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Glória Menezes morre aos 91 anos; atriz ajudou a construir a história da TV brasileira

Glória Menezes, atriz brasileira que morreu aos 91 anos no Rio de Janeiro

Glória Menezes morre aos 91 anos; atriz ajudou a construir a história da TV brasileira | Fabio Rocha/TV Globo

Uma das protagonistas da construção da televisão brasileira, Glória Menezes atravessou mais de seis décadas entre teatro, cinema e TV. Na Globo, onde estreou em 1967, participou de mais de 40 telenovelas, segundo o Memória Globo.

A morte ocorre num dia especialmente duro para a dramaturgia nacional. Nesta terça-feira, o Folha do Leste também noticiou a morte de Laura Cardoso, aos 98 anos, outra atriz que atravessou gerações e ajudou a escrever a história da televisão no país.

De Nilcedes a Glória Menezes

Glória Menezes nasceu em 19 de outubro de 1934, em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Seu nome de batismo era Nilcedes Soares de Magalhães. Aos seis anos, mudou-se com a família para São Paulo, cidade onde começou a construir sua trajetória artística.

Apaixonada pelo teatro, estudou na Escola de Arte Dramática e integrou o grupo Jovens Independentes. Ainda em 1959, recebeu um prêmio de atriz revelação em um festival de teatro amador promovido por Antunes Filho.

Poucos anos depois, já estaria entre os rostos que ajudariam a consolidar a telenovela brasileira.

Glória e Tarcísio fizeram história juntos

A vida profissional de Glória Menezes ficou profundamente ligada à de Tarcísio Meira.

Os dois protagonizaram em 1963 “2-5499 — Ocupado”, produção da TV Excelsior reconhecida como a primeira telenovela diária do Brasil. Mais tarde, continuariam juntos em diversas produções e formariam também um dos casais mais conhecidos do meio artístico brasileiro.

Glória e Tarcísio foram casados por quase seis décadas, até a morte do ator, em agosto de 2021, aos 85 anos, em decorrência de complicações da Covid-19.

Tiveram um filho, o também ator Tarcísio Filho. Glória ainda tinha outros dois filhos de seu primeiro casamento.

A parceria dos dois se estendeu da vida privada aos palcos e às telas. Em 1988, ganharam inclusive um seriado próprio, “Tarcísio & Glória”, dirigido por Daniel Filho.

Estreia na Globo aconteceu em Sangue e Areia

Glória chegou à Globo em 1967, como Doña Sol em Sangue e Areia. Tarcísio Meira interpretava Juan Gallardo na mesma produção.

A partir dali, tornou-se presença constante nas principais fases da teledramaturgia da emissora.

O currículo inclui Irmãos Coragem, O Homem que Deve Morrer, Cavalo de Aço, Pai Herói, Jogo da Vida, Guerra dos Sexos, Corpo a Corpo, Brega & Chique, Rainha da Sucata, Deus nos Acuda, A Próxima Vítima, Torre de Babel, Senhora do Destino, A Favorita, Joia Rara e Totalmente Demais.

A relação oficial de trabalhos do Memória Globo contabiliza mais de 40 novelas apenas na emissora.

Laurinha Figueroa virou uma das personagens mais lembradas

Entre dezenas de personagens, Laurinha Figueroa, de “Rainha da Sucata”, ocupa um espaço especial na memória da televisão.

Na novela de 1990, Glória interpretou uma representante da decadente elite paulista que tenta preservar as aparências mesmo depois da ruína financeira da família.

Laurinha se tornou uma das vilãs emblemáticas da dramaturgia brasileira e marcou também uma mudança importante na trajetória da própria atriz.

A novela voltou a ganhar exposição nas reprises recentes da Globo, apresentando novamente a atuação de Glória a gerações que não acompanharam a exibição original.

Última novela foi Totalmente Demais

O último trabalho de Glória Menezes em uma telenovela foi “Totalmente Demais”, exibida originalmente entre 2015 e 2016.

Ela viveu Stelinha, mãe de Arthur, personagem de Fábio Assunção. Na história, a socialite vivia no exterior e retornava ao Brasil para ensinar etiqueta a Eliza, interpretada por Marina Ruy Barbosa.

Depois disso, Glória reduziu significativamente as aparições artísticas.

Em 2025, porém, sua história voltou ao centro das atenções com o documentário “Tributo — Glória Menezes”, no Globoplay. A produção reuniu as próprias lembranças da atriz sobre uma carreira marcada por pioneirismos na televisão brasileira.

Homenagem aconteceu seis dias antes da morte

Uma das últimas grandes homenagens a Glória aconteceu apenas seis dias antes de sua morte.

Em 12 de agosto, os Estúdios Globo inauguraram a terceira parte de sua Calçada da Fama e incluíram o nome da atriz entre as personalidades homenageadas.

Glória não esteve pessoalmente na cerimônia. Tarcísio Filho representou a mãe no evento.

A homenagem colocou seu nome ao lado de outros profissionais que participaram diretamente da construção da história da emissora.

O Pagador de Promessas levou Glória a Cannes

A trajetória de Glória Menezes também ocupa um lugar importante na história do cinema brasileiro.

Ela interpretou Rosa em “O Pagador de Promessas”, dirigido por Anselmo Duarte. O longa conquistou a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1962, feito que permanece único para um longa-metragem brasileiro na principal competição do festival. O registro oficial de Cannes inclui Glória no elenco.

O filme colocou o cinema brasileiro no centro do cenário internacional e permanece como uma das obras fundamentais da cinematografia nacional.

Mais que uma longa carreira

A dimensão da trajetória de Glória Menezes não está apenas na quantidade de trabalhos.

Ela começou a atuar quando a televisão brasileira ainda construía sua linguagem, participou da consolidação da novela diária e permaneceu presente durante transformações técnicas, artísticas e culturais de várias décadas.

Passou pela televisão ao vivo, pela consolidação dos grandes folhetins, pelo cinema premiado internacionalmente e por diferentes gerações de autores, diretores e atores.

Ao lado de Tarcísio Meira, tornou-se ainda parte de uma das imagens mais reconhecidas da história da dramaturgia nacional.

Glória Menezes morreu aos 91 anos deixando uma obra que atravessa a própria história da televisão brasileira.

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Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

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