Brasil

Fraudes no INSS: PF mira advogado ligado a Weverton Rocha

PF faz buscas em investigação sobre esquema de fraudes no INSS

Fraudes no INSS: PF mira advogado ligado a Weverton Rocha | Divulgação/Willer Tomaz Advogados Associados | Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Uma nova fase da Operação Sem Desconto ampliou nesta terça-feira (04) a investigação sobre o esquema de fraudes no INSS. A Polícia Federal cumpriu 18 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Maranhão para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas aos descontos associativos irregulares em aposentadorias e pensões.

Entre os principais alvos identificados estão o advogado Willer Tomaz e familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA). O parlamentar não foi alvo das buscas desta terça, mas já é investigado no mesmo inquérito e havia sido alvo de mandado em dezembro de 2025.

Segundo a investigação, Tomaz teria desempenhado uma função central na estrutura financeira e patrimonial relacionada ao senador. A PF o descreve como um “hub financeiro, patrimonial e logístico” de Weverton. A defesa do advogado, entretanto, nega qualquer participação nas fraudes do INSS.

PF investiga possível lavagem de dinheiro

A etapa deflagrada nesta terça-feira possui como foco específico a possível lavagem de dinheiro.

De acordo com a Polícia Federal, as investigações encontraram indícios de movimentações financeiras e patrimoniais realizadas por meio de pessoas físicas e jurídicas.

Além disso, os investigadores identificaram utilização de contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações com dinheiro em espécie.

A suspeita é que esses mecanismos tenham servido para ocultar a origem e o destino dos recursos.

Agora, a PF busca esclarecer de onde veio o dinheiro, quem recebeu os valores e qual foi a finalidade de cada repasse.

Ao mesmo tempo, a investigação tenta individualizar a conduta dos envolvidos.

Willer Tomaz é apontado como elo financeiro

A decisão que autorizou as buscas apresenta Willer Tomaz como uma figura próxima a Weverton Rocha.

Segundo a PF, empresas relacionadas ao advogado teriam participado de operações financeiras e patrimoniais envolvendo pessoas ligadas ao senador.

Além disso, uma empresa de Tomaz teria comprado por cerca de R$ 6 milhões uma mansão apontada pela investigação como utilizada por Weverton.

Para os investigadores, a atuação do advogado iria além dessa operação imobiliária.

A estrutura sob análise envolveria empresas, bens, aeronaves e outras relações financeiras que teriam sido colocadas à disposição do grupo investigado.

Por isso, a PF passou a analisar Tomaz como uma peça importante para compreender a circulação dos recursos.

Mulher de Weverton teria recebido mais de R$ 11 milhões

Outro ponto destacado pelos investigadores envolve Samya Rocha, mulher do senador.

Segundo a PF, ela teria recebido mais de R$ 11 milhões de empresas relacionadas a Willer Tomaz.

Esses repasses fazem parte da análise financeira que embasou a nova operação.

A investigação tenta determinar a origem efetiva do dinheiro e identificar quem seria o beneficiário econômico das movimentações.

Entretanto, a existência dos repasses, isoladamente, não significa comprovação de crime.

A suspeita da PF é justamente de que determinadas operações possam ter sido usadas para esconder a origem, propriedade ou destinação de recursos.

Parentes do senador foram alvo de buscas

Os mandados desta terça alcançaram pessoas próximas a Weverton Rocha. Entre os alvos estão familiares do senador, além do próprio Willer Tomaz. As buscas ocorreram no Distrito Federal e no Maranhão.

Ao todo, o Supremo Tribunal Federal autorizou 18 mandados de busca e apreensão.

A operação ocorre sob relatoria do ministro André Mendonça, responsável pelo inquérito no STF.

Weverton não recebeu novo mandado nesta etapa. Contudo, permanece no centro de uma das linhas investigativas da Operação Sem Desconto.

PF atribui atuação ativa a Weverton Rocha

Em documentos da investigação, a Polícia Federal atribui ao senador uma atuação que teria ultrapassado uma simples relação política com pessoas investigadas.

A corporação já apontou Weverton como possível beneficiário final de operações financeiras relacionadas ao caso.

Além disso, investigadores chegaram anteriormente a pedir a prisão do parlamentar.

André Mendonça negou a medida, assim como a Procuradoria-Geral da República não defendeu a prisão naquele momento.

Portanto, Weverton segue investigado, sem que exista condenação ou conclusão definitiva sobre sua responsabilidade criminal.

Weverton já havia sido alvo da Operação Sem Desconto

A investigação sobre o senador não começou nesta terça-feira.

Em dezembro de 2025, a PF já havia realizado busca e apreensão contra Weverton no âmbito da mesma operação.

