O entregador Danilo Jander Francisco Alves, de 25 anos, permanece internado em estado grave após ser baleado durante uma abordagem do Niterói Presente, na noite de sábado (12), em Icaraí, Niterói. O policial militar apontado como autor do disparo foi preso. Enquanto isso, a Polícia Civil investiga as circunstâncias da ocorrência.
O caso aconteceu na Rua Mariz e Barros. O Corpo de Bombeiros recebeu o chamado por volta das 18h10 e socorreu Danilo. Em seguida, a equipe o levou ao Hospital Estadual Azevedo Lima (HEAL).
Informações iniciais chegaram a apontar a morte do entregador. Contudo, essa informação foi posteriormente corrigida. Até o fechamento desta reportagem, Danilo permanecia internado em estado grave.
As versões sobre os momentos anteriores ao disparo divergem. Segundo o Segurança Presente, agentes tentaram abordar um motociclista que teria desobedecido a uma ordem de parada. Testemunhas, por outro lado, afirmam que Danilo não reagia e estaria com as mãos levantadas quando foi atingido.
A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) conduz a investigação. A especializada já ouviu testemunhas e analisa imagens de câmeras para reconstruir a dinâmica da abordagem.
O que dizem as autoridades
Segundo nota do Segurança Presente, policiais faziam patrulhamento em Icaraí quando tentaram abordar um motociclista. De acordo com a versão oficial, ele não teria obedecido à ordem de parada.
Ainda conforme o programa, os agentes realizaram um cerco. Durante a ação, um dos policiais efetuou o disparo que atingiu Danilo.
O comunicado, no entanto, não estabelece que o entregador tenha atacado os policiais ou usado algum tipo de arma. Também não esclarece, por si só, por que houve o disparo.
O policial apontado como autor do tiro foi preso após a ocorrência. Segundo a informação divulgada pelas autoridades, ele seguiu para uma unidade prisional da corporação.
A prisão representa uma medida cautelar adotada após o episódio e não equivale a condenação. Agora, a investigação deverá estabelecer a dinâmica da abordagem e eventual responsabilidade criminal.
Além disso, o Segurança Presente informou que a Corregedoria acompanha o caso. Até o fechamento, não havia informação oficial detalhada sobre eventual procedimento disciplinar concluído.
O programa Niterói Presente integra a Operação Segurança Presente, vinculada à estrutura estadual de segurança pública. Portanto, os policiais militares envolvidos na ação não pertencem à Guarda Municipal de Niterói.
O que relatam testemunhas
Testemunhas e colegas de Danilo apresentam uma versão diferente sobre os segundos que antecederam o disparo. Segundo esses relatos, o entregador não teria reagido à abordagem.
Eles também afirmam que Danilo estaria com as mãos levantadas quando foi baleado. Esses relatos, porém, ainda precisam ser confrontados com as demais provas reunidas pela Polícia Civil.
Vídeos divulgados depois da ocorrência mostram a movimentação de pessoas na região e a tensão formada após o disparo. Parte dessas imagens registra acontecimentos posteriores ao tiro. Por isso, elas não permitem, isoladamente, estabelecer toda a dinâmica da abordagem.
Depois do caso, entregadores e motociclistas realizaram uma manifestação em Niterói. O ato passou por vias como a Avenida Roberto Silveira, em Icaraí, e a Avenida Marquês de Paraná, no Centro.
A Polícia Militar informou que agentes do 12º BPM acompanharam a mobilização. Não há, até o momento, estimativa oficial consolidada sobre o número de participantes.
O que a polícia investiga
A DHNSG busca esclarecer principalmente o que aconteceu entre a tentativa de abordagem e o disparo. Para isso, investigadores ouviram testemunhas e passaram a analisar imagens de câmeras.
Entre os pontos centrais estão a reação de Danilo, a conduta dos agentes e as circunstâncias em que o policial efetuou o tiro. A investigação também deverá confrontar os relatos das partes com registros visuais e demais elementos técnicos.
Até agora, a Polícia Civil não apresentou uma conclusão sobre a responsabilidade criminal no episódio.
Também não houve divulgação oficial detalhada sobre eventual câmera corporal usada pelo policial envolvido. Da mesma forma, não há informação pública conclusiva sobre imagens desse equipamento ou sobre seu conteúdo.
A própria existência de versões contraditórias reforça a importância das gravações e dos depoimentos. Assim, qualquer conclusão definitiva sobre intenção, reação ou circunstância do disparo dependerá do avanço da investigação.









