, rejeitou esse modelo. Conhecido pelo envolvimento intenso nos treinamentos, na análise dos adversários e na preparação dos jogadores, ele entende que não conseguiria comandar uma seleção sem dedicação integral.
Durante as conversas, o técnico teria reforçado que, caso aceitasse o projeto, precisaria realizá-lo com envolvimento total.
Essa postura ajudou a afastar a possibilidade de um acordo adaptado às necessidades pessoais do treinador.
Projeto previa compromisso de longo prazo
Paolo Maldini apresentou a Guardiola uma reformulação profunda do futebol italiano.
A ideia não envolvia apenas a seleção principal. O projeto também incluía mudanças na formação de jogadores, nas categorias de base e na integração entre as equipes nacionais.
A proposta tinha horizonte de longo prazo, estimado entre oito e dez anos. No entanto, Guardiola considerou o compromisso extenso demais para o momento atual da carreira.
Maldini e o ex-jogador Leonardo, que atua como seu assessor, foram escolhidos para liderar essa reconstrução técnica. A Federação Italiana oficializou Maldini como diretor técnico e presidente do Club Italia em 11 de julho de 2026.
Itália procurou Ancelotti antes de Guardiola
A Federação Italiana também consultou Carlo Ancelotti antes de avançar nas conversas com Guardiola.
Maldini confirmou que a entidade decidiu procurar inicialmente os treinadores considerados entre os melhores do mundo. Contudo, Ancelotti permaneceu no comando da Seleção Brasileira mesmo depois da eliminação para a Noruega na Copa do Mundo.
Depois da negativa do italiano, os dirigentes concentraram os esforços em Guardiola.
A Federação estava disposta, inclusive, a flexibilizar seus limites financeiros para contratar um profissional do nível do ex-técnico do Manchester City.
Guardiola deixou Manchester City após dez temporadas
Guardiola encerrou sua passagem pelo Manchester City ao fim da temporada 2025/26.
Durante dez anos, conquistou seis títulos da Premier League, três Copas da Inglaterra, cinco Copas da Liga Inglesa e uma Liga dos Campeões. Também liderou o clube em uma sequência inédita de quatro títulos consecutivos do Campeonato Inglês.
Antes do City, o treinador acumulou períodos vitoriosos no Barcelona e no Bayern de Munique.
A saída do futebol inglês abriu espaço para especulações sobre seleções e clubes. Entretanto, Guardiola indicou que deseja descansar antes de definir o próximo passo.
Itália busca técnico após novo fracasso
A seleção italiana está sem treinador desde a saída de Gennaro Gattuso, em abril.
O técnico deixou o cargo depois que a equipe fracassou na tentativa de disputar a Copa do Mundo de 2026. Assim, a Itália ficou fora do torneio pela terceira edição consecutiva, após também não se classificar em 2018 e 2022.
O novo comando técnico representa o primeiro passo de uma reformulação mais ampla.
Além dos resultados da seleção, a Federação pretende rever a formação de atletas, a metodologia das categorias de base e o desenvolvimento de talentos.
Andrea Pirlo ganha força após recusa
Com Guardiola fora da disputa, Andrea Pirlo tornou-se um dos principais candidatos ao cargo.
O ex-meio-campista possui forte identificação com a seleção italiana e conhece profundamente o futebol do país. Campeão mundial como jogador em 2006, ele é avaliado como um nome capaz de liderar uma renovação técnica e cultural.
A imprensa italiana aponta Pirlo como a alternativa preferida de Maldini depois da negativa de Guardiola.
Entretanto, a Federação ainda não anunciou uma decisão definitiva.
Roberto Mancini também aparece entre candidatos
Além de Pirlo, Roberto Mancini voltou a ser relacionado ao cargo.
O treinador comandou a Itália na conquista da Eurocopa de 2021 e deixou a seleção em 2023. Seu conhecimento da estrutura federativa e a identificação com os jogadores podem favorecer um retorno.
Antonio Conte também apareceu nas primeiras avaliações conduzidas pela nova direção técnica.
Ainda assim, Pirlo ganhou espaço porque representa uma opção mais alinhada a um projeto de renovação e continuidade.
Maldini busca reconstrução de oito a dez anos
A chegada de Maldini à Federação ocorreu em meio a uma crise esportiva profunda.
O ex-zagueiro recebeu a missão de reorganizar a estrutura técnica das seleções e criar uma linha de desenvolvimento que conecte as categorias juvenis à equipe principal.
O contrato de Maldini vai até 2028, enquanto Leonardo atua como assessor no planejamento.
A escolha do novo treinador deverá considerar não apenas os resultados imediatos, mas também a disposição para participar desse processo.
Federação quer anunciar treinador rapidamente
A Itália pretende definir o novo comandante nos próximos dias. Maldini afirmou que a prioridade está em escolher o profissional correto, mesmo que o processo ultrapasse o prazo inicialmente planejado.
Com a recusa de Guardiola, os dirigentes devem aprofundar as conversas com Pirlo e os demais candidatos.
A decisão terá peso decisivo na tentativa de recuperar uma seleção que não disputa uma Copa do Mundo desde 2014.
Situação da seleção italiana
Treinador convidado: Pep Guardiola;
Resposta: proposta recusada;
Responsável pelas conversas: Paolo Maldini;
Cargo de Maldini: diretor técnico da Federação Italiana;
Principal motivo da recusa: desejo de descansar e permanecer mais próximo da família;
Projeto apresentado: reformulação de longo prazo;
Favorito após a negativa: Andrea Pirlo;
Outros nomes avaliados: Roberto Mancini e Antonio Conte.