Na ocasião, a corporação investigava a possível participação de agentes políticos na estrutura relacionada aos descontos associativos do INSS.

Desde então, novas análises financeiras e patrimoniais ampliaram as linhas de investigação.

A etapa atual concentra atenção principalmente na circulação e na possível ocultação de recursos.

Defesa de Willer Tomaz nega participação no esquema

A defesa de Willer Tomaz rejeitou as suspeitas.

Em nota, afirmou que a busca realizada nesta terça-feira decorreu exclusivamente do fato de o advogado ser proprietário de uma aeronave utilizada por Weverton Rocha em uma viagem particular.

Segundo a defesa, o empréstimo do avião ocorreu de maneira pessoal e amistosa.

Além disso, os advogados afirmaram que Tomaz não possui vínculo com o esquema de descontos previdenciários investigado pela Polícia Federal.

A defesa também contesta a interpretação de que relações patrimoniais e pessoais entre o advogado e o senador representem participação nas irregularidades.

Weverton não havia se manifestado sobre nova operação

Até a atualização das informações disponíveis nesta terça-feira, Weverton Rocha não havia apresentado manifestação específica sobre a nova fase da operação.

O senador foi procurado para comentar as buscas contra familiares e pessoas próximas. Entretanto, não respondeu até a publicação das reportagens consultadas.

Caso o parlamentar ou sua defesa se manifestem posteriormente, o posicionamento deverá ser incorporado ao contraditório da reportagem.

PF apreendeu máquina de contar dinheiro

Durante as diligências, a Polícia Federal divulgou a apreensão de uma máquina automática para contagem de cédulas em um dos endereços vistoriados.

A imagem do equipamento foi publicada pela própria corporação junto ao balanço inicial da operação.

Também houve apreensões destinadas à análise dos investigadores.

No entanto, a presença de dinheiro em espécie ou de equipamento para contagem de cédulas não constitui, por si só, prova de lavagem.

O material deverá ser analisado em conjunto com documentos bancários, societários e patrimoniais.

Como funcionaria a ocultação investigada pela PF

Segundo a Polícia Federal, a estrutura sob investigação teria utilizado diferentes mecanismos para dificultar o rastreamento dos recursos.

Entre eles aparecem empresas, contas de terceiros, operações patrimoniais e movimentações realizadas em espécie.

A investigação também analisa negócios relacionados a imóveis e sociedades empresariais.

A hipótese é que parte dessas estruturas pudesse separar formalmente determinados bens de seus possíveis beneficiários reais.

Essa é justamente uma das características investigadas em crimes de lavagem de dinheiro.

Contudo, caberá à investigação demonstrar se as operações tiveram efetivamente finalidade criminosa.

O que é a Operação Sem Desconto

A Operação Sem Desconto foi aberta para investigar descontos associativos não autorizados em benefícios pagos pelo INSS.

A investigação envolve entidades que cobravam mensalidades diretamente das aposentadorias e pensões.

Milhões de beneficiários posteriormente informaram ao INSS que não reconheciam os descontos.

Em balanço divulgado em abril de 2026, o instituto informou que havia recebido mais de 6,5 milhões de contestações, das quais aproximadamente 6,4 milhões correspondiam a descontos não reconhecidos pelos beneficiários.

Além disso, o governo passou a realizar ressarcimentos.

Até abril, o valor dos pagamentos emitidos ou gerados já ultrapassava R$ 3 bilhões.

Nova fase tenta seguir caminho do dinheiro

A operação desta terça-feira representa, portanto, uma nova etapa da investigação.

Enquanto as primeiras fases buscaram identificar como os descontos eram realizados e quem participava das entidades, agora a PF aprofunda o rastreamento dos recursos.

O objetivo é verificar se dinheiro relacionado às irregularidades circulou por estruturas criadas para esconder seus verdadeiros destinatários.

Por isso, documentos financeiros, informações empresariais, movimentações patrimoniais e valores apreendidos terão papel importante nas próximas etapas.

Enfim, com os 18 novos mandados, a investigação sobre o esquema de fraudes no INSS passa a concentrar atenção ainda maior nas suspeitas de lavagem e nas conexões financeiras entre operadores, empresários e pessoas ligadas a agentes políticos.

+ MAIS NOTÍCIAS DO BRASIL
Enzo Carvalho
Enzo Carvalho é jornalista profissional, com atuação voltada à cobertura de inovação, tecnologia, cotidiano e esportes. Ex-jogador profissional de e-sports, traz para o jornalismo uma compreensão prática do universo digital, das plataformas tecnológicas e das transformações provocadas pela cultura conectada.

Leave a reply