
Campanha Agosto Lilás reúne mulheres no Centro de São Gonçalo | Divulgação/Renan Otto/Prefeitura de São Gonçalo
Há quase três anos, Maria Solidade vende os crochês que produz na Feira da Mulher Empreendedora, no Centro de São Gonçalo. Aos 60 anos, a artesã conta que retomou o trabalho depois de sair de uma situação de violência e encontrou na própria produção uma fonte de renda e autonomia.
A história dela conecta os dois principais pontos da ação realizada nesta sexta-feira (28), na Praça Dr. Luiz Palmier: orientação sobre violência contra a mulher e fortalecimento de alternativas de trabalho para empreendedoras.
A feira também ganhou novas barracas, maiores e mais adequadas para exposição dos produtos. Além disso, o quiosque recebeu pintura do projeto Cidade Ilustrada, ligado à Secretaria de Turismo e Cultura.
Maria retomou o trabalho após sair de situação de violência
Maria Solidade participa da feira há quase três anos. Ela se apresenta hoje como artesã e empreendedora, mas também relata que precisou reconstruir a rotina depois de uma experiência de violência.
“Eu já passei por situação de violência e desde que resolvi sair disso, busquei adquirir conhecimento, voltei a trabalhar, a produzir meus crochês, e hoje estou aqui livre e independente. E também estou feliz com as melhorias na Feira, porque agora está mais bonita e os pedestres passam a admirar ainda mais o nosso trabalho”, contou.
O relato de Maria mostra como renda, conhecimento e circulação em espaços públicos podem fortalecer a autonomia de mulheres. Ainda assim, a violência contra a mulher não se explica apenas pela dependência econômica. Ela pode atingir mulheres de diferentes rendas, idades, escolaridades e trajetórias.
Feira ganha barracas novas no Centro
A Feira da Mulher Empreendedora passou a contar com barracas novas e mais espaçosas. A mudança melhora a exposição dos produtos e dá mais estrutura para as comerciantes que ocupam o espaço.
A feira funciona de forma regular na Praça Dr. Luiz Palmier, no Centro de São Gonçalo, sempre às quartas e sextas-feiras, das 9h às 16h.
Portanto, a ação desta sexta teve um caráter pontual dentro do Agosto Lilás, mas a feira segue como serviço permanente para quem compra e para as mulheres que vendem no local.
Empreendedoras vendem às quartas e sextas
A Feira da Mulher Empreendedora reúne produtos feitos e comercializados por mulheres. Entre as expositoras, há artesãs e empreendedoras que usam o espaço para ampliar renda, divulgar o trabalho e manter contato direto com o público.
No caso de Maria, o crochê virou parte concreta da retomada da autonomia. Mas a própria política pública exige cuidado na leitura: trabalho e renda podem ajudar mulheres a reorganizar a vida, porém não substituem rede de proteção, denúncia, acolhimento e responsabilização de agressores.
Para a subsecretária de Políticas Públicas para as Mulheres, Ana Cristina da Silva, fortalecer alternativas de renda pode ampliar a autonomia de mulheres que enfrentam situações de violência.
Agosto Lilás levou orientação à praça
A programação desta sexta também teve atividade física, uma aula introdutória de defesa pessoal com a guarda municipal Fabiana Portugal e orientações sobre formas de violência.
O Agosto Lilás é uma campanha de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher. A mobilização tem relação com a Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, que criou mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher.
A Lei Maria da Penha reconhece diferentes formas de violência doméstica e familiar, como violência física, psicológica, sexual, patrimonial e moral.
Defesa pessoal não substitui denúncia nem proteção
A aula de defesa pessoal entrou na programação como atividade de orientação e mobilização. Ela não substitui denúncia, acolhimento, medida protetiva ou atendimento policial em situação de risco.
A responsabilidade pela violência é de quem agride. Por isso, ações de prevenção precisam caminhar junto com informação, rede de proteção, atendimento especializado e acesso a canais de ajuda.
Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Para orientação, informação sobre direitos, acolhimento e encaminhamento de denúncias, o canal nacional é o Ligue 180, serviço do Ministério das Mulheres.
Onde pedir ajuda em São Gonçalo
São Gonçalo possui serviços e canais de atendimento para mulheres em situação de violência.
O CEOM Zuzu Angel atua como referência municipal de orientação e acolhimento. A Prefeitura informa o telefone (21) 96427-0012 nos canais oficiais de assistência social.
O serviço funciona na Rua Camilo Fernandes Moreira, s/nº, Neves, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, conforme informação oficial publicada pela Prefeitura em página do equipamento.
A Sala Lilás aparece nos telefones úteis da Prefeitura como atendimento especializado para mulheres vítimas de violência, pelos números (21) 2701-5622 e (21) 3715-2155.
Já a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) de São Gonçalo fica na Avenida Dezoito do Forte, 578, Mutuá, segundo a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.
Serviço — Feira da Mulher Empreendedora
Feira da Mulher Empreendedora
Local: Praça Dr. Luiz Palmier, Centro de São Gonçalo
Dias: quartas e sextas-feiras
Horário: 9h às 16h
O que mudou: feira recebeu novas barracas e o quiosque ganhou pintura do projeto Cidade Ilustrada
Quem participa: mulheres empreendedoras e artesãs que expõem produtos no espaço
Serviço — Violência contra a mulher
Violência contra a mulher: onde buscar ajuda
Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher
Canal nacional de orientação, acolhimento, informação sobre direitos e encaminhamento de denúncias. Também atende por WhatsApp: (61) 99610-0180.
190 — Polícia Militar
Deve ser acionado em situação de emergência, risco imediato ou violência em andamento.
CEOM Zuzu Angel — São Gonçalo
Endereço: Rua Camilo Fernandes Moreira, s/nº, Neves
Telefone: (21) 96427-0012
Atendimento informado: segunda a sexta-feira, das 9h às 17h
Sala Lilás — São Gonçalo
Telefones: (21) 2701-5622 e (21) 3715-2155
Atendimento: serviço especializado para mulheres vítimas de violência, conforme lista oficial de telefones úteis da Prefeitura.
DEAM São Gonçalo
Endereço: Avenida Dezoito do Forte, 578, Mutuá, São Gonçalo
Atendimento: delegacia especializada para registro e apuração de crimes contra mulheres.










