
Operação interdita ferro-velho em Monjolos e leva dois à DRFA | Divulgação/Jonnathan Smith/Prefeitura de São Gonçalo
Um ferro-velho que funcionava em dois endereços na Rua Itapeva, em Monjolos, foi interditado nesta quarta-feira (16) durante uma operação conjunta de fiscalização e investigação policial. Dois responsáveis pelo estabelecimento, pai e filho, foram levados à Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), em Niterói.
A informação disponível até o fechamento desta reportagem confirma a condução dos dois homens à delegacia para prestar esclarecimentos, sob suspeita de receptação e de infrações ambientais.
Apesar de uma publicação da Prefeitura mencionar prisão em flagrante em determinado trecho, a mesma nota apresenta informação contraditória sobre o desfecho da ocorrência. Não houve confirmação independente da Polícia Civil, até o fechamento, de que os dois tenham sido formalmente presos ou autuados em flagrante.
A investigação começou após denúncias recebidas pela DRFA. Segundo as informações divulgadas sobre a operação, os agentes apuravam a comercialização presencial e pela internet de peças automotivas e realizaram ações de vigilância antes da fiscalização conjunta.
O caso guarda relação com outras fiscalizações realizadas em São Gonçalo. Em agosto de 2025, por exemplo, o Folha do Leste noticiou a interdição de um ferro-velho no Mutondo após agentes identificarem três portas vinculadas, pela numeração dos chassis, a veículos com registro de roubo.
Irregularidades encontradas
A Subsecretaria de Fiscalização de Posturas determinou a interdição dos dois endereços e expediu intimação para encerramento das atividades. O órgão também lavrou auto de infração de 50 UFISGs por ocupação irregular da via pública.
Com a UFISG informada em R$ 69,45, 50 unidades correspondem matematicamente a R$ 3.472,50. A divulgação municipal, porém, não esclarece se essa quantidade corresponde a um único auto para toda a atividade ou se houve autuações distintas nos dois endereços. Por isso, o valor não deve ser interpretado como multa total definitiva.
Já a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Transportes apontou funcionamento sem licença ambiental, além da presença de resíduos oleosos e vazamento de óleo. Segundo o órgão, essas condições representavam risco de contaminação do solo e de corpos hídricos próximos. A constatação de risco não significa, por si só, comprovação de contaminação ambiental fora da área fiscalizada.
O Inea lavrou auto de constatação que registrou, entre outras ocorrências, poluição do solo e de corpo hídrico, poço sem licença, água parada com proliferação de vetores, disposição irregular de resíduos e impregnação de hidrocarbonetos no solo. A divulgação oficial não identifica qual corpo hídrico foi objeto da constatação nem apresenta, junto ao comunicado, resultados de análise laboratorial.
A Vigilância Sanitária municipal também lavrou auto de infração. Os fiscais relataram acúmulo de peças e carcaças de veículos e classificaram as condições encontradas como insalubres, com riscos sanitários e ambientais.
O que cada órgão determinou
O Detran-RJ interditou a atividade por falta do credenciamento exigido para estabelecimentos que trabalham com desmontagem e comercialização de componentes automotivos. O material encontrado deverá ser recolhido e destinado a empresas de reciclagem. A quantidade exata de peças, carcaças ou peso apreendido não foi divulgada oficialmente até o fechamento.
Por isso, não é possível afirmar que todo o material existente no ferro-velho tenha origem criminosa. Também não foi divulgada uma relação individualizada de peças vinculadas a veículos roubados ou furtados.
O Corpo de Bombeiros expediu uma notificação por falta de documentação. A informação divulgada sobre a operação não especifica qual certificado ou documento de segurança contra incêndio estava ausente. A Polícia Ambiental também participou da ação.
Situação dos responsáveis
Os dois responsáveis foram conduzidos à DRFA. Até o fechamento desta reportagem, esse é o desfecho que pode ser afirmado sem reproduzir a contradição existente na própria divulgação municipal.
A apuração policial envolve suspeitas de receptação e questões ambientais. Entretanto, não foi localizada confirmação oficial da Polícia Civil sobre eventual lavratura de auto de prisão em flagrante, tipificação definitiva da ocorrência, liberação dos envolvidos ou manutenção de eventual prisão.
Mesmo que posteriormente seja confirmada uma autuação por receptação qualificada ou crime ambiental, a tipificação policial representa uma etapa inicial da apuração e não equivale a condenação.
Como denunciar ferro-velho irregular
Enfim, moradores podem denunciar ferros-velhos irregulares à Prefeitura de São Gonçalo pelo Colabore+.
Também é possível entrar em contato com a Ouvidoria pelos telefones (21) 2199-6374 e (21) 2199-6420, pelo e-mail [email protected] ou presencialmente na Avenida Presidente Kennedy, 765, Estrela do Norte.








